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segunda-feira, 6 de março de 2017

O grande temor da oposição


O grande temor da oposição

Editorial do jornal O Estado de S.Paulo – 06/03/17 – p. A3

Os apoiadores de Dilma Rousseff almejavam que a força da Constituição não fosse suficiente para sustentar Temer no cargo presidencial e que o discurso repetitivo do golpe maculasse a legitimidade do governo

O grande temor da oposição vai-se tornando realidade: a plena consolidação do governo do presidente Michel Temer. Os apoiadores de Dilma Rousseff almejavam que a força da Constituição não fosse suficiente para sustentar Temer no cargo presidencial e que o discurso repetitivo do golpe maculasse a legitimidade do governo. Nada disso ocorreu.
Da mesma forma como havia ocorrido com Fernando Collor, o impeachment de Dilma Rousseff deixou claro que existe lei no País e que ela vale para todos, também para os que estão no cume da hierarquia do poder público.
A consolidação do governo de Michel Temer vai, no entanto, além da questão meramente institucional. Ela é decorrência direta de um governo que, se não isento de erros, até o momento vem mostrando disposição de acertar. Logicamente, há ainda muito a ser corrigido, começando por retirar do governo pessoas que devem antes prestar esclarecimentos à população e, em alguns casos, à Justiça.
Mas isso não obscurece o fato de que o presidente Michel Temer, como há muito tempo não se via no Palácio do Planalto, está disposto a colocar o Brasil nos trilhos. Sua opção por uma equipe econômica de alta qualidade técnica, sem apegos político-partidários, começa a dar resultados. Ainda há uma longa distância para devolver ao País o dinamismo que ele precisa ter, mas é inegável o empenho para fortalecer os fundamentos macroeconômicos, em especial o equilíbrio das contas públicas. Nesse campo, a aprovação da Emenda Constitucional 95, estabelecendo um teto para os gastos públicos, foi uma vitória da racionalidade e da responsabilidade frente a um populismo que perdurou por longos anos, nas administrações de Lula – especialmente em seu segundo mandato – e de Dilma Rousseff.
Também é verdade que o presidente Michel Temer soube vislumbrar, ainda no exercício provisório da Presidência, que o ajuste fiscal, por si só, não seria suficiente para a retomada do crescimento econômico. Talvez aqui esteja a principal razão da consolidação do seu governo frente às frustradas tentativas da oposição de minguar sua legitimidade – a disposição de Temer de levar adiante reformas legislativas que não são fáceis de serem implementadas e, ao mesmo tempo, são tão necessárias.
Se as reformas previdenciária, trabalhista e tributária representam o grande desafio do governo Temer, já que uma eventual rejeição pelo Congresso põe em risco as conquistas até aqui alcançadas, a disposição de levar adiante essas alterações legislativas é, por sua vez, o grande mérito do governo. Seria, portanto, um equívoco pensar que transigências do Palácio do Planalto na tramitação das reformas facilitariam a trajetória de Temer na Presidência. Concessões nesse campo seriam tão somente derrotas.
Deve-se reconhecer que os acertos do governo de Michel Temer ainda não se refletiram em popularidade. As pesquisas de opinião mostram uma avaliação que, se não chega a ser péssima, está longe de trazer tranquilidade a qualquer governante. De toda forma, a capacidade do governo para aprovar as reformas não depende, nesse momento, de sua popularidade. Manter-se firme na disposição de trabalhar pelo bem do País, sem dispor do conforto de um apoio massivo da opinião pública, é o atual desafio do presidente Temer.
A tarefa de reconstrução do País mal começou. Os desafios são enormes. Basta ver as dificuldades que o governo tem pela frente para aprovar uma tímida, porém imprescindível, reforma da Previdência. Agora, é preciso continuar no mesmo rumo, trabalhando com afinco pelas reformas, e corrigir os equívocos. Não é segredo, por exemplo, que há colaboradores de Temer que, mais do que ajudar, trazem sérios problemas ao Palácio do Planalto. Urge trocá-los.
É justamente essa atuação segura de Temer de que tanto o País necessita e que, ao mesmo tempo, faz a oposição ficar tão alarmada. O PT e seus aliados torciam por uma administração débil e, a cada dia que passa, vão percebendo que o impeachment não trouxe um golpe. Trouxe um governo.




domingo, 4 de setembro de 2016

O colapso da vontade (Viva o impeachment!)

O colapso da vontade


Editorial do jornal O Estado de S. Paulo – 04/09/16

Ao contrário do que alardeiam os petistas, o impeachment da presidente Dilma Rousseff não foi um golpe contra a democracia, mas sim a interrupção do processo de degradação da democracia, liderado pelo partido que se dizia campeão da ética na política e que prometia o paraíso da retidão moral contra “tudo isso que está aí”. Foram mais de dez anos em que o País foi submetido a uma espécie de lavagem cerebral, por meio da qual se procurou desmoralizar toda forma de crítica ao projeto lulopetista, qualificando desde sempre seus opositores como “inimigos do povo” e, ultimamente, como “golpistas”.
Ao mesmo tempo, o PT, sob a liderança inconteste de Lula, passou todos esses anos empenhado em desmoralizar o Congresso, oferecendo a partidos e políticos participação no grande plano de assalto ao Estado arquitetado por aqueles que, tanto na cúpula petista como nos altos escalões do governo, tinham completo conhecimento do que ocorria. Tudo isso visava em primeiro lugar não ao enriquecimento pessoal da tigrada, embora uns e outros tenham se lambuzado com o melado que jorrava de estatais, mas sim à destruição do preceito básico de qualquer democracia: a alternância no poder. A corrupção, um mal que assola o Brasil desde o tempo das naus cabralinas, tornou-se pela primeira vez uma política de Estado e uma estratégia política.
Na mentalidade autoritária petista, a democracia é e sempre foi um estorvo, pois pressupõe que maiorias eventuais não podem tudo e devem se subordinar ao que prevê a Constituição, passando regularmente por testes de legitimidade. Logo, para se manter no poder para sempre, como pretendia, o PT tratou de proceder à demolição da própria política, inviabilizando qualquer forma de debate e dividindo a sociedade em “nós” e “eles”.
Com isso, as vitórias eleitorais, a partir da chegada do chefão Luiz Inácio Lula da Silva ao poder, foram tratadas pelos governantes petistas como prova de que estavam acima de quaisquer limites administrativos, políticos, éticos e legais – portanto, dispensados de confirmar sua legitimidade. Desde sua fundação, o PT sempre entendeu que não deveria se submeter a nenhum limite de natureza institucional porque se considerava portador da verdade histórica. Com Lula na Presidência, o PT interpretou os votos que recebeu como uma espécie de realização de sua superioridade moral – e o partido apresentou-se como o único capaz de entender e satisfazer os desejos populares.
Foi assim que Lula se apresentou ao País e ao mundo como o demiurgo capaz de elevar o Brasil à condição de potência mundial e, de lambuja, transformar os pobres brasileiros em felizes consumidores de eletrodomésticos, carros e passeios de avião. Munido de grande carisma e de notória caradura, Lula prometeu um sem-número de obras grandiosas e projetos miraculosos. Entregou, em vez disso, apenas slogans, discursos e bravatas.
Mas o País, como que hipnotizado pelo gabola de Garanhuns, deixou-se enlevar por aquele palavrório vazio e, aparentemente destituído da capacidade crítica, não apenas reelegeu Lula, como abriu as portas da Presidência da República para a mais inepta administradora pública de que a história brasileira tem registro. Dilma Rousseff, no entanto, não pode ser vista como uma aberração. Ela não existiria politicamente se não fosse Lula, tampouco teria governado do modo desastroso como governou se não fosse petista. Pois os petistas, como demonstrou fartamente a agora destituída presidente, acreditam, graças às suas delirantes fantasias, que dinheiro público surge e se multiplica unicamente em razão da vontade do governante. Quem quer que ouse questionar essa visão irresponsável é considerado “invejoso” e “preconceituoso”, como Lula anunciou certa vez em 2007, ocasião em que disse que “é fácil ajudar os pobres”.
O impeachment de Dilma e a desmoralização do PT funcionam, portanto, como uma chance de ouro para o restabelecimento da racionalidade política e administrativa no País. Mais importante do que isso, o ocaso da era lulopetista restitui aos brasileiros a própria democracia – imperfeita, incompleta e carente de reformas, mas certamente preferível aos sonhos autoritários de Lula, de Dilma e da tigrada.


Fonte: 

domingo, 1 de maio de 2016

Brasil patina porque gasta muito e mal, indica estudo



Brasil patina porque gasta muito e mal, indica estudo

ÉRICA FRAGA
FOLHA DE SÃO PAULO
30/04/2016

A combinação entre gastos públicos elevados e pouco eficientes tem freado o crescimento do Brasil.

É o que indica um estudo do banco Credit Suisse que analisa o patamar das despesas do governo de diferentes países, a expansão de suas economias e os resultados alcançados por suas políticas.

Cálculos feitos pela Folha com base nos dados levantados pelo banco mostram que, nos países emergentes e em desenvolvimento que cresceram 5% ou mais entre 1999 e 2014, em média, o governo geral teve gastos anuais médios de 25% do PIB (Produto Interno Bruto).

Já nas nações com expansão média menor do que 3,5%, as despesas do governo geral foram o equivalente a uma média de 33,3% do PIB.

É nesse grupo de pior desempenho que o Brasil se encontra. Entre 1999 e 2014, a economia brasileira teve expansão de 3,1% ao ano, com gastos do governo em torno de 38% do PIB.



Baixa eficiência

A baixa eficiência das despesas efetuadas pelo governo brasileiro ajuda a explicar o resultado ruim do país. Ou seja, o Brasil gasta muito, mas gasta mal.

A pesquisa do Credit Suisse mostra que o Brasil é o 28º entre 39 países em eficiência dos gastos públicos.

Em áreas como educação e saúde, a situação é ainda pior a posição brasileira cai para 33ª e 34ª, respectivamente.

Os cálculos do banco usam uma metodologia que contabiliza os resultados auferidos pelos gastos dos governos em seis diferentes áreas.

Para avaliar a eficiência da administração pública, por exemplo, a instituição confrontou o consumo do governo como proporção do PIB com indicadores de corrupção, burocracia, qualidade do Judiciário e informalidade.

Em saúde, foram analisados os gastos totais do setor público na área e os índices de mortalidade infantil e expectativa de vida ao nascer.





A área em que o Brasil se saiu melhor em relação aos outros países foi distribuição de renda (com base no índice de Gini). Uma leitura disso é que o país tem avançado na redução da desigualdade gastando relativamente menos do que outros países. Ou seja, as políticas desenhadas têm sido eficientes.

Nas seis áreas, o banco analisou todos os países para os quais os mesmos dados estavam disponíveis. "Os dados indicam que o setor público do Brasil é, de forma geral, pouco eficiente, considerando todos os gastos que têm sido feitos para conseguir certos resultados", diz o economista Leonardo Fonseca, do Credit Suisse.

Outros dois cálculos de eficiência do setor público feitos pela instituição usando diferentes metodologias confirmaram a posição desfavorável do Brasil em relação a outros países emergentes e desenvolvidos.

Crise fiscal

A discussão sobre a necessidade de aumento da eficiência do gasto público no Brasil tem ganhado força, impulsionada pela severa crise fiscal que enfrenta o governo. "Até 2011, 2012, parecia que o país não tinha restrição orçamentária. O governo só aumentava o gasto, como se os recursos não fossem escassos", afirma Paulo Coutinho, economista do Credit Suisse.

O forte aumento dos gastos do governo gerou um rombo nas contas públicas, que contribuiu para a crise econômica. Com o aprofundamento da recessão, a arrecadação tem caído, piorando ainda mais a situação fiscal.




SEM RUMO, POLÍTICAS FAVORECEM MENOS POBRES

O aumento da frequência em creches públicas no Brasil tem sido maior entre crianças das classes média e alta do que entre as de famílias mais pobres.

Entre os 10% mais ricos, o percentual de crianças atendidas saltou de 1% para 6% do total entre 2001 e 2014.

Na classe média (que engloba famílias entre o 4º e o 7º decil da distribuição de renda), a cobertura, que em 2014 variava de 20% a 21%, em 2001 era de 5% a 7%.

No caso das crianças que estão entre os 10% mais pobres, a fatia das que frequentam creches públicas saltou de 6% para 14% do total.

Os dados levantados pela equipe do economista Ricardo Paes de Barros, titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna, no Insper, e colaborador para a área social de um eventual governo Michel Temer, indicam que, se a tendência continuar, o desequilíbrio que existe na distribuição de vagas crescerá.

A expansão das vagas em creches públicas é um exemplo de gasto social que aumentou no Brasil, mas corre o risco de não atingir seu principal público-alvo.

Políticas pouco eficientes acabam não contribuindo para o desenvolvimento econômico do país. Por isso cresce o coro de economistas que defendem a necessidade da criação de mecanismos para avaliação da eficiência dos gastos governamentais.

Esse debate ganhou atenção por causa da sinalização de Temer de que adotará medidas nessa direção caso assuma o governo.

A principal pergunta a que avaliações devem responder, segundo pesquisadores, é: o objetivo esperado tem sido atingido?

O problema é que, muitas vezes, nem o objetivo de certas políticas é claro. "Hoje no Brasil uma pessoa tem uma ideia de política, ela é implementada, e a avaliação é feita contando só o número de beneficiários. Isso não é avaliação de impacto. A sociedade precisa entender isso", diz Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper.

O economista Paulo Coutinho, do Credit Suisse, ressalta que o Brasil se destaca na produção de dados. "Falta utilizá-los para fazer avaliações muito mais frequentes."

Esse é o caminho, diz, para aumentar a eficiência do gasto público no país.

A partir das avaliações, seria possível decidir que políticas precisam ser focalizadas em grupos sociais mais vulneráveis, assim como áreas em que o setor privado pode atuar de forma mais eficiente do que o governo.


Links no texto:

Crescimento dos gastos médios do governo (em % do PIB) Por grupos de países conforme crescimento econômico (entre 1999 e 2014)*
http://arte.folha.uol.com.br/graficos/2iLY1/?w=620&h=465

Eficácia de gastos públicos no Brasil é baixa Nível de eficiência*
http://arte.folha.uol.com.br/graficos/l10T2/?w=620&h=1170

SAÚDE TEM DESEMPENHO RUIM Posição do Brasil por área, entre as 39 economias
http://arte.folha.uol.com.br/graficos/CQZbD/?w=620&h=350

FONTE:


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Cadê o multiplicador keynesiano?


Cadê o multiplicador keynesiano?

por Marília Fontes*

Aumentar os gastos por si só não gera crescimento, e o mundo atual está recheado de exemplos

Segundo Keynes, Mantega e Nelson Barbosa, uma política fiscal expansionista teria o poder de reviver o crescimento sustentável e direcionar o PIB ao seu potencial. Neste caso, em um cenário de baixo crescimento ou mesmo recessão, a política indicada para atacar o problema seria uma expansão fiscal.
Keynes explica em seu modelo que um aumento de gasto do governo de R$ 1,00 gera um aumento total do PIB maior que R$ 1,00, e isso se dá pelo efeito do multiplicador. O R$ 1,00 irá para alguém, que pegará parte deste dinheiro (um pedaço vira poupança) e gastará em outro lugar, e este outro lugar gastará em outro lugar, e assim por diante. No final teríamos somado um efeito de, digamos, R$ 1,50 no PIB.
Por conta deste simples modelo que se popularizou brutalmente na década de 1930 durante a Grande Depressão, milhares de governos são até hoje atraídos a executarem políticas expansionistas em períodos de crise.
Os Estados Unidos completaram três “quantitative easying” (programas de recompra em larga escala de títulos públicos e privados) recentemente, pós crise de 2008, injetando US$ 4 trilhões na economia. A Europa também promove um QE de 1,1 trilhão de euros, e o Japão também entrou para o clube anunciando 80 trilhões de ienes de estímulo.
Com tamanha injeção de dinheiro, deveríamos estar nadando em prosperidade. A economia mundial deveria estar pujante e o “animal spirit” do empresariado, aguçado.
Mas, infelizmente, a realidade não se mostra tão positiva. O crescimento mundial continua em queda. Dados do FMI que mostravam alta de 6% do PIB global em 2010 agora esperam apenas 3,4% para 2016.
No Brasil, os dados deste mesmo período foram ainda mais impressionantes. O estímulo do governo na economia foi dos maiores já contabilizados. O superávit médio de 2% que vinha sendo sistematicamente promovido desde 1999 passou para um déficit de 1,9% do PIB. Os gastos do governo cresceram de 30% para 41,5% do PIB.
Como todos sabemos, não há euforia nem desenvolvimento por aqui. O PIB de 2015 deve ficar próximo a -3,8% e para 2016 a expectativa gira próxima dos -3,4%.
Os países agora carregam uma dívida recorde em relação ao PIB e, além do baixo crescimento, temos também a crise no orçamento. Em outras palavras, estamos piores do que estávamos antes.
Mas onde a teoria falhou? Cadê o multiplicador?
Em “Lógica” aprendemos que se as premissas do modelo são falsas, então tudo derivado no modelo pode vir a ser falso também. O argumento derivado de uma premissa falsa é, portanto, falacioso.
O modelo de Keynes não explica de onde viria o dinheiro para o aumento dos gastos do governo. A premissa do modelo é que o governo tem orçamento infinito. Não preciso explicar em detalhes o porquê de isto ser um absurdo.
Na vida real, o aumento de gastos do governo é financiado por três opções, e cada uma delas tem o potencial inverso de gerar recessão de acordo com o modelo do próprio Keynes:
1a) Emissão de Moeda. Esta opção funciona como um “confisco” à medida que reduz o poder de compra de toda a sociedade via inflação. Se eu diminuo o meu poder de compra, eu compro menos e gero menos crescimento.
2o) Aumento de Impostos. Diminui meu consumo que, por sua vez, reduz o efeito multiplicador do aumento de gastos.
3o) Dívida. A dívida terá que ser paga um dia, eventualmente, via aumento de impostos ou emissão monetária. A não ser que o aumento dos gastos do governo seja realizado em setores que sejam de fato produtivos e, portanto, o crescimento posterior gerado (e a receita deste) compense os juros pagos no financiamento.
Para que os investimentos governamentais compensem os juros da dívida e gerem de fato crescimento é esperado que o direcionamento deste capital seja para setores produtivos.
Um bom “mau exemplo” seria o setor de máquinas de datilografar. Suponha que este setor está decadente pois a produção destas máquinas simplesmente não possui mais utilidade para a sociedade. Desta forma, para que se tenha a manutenção dos empregos, a empresa precisaria de um subsídio do governo.
O governo, por sua vez, principalmente em se tratando do nosso antigo Ministro Mantega cede à pressão do setor e subsidia a empresa em troca da manutenção dos postos de trabalho.
O resultado é mais emprego, porém, claramente menor crescimento. Não só o setor em si não irá gerar prosperidade, como a dívida proveniente desses gastos resultará em aumentos posteriores de impostos. Estes aumentos reduzirão o crescimento como um todo, e esta queda do PIB aumentará novamente o desemprego. Ou seja, não tem como escapar do desemprego, se ele acontece porque um setor se tornou obsoleto.
Por estas e outras, na grande maioria das vezes não faz sentido e definitivamente não gera crescimento sustentar empresas que possuem dificuldade de se manter.
Quando dizemos que é importante que se deixe ter desemprego somos considerados “o lado negro da força”.
Mas podemos esclarecer: o percentual de desemprego que seria necessário ocorreria de forma revezada. Isso quer dizer que não fica entre as mesmas pessoas. A maioria das pessoas que conheço já ficou desempregada por algum tempo. E os desempregados vão se revezando até que a economia livremente os aloque na forma mais eficiente possível.
Esta é a forma natural da população escolher quais os produtos são mais importantes para ela e aonde ela precisa que os empregos sejam direcionados para que todos tenham o seu papel e sejam remunerados adequadamente.
O empregado da fábrica de maquinas de datilografar teria que ser liberado do setor decadente e, de acordo com seus potenciais, ser realocado para o setor de produção de smartphones, por exemplo. Por um tempo, ele aparecerá na estatística do desemprego. No futuro, ele estará trabalhando produtivamente em um negócio próspero que se sustenta de forma independente e sem onerar o governo ou os contribuintes.
Resumindo, aumentar os gastos por si só não gera crescimento, e o mundo atual está recheado de exemplos disto. A queda do crescimento e o aumento do desemprego são a forma natural que a economia tem de ajustar recursos de setores não produtivos para setores produtivos.
Quanto o Estado decide fazer este papel, frequentemente, cai na armadilha do setor com necessidade que, não por coincidência, não é o mais produtivo e não retorna o investimento feito pelo governo. Acaba que a armadilha sobra depois para todos os contribuintes via aumento de impostos e crescimento ainda mais baixo.

* Marília Fontes é economista e analista da Empiricus Research



terça-feira, 10 de março de 2015

Dilma é vaiada de novo em evento em São Paulo


Dilma é vaiada em feira de construção em São Paulo

por Janaina Garcia

Trabalhadores da feira vaiaram a petista em evento que ocorre no Anhembi, na zona norte da capital paulista

A presidente Dilma Rousseff (PT) foi recebida com uma maciça vaia de trabalhadores da construção civil, nesta terça-feira, durante evento do setor na zona norte de São Paulo. Dilma participa da abertura do Salão Internacional da Construção Civil (Feicon), no Cento de Convenções do Anhembi.
Antes mesmo de a petista aparecer diante da área reservada à imprensa, um grupo com cerca de 200 trabalhadores dos estandes iniciou a vaia. Ninguém, entretanto, havia sequer avistado a presidente. Por volta das 11h, quando a comitiva presidencial – na qual estavam ministros Ricardo Berzoini (Comunicações) e Gilberto Kassab (Cidades) - chegou, as vaias recomeçaram.


Entre os participantes da vaia estavam o marceneiro Paulo Sérgio da Silva, 34 anos, natural da Paraíba e o serralheiro Marcos Sena, 34 anos. “Graças a Deus não votei nela (Dilma) e não recebo Bolsa Família, nem eu nem ninguém da minha família, a gente não é vagabundo. Essa mulher tem que sair”, defendeu Paulo Sérgio. Indagado se tinha conhecimento de quem assumiria a presidência em caso de um eventual impeachment, o marceneiro não titubeou: “o segundo lugar na eleição, né?”. Nisso, Sena o corrigiu.
“Não. É o vice, Michel Temer. Não estou gostando do PT há tempos, nosso setor tem tido perdas atrás de perdas”, completou.
Já a consultora de vendas Patrícia Jablkowicz, 39 anos, resumiu: “sou contra tudo o que está acontecendo; quero derrubem ela”.
Após as vaias, a área reservada aos profissionais de imagem da imprensa foi afastada do local onde estavam os trabalhadores. Na sequência, Dilma seguiu para a abertura da solenidade da feira em outro pavilhão do Anhembi.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dilma, carnaval e cinzas


Dilma, carnaval e cinzas
por Carlos Melo*

Veio o Natal, acabou o primeiro mandato e o governo ia mal. Entrou o Ano Novo, o novo mandato também e o governo continuou mal. Passou o carnaval, vem a quaresma e o governo tende a continuar assim. O governo Dilma vai mal. Uma análise das cinzas.
A política é cruel. Talvez, a mais cruel das atividades humanas; e a mais humana também. Ela lida com o Poder, sem condescendência ou apelação. House of Cardsé um modelo simplificado.  O certo é que onde há poder, haverá proteção; onde ele falhar, restará um miasma de carniça e um bando de lobos a devorar, em banquete, a carcaça do líder decaído. Até o extraordinário Pombal viveu esta sina: alcoviteiro do Rei, Sebastião José estabeleceu sua vontade e razão sobre o reino, o clero e a nobreza. Morto o Rei, o Marquês foi escorraçado pela rainha traída. Não sabia Pombal que seu poder era nada, que emanava, na verdade, de Dom José.
Pois é, muitos não sabem ou esquecem que o poder que não nasce de si próprio não é poder. É outorga e concessão; é ilusão. É vendaval.
Se já não for tarde, Aloizio Mercadante precisa lembrar disto — com urgência: o suposto poder que expressa não emana de si; é reflexo do frágil poder de uma presidente que, em algum momento, buscou no espelho a si mesma: “existe alguém mais poderosa do que eu?” E seu ministro respondeu: “claro que não!” Parecia música para ouvidos que pouco escutam, como é o caso dos dois. Mas, ambos erravam feio, é claro.
O poder de Dilma emanava da economia, da inclusão social, dos automóveis comprados à prestação, das farras dos cartões de crédito, das compras na 25 de março ou em Miami. Finda a festa; findo o encanto. Tudo rui e torna-se precário. Uma sucessão de eventos surge apenas para comprovar o fato: o poder que parecia forte era frágil. Quase nunca há esperança para tigres desdentados. Será o caso? Difícil afirmar. O fato é que o Carnaval, definitivamente, acabou e agora são cinzas.
Nos últimos dias, a imprensa noticiou, mais que escaramuças internas, um jogo voraz: Aloizio Mercadante virou alvo de seus companheiros. A caça a um presumido culpado é sempre sinal de desespero. Para preservar Dilma, sem ordem nem comando, a alcateia se lançou numa tangente contra o ministro. Faz sentido: Mercadante é anel; Dilma, os dedos. A impressão que se deu foi de que uma baixela era reservada para ser adornada com a  cabeça do chefe da Casa Civil. Inadvertidamente ou não, em silêncio a presidente deixou chiar o azeite em que se fará a pururuca de seu ministro.
Dilma sabe que está sob ataque: luta em mais de uma dezena de frentes de conflito simultâneos. Um trabalho para Hércules quando não há mais Hércules. Falta-lhe flexibilidade, habilidade, estratégia, time e confiança. Nessa velocidade e trajetória, sua equipe tende ao esfacelamento: críticas internas, mexericos, tiros amigos, revelações de diálogos que somente os envolvidos diretos deveriam saber. Tudo revela a crise de comando; o vazio de poder.
A presidente está emparedada por circunstâncias que construiu, contando, é claro, com o dócil incentivo adulador de seu ministro. Ainda assim, esse negócio de “sequestro do governo”, mais que exagero, é diversionismo: no limite, responsável é quem está ou deveria estar no comando; não o comandado. Dilma não é Dom José e Mercadante está longe de ser Pombal.
As margens de manobra da presidente se estreitaram e estão se estreitando. Como tem sido apontado, o centro de poder político se deslocou do Executivo para o Congresso Nacional. O governo perdeu a iniciativa e tem perdido a batalha de comunicação ao mesmo passo em que Eduardo Cunha se impõe e já começa a ser avaliado como mal necessário. Em terra de cegos, caolho é mesmo estadista.
Aparvalhada com derrotas no Congresso, problemas na Petrobrás e na economia, uma Dilma relutante procurou a ajuda de seu criador, Lula. Mas, o ex-presidente não é Deus. A interlocução que possui com o sistema político tem limites: não basta recorrer a Sérgio Cabral, Eduardo Paes ou ao governador Pezão; Cunha adquiriu luz própria e não entregaria a terceiros o capital político que hoje é seu. Por que o faria? É um jogador que namora o perigo. O que vier — se vier –, quando vier, se verá. Não adianta especular.
Também no âmbito do governo, Lula é incapaz de fazer aquilo que Dilma, com legitimidade formal, não consegue ou não quer empreender. Junto com sua sucessora, as alternativas do ex-presidente se estreitam: não há mais diálogo com setores médios urbanos e com os meios de comunicação. Mesmo o movimento sindical e o funcionalismo tendem a vulcanizarem-se com os efeitos do inescapável ajuste. No mais, sua capacidade de comunicação com a massa de deserdados também só será efetiva na proporção em que o ajuste na economia não atinja os mais pobres por meio do desemprego. Difícil que não ocorra; complicada equação! Procrastinar o ajuste, tampouco, parece solução.
O fundo do poço que ainda nem se avista pode muito bem ser falso. Há espaço e gravidade para continuar caindo. O que virá das delações premiadas ninguém será capaz de afirmar. Quem será atingido, quem sairá ileso? Como se fosse pouco, o processo ficará confinado à Petrobrás?
A quaresma tende a ser longa e de muita provação; Exús estarão soltos. Para a política será um período de reza, contrição, penitência e mortificações. Sabe-se lá quão distante no tempo está o final. No sábado de aleluia, quantos Judas estarão nos postes? Neste Carnaval, malhou-se um “Boneco de Olinda”, dada sua visibilidade. E ele atendeu pelo nome de Mercadante. Difícil que fique por ai. Mesmo sem água, as águas vão rolar!

*Carlos Melo, cientista político. Professor do Insper.



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Marta finge que não tem nada a ver com o PT



Com vistas à prefeitura de São Paulo, a senadora petista tenta se fazer passar por oposição.
Lavando a roupa suja que todo o Brasil já conhece, Marta Suplicy expõe a incompetência e corrupção presentes no PT, como se ela não tivesse nada a ver com isso.

Segue mais um episódio em que ela ataca Dilma e seu próprio partido, em artigo publicado na Folha de S.Paulo, 27/01/15, p. A3


O diretor sumiu

Marta Suplicy*
  
Se houvesse transparência na condução da economia no governo Dilma, ela não teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação
Tenho pensado muito sobre a delicadeza e a importância da transparência nos dias de hoje. Temos vivido crises de todos os tipos: crise econômica, política, moral, ética, hídrica, energética e institucional. Todas elas foram gestadas pela ausência de transparência, de confiança e de credibilidade.
Se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro. Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir.
Assim que a presidenta foi eleita, seu discurso de posse acompanhou o otimismo e reiterou os compromissos da campanha eleitoral: "Nem que a vaca tussa!".
Havia uma grande expectativa a respeito do perfil da equipe econômica que a presidenta Dilma Rousseff escolheria. Sem nenhuma explicação, nomeia-se um ministro da Fazenda que agradaria ao mercado e à oposição. O simpatizante do PT não entende o porquê. Se tudo ia bem, era necessário alguém para implementar ajustes e medidas tão duras e negadas na campanha? Nenhuma explicação.
Imagina-se que a presidenta apoie o ministro da Fazenda e os demais integrantes da equipe econômica. É óbvio que ela sabe o tamanho das maldades que estão sendo implementadas para consertar a situação que, na realidade, não é nada rósea como foi apresentada na eleição. Mas não se tem certeza. Ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe. Depois silencia. A situação persiste sem clareza sobre o que pensa a presidenta.
Iniciam-se medidas de um processo doloroso de recuperação de um Brasil em crise. Até onde ela se propõe a ir? Até onde vai o apoio à equipe econômica?
Para desestabilizar mais um pouco a situação, a Fundação Perseu Abramo, do PT, critica as medidas anunciadas, o partido não apoia as decisões do governo e alguns deputados petistas vociferam contra elas. Parte da oposição, por receio de se identificar com a dureza das medidas, perde o rumo criticando o que antes preconizou.
O PT vive situação complexa, pois embarcou no circo de malabarismos econômicos, prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras, omitiu-se na apresentação de um projeto de nação para o país, mas agora está atarantado sob sérias denúncias de corrupção.
Nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança.
É o que o mercado tem vivido e, por isso, não investe. O empresariado percebe a situação e começa a desempregar. O povo, que não é bobo, desconfia e gasta menos para ver se entende para onde vai o Brasil e seu futuro.
Acrescentem-se a esse quadro a falta de energia e de água, o trânsito congestionado, os ônibus e metrôs entupidos, as ameaças de desemprego na família, a queda do poder aquisitivo, a violência crescente, o acesso à saúde longe de vista e as obrigações financeiras de começo de ano e o palco está pronto.
A peça se desenrola com enredo atrapalhado e incompreensível. O diretor sumiu.

*Marta Suplicy é senadora pelo PT-SP. Foi prefeita de São Paulo (2001-2004), ministra do Turismo (2007-2008) e ministra da Cultura (2012-2014)

Fonte: Jornal Folha de S.Paulo


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

MST: Movimento dos Sem-Teta


MST: Movimento dos Sem-Teta

Reinaldo Azevedo

Os adoradores do 'petismo responsável' fazem mais mal ao Brasil do que a esquerda xexelenta

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), emitiu uma nota em que apontou o estelionato eleitoral de Dilma Rousseff. Anunciou que seu partido vai resistir ao pacotaço da governanta -que de Joaquim Levy não é, a menos que a reeleita tenha terceirizado o governo. Aqui e ali, ouvem-se muxoxos contra essa postura da oposição. Partem de setores do colunismo que, como é mesmo?, apreciavam o "PT responsável": aquele de Antonio Palocci, não o dito "nacional-desenvolvimentista", de Guido Mantega. Mantega um nacional-desenvolvimentista? Pelo Profeta Que Não Pode ser Desenhado! A suruba conceitual no Brasil só é inferior à partidária.
Os adoradores do "petismo responsável" fazem mais mal ao Brasil do que a esquerda xexelenta. Esta já perdeu o bonde faz tempo e só quer uma boquinha. O mito da "competência" do PT na gestão da economia foi criado por aqueles outros, que transformaram o meio num fim em si mesmo. Se o sujeito corta gastos, eleva juros e diminui subsídios, a forma vira conteúdo, e tudo parece estar no seu lugar, ainda que a elevação de 1,25 da Selic custe, no ano, o quanto se vai ganhar com o pacote fiscal. Tara ideológica não reconhece a matemática como um saber.
Foi essa adesão burra ao "PT responsável" que silenciou o debate nos primeiros quatro anos do governo Lula, quando começou a se formar a fuça do Alien no ventre da impostura. "Que importa a cor do gato, desde que cace ratos?", perguntavam. A adesão à miúda ortodoxia da necessidade, convertida em novo umbral do saber econômico, impediu que se fizesse a descrição de um modelo.
Um modelo que iria quebrar as pernas da indústria, devolver o país à condição de economia primário-exportadora (e a China nos trai com crescimento de só 7,5%), transformar em consumo burro as janelas de oportunidades que o mundo nos abriu e eleger alguns ganhadores -e financiadores do petismo- com o leite de pata do BNDES.
Criou-se a versão falsa de que Mantega é que atrapalhou tudo. Ora... Ele não tinha pensamento econômico nenhum, como não tem Levy. Nem um nem outro foram eleitos pra coisa nenhuma. Cada um, a seu tempo, atende ao conjunto das forças que se mobilizaram para dividir o butim -inclusive e muito especialmente os potentados da iniciativa privada que, na maioria das vezes, gostam mesmo é das tetas do Estado. O resto dos brasileiros tem de fundar o MST: o Movimento dos Sem-Teta.
Eu espero, sim, que Aécio e o PSDB cumpram suas respectivas obrigações. Oposicionistas também são eleitos pelo povo: para se opor! Pode-se debater, num determinado domínio, se esta ou aquelasmedidas adotadas por Dilma -não por Levy- são necessárias. Mas os que foram premiados pelas urnas com o direito de dar combate ao PT não podem declinar do seu dever. A aprovação de uma medida pontual não pode impedir a crítica ao "modelo". A adesão estúpida sabota a democracia. Não venham me dizer que elevar a Selic em meio ponto no dia em que o ministro da Fazenda diz o óbvio -vem recessão por aí- é exemplo de ortodoxia decorosa.
Para encerrar: a Fundação Perseu Abramo, do PT, desceu o porrete no pacotaço de Dilma. Que os tucanos não se sintam tentados, de novo, a se comportar como governo, a exemplo dos primeiros tempos da gestão Lula, deixando o bônus de fazer oposição para os próprios petistas.

Fonte: Folha de S.Paulo – 23/01/15 – p.A7


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Isso é Cuba: protesto só se for autorizado


Cuba prende mais 18 opositores após protesto em Havana

Jornal OESP
02 Janeiro 2015 | 11h 01

Dissidentes se manifestavam contra detenção de opositores no final de 2014, após retomada de relações com os EUA

HAVANA ­ Pelo menos 18 opositores e ativistas cubanos foram detidos na quinta­feira, 1, em Havana, a maior parte deles em uma manifestação em frente a um centro policial para exigir a libertação de outros presos nos últimos dias, informou hoje a oposição ao regime dos irmãos Castro.
Entre os detidos estão Antonio Gonzáles Rodiles, organizador de um projeto de debates chamado "Estado de SATS", e sua esposa, Ailer González, confirmou a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), liderada por Elizardo Sanchéz.
Sanchéz afirmou à Agência Efe que os presos hoje tinham ido ao centro de detenção conhecido como Vivac para pedir a libertação de 12 ativistas mantidos pela polícia no local desde terça­feira.
A artista Tania Bruguera também pode estar entre os presos. As detenções começaram na última terça­feira, quando ela tentou organizar uma ação artística de debate sobre Cuba, irritando o governo da ilha.
A CCDHRN, no entanto, não diz não ter a confirmação de que Tania está entre os 18 detidos. Já o "14ymedio", portal independente dirigido pela blogueira Yoani Sanchéz, afirma que ela foi presa novamente. De acordo com Sanchéz, entre 60 e 70 dissidentes foram presos nos últimos dias na capital cubana.
Tania foi liberada na quarta­feira após ter sido acusada de "resistência e incitação à desordem pública" por causa da "performance" que ela convocou na emblemática Praça da Revolução de Havana.
O ato, que foi qualificado pelas autoridades culturais da ilha como "oportunista" e "provocação política", não ocorreu porque Tania foi presa antes mesmo da realização da ação artística.
As prisões ocorrem semanas depois do anúncio da retomada das relações diplomáticas entre EUA e Cuba e no aniversário de 66 anos da Revolução Cubana.



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Porto de Mariel: tiro nada certeiro



Ao contrário do que os militantes e cúmplices petistas tentam fazer crer (pela repetição de algo falso para ser aceito como verdade), o porto cubano de Mariel não trará benefícios diretos ao Brasil. Não foi um "tiro certeiro" como uma blogueira do jornal Folha de S.Paulo cogitou em 17/12/14 diante do reatamento diplomático dos EUA com Cuba. E por que isso?

Em primeiro lugar,  porque o governo brasileiro somente financiou a obra. A empresa que administrará o porto é a PSA Internacional de Cingapura. Na condição de  credor, o Brasil em nada participará de um potencial aumento da movimentação portuária. Por sinal, é um credor cuja própria população desconhece as condições e garantias que foram contradas na operação financeira, uma vez que são contratos secretos. Transparência zero e risco de não receber altíssimo. Isso chega a ser um desrespeito ao contribuinte brasileiro.

O moderno porto cubano não servirá para nada aos exportadores brasileiros, pois esses continuarão a usufruir os caros e antiquados portos nacionais. A não ser que o governo petista projete uma linha submarina para transportar a produção até Cuba.  Quem sabe trens-bala com uma parada bolivariana na Venezuela poderiam se encarregar desse escoamento até Mariel?

No comércio bilateral, o que Cuba poderia oferecer de maneira vantajosa ao Brasil? Açúcar, minério de ferro, café e tabaco? Temos carência desses produtos por aqui? Exportaríamos com preços de mercado ou o governo petista usaria de artifícios para continuar a transferir recursos brasileiros oferecendo condições vantajosas aos cubanos? 

Pois é... A submissão ideológica dos atuais governantes ao socialismo cubano faz com que o quadro seja pintado com cores vermelhas. E quem paga a conta é o cidadão.