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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Cuba tenta atrair investimentos capitalistas




Cuba tenta atrair investimentos capitalistas para ressucitar o "projeto socialista".
Resta saber quem confiará nesse discurso de natureza contraditória, pois sem liberdade econômica e respeito aos contratos não há prosperidade sustentável...

Confira, a seguir, a reportagem sobre o evento


Estreante em cúpula, Cuba faz ofensiva a empresários

João Fellet - BBC Brasil

Estreante na Cúpula das Américas, Cuba está aproveitando a sétima edição do evento, que ocorre a partir desta sexta-feira (10) na Cidade do Panamá, para tentar atrair investimentos de grandes empresas e promover as oportunidades econômicas que se abrem com sua reaproximação com os Estados Unidos.
Chefiada pelo ministro cubano do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca, a ofensiva tem como palco a cúpula de empresários que antecede o encontro entre chefes de Estado, no sábado.
Em discurso a presidentes de empresas no hotel Riu Plaza Panamá na última quinta-feira, Malmiera disse que Cuba vive uma "nova fase" no cenário econômico mundial.
"Nesta nova etapa, ampliamos nossa visão sobre o papel do investimento estrangeiro, reconhecendo-o como um elemento ativo e fundamental para o crescimento de determinados setores e atividades econômicas", afirmou o ministro.
Segundo ele, Cuba precisa de US$ 2,5 bilhões (R$ 7,7 bilhões) de investimentos estrangeiros para estimular um crescimento "que resulte em desenvolvimento, prosperidade e sustentabilidade para o nosso projeto socialista".
Para atrair esses recursos, ele diz que o Parlamento cubano aprovou recentemente um novo marco regulatório "que oferece garantias e incentivos aos investidores estrangeiros, estabelece regras claras e maior transparência".
O ministro afirmou ainda que delegações de empresários norte-americanos que visitaram Cuba recentemente constataram as possibilidades criadas pela reaproximação com os Estados Unidos.

Turismo

Malmiera falou à frente de uma projeção da praça da Catedral, uma das principais atrações turísticas de Havana. Ele apresentou o turismo como um dos setores mais promissores da economia do país e defendeu que os Estados Unidos ponham fim a "proibições absurdas", como a limitação a viagens de norte-americanos a Cuba.
O governo cubano estima que, com o fim das restrições, mais de 1 milhão de norte-americanos passem a visitar a ilha caribenha anualmente.
Durante a fala do ministro, o salão tinha a maioria de suas centenas de cadeiras ocupadas.
Terminado o discurso, ele recebeu aplausos discretos e, diferentemente de outras autoridades que haviam discursado antes, deixou o palco sem responder a perguntas.
A presença do ministro frustrou alguns empresários presentes. Até a véspera do evento, especulava-se que o presidente Raúl Castro pudesse falar em seu lugar.
Mesmo assim, a mensagem ressoou bem entre o público. Para José Antonio Llorente, sócio-fundador da Llorente & Cuenca,- consultoria de comunicação presente em 11 países e que tem entre seus clientes Repsol e Toyota, o discurso foi "muito construtivo".
"Não foi uma fala beligerante, como estávamos acostumados. Ele não veio aqui vender a revolução", diz Llorente.
Segundo ele, alguns de seus clientes estão muito interessados em fazer negócios em Cuba.
"Poucos mercados no mundo são tão fechados como Cuba, e quando uma companhia já está presente no mundo todo, essa é uma das melhores possibilidades para crescer".
Resta saber, diz ele, se "os fatos darão continuidade às palavras", ou seja, se Cuba de fato facilitará a vida dos investidores.
Carlos Cerdas, presidente da construtora costa-riquenha Meco, disse ter interesse em investir em Cuba (sua empresa já atua na Colômbia e em boa parte da América Central), mas afirma que analisará as novas condições oferecidas.
Ele se diz cauteloso com as regras fiscais, laborais e para introdução de máquinas em Cuba.
Presidente do Ceal (Business Council of Latin America, ou Conselho de Negócios da América Latina, em português), Ingo Plöger diz que há dois setores que oferecem oportunidades mais imediatas a investidores estrangeiros: turismo e a indústria de alimentos (Cuba importa boa parte de sua comida).
Outra aposta cubana que pode se mostrar vantajosa a empresários, segundo ele, é o complexo industrial do porto de Mariel. A reforma do porto, financiada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foi executada pela empreiteira brasileira Odebrecht.
O Brasil, no entanto, tem tido participação discreta na cúpula dos empresários. Poucas companhias nacionais estavam presentes durante a fala do ministro, e apenas duas foram convidadas a integrar mesas de debates ao longo do evento: a Odebrecht e a empresa de tecnologia Stefanini.

Oportunidades de negócios

Na manhã de quinta-feira, a delegação cubana espalhou pelos corredores do hotel uma série de folhetos e catálogos listando oportunidades de negócio em Cuba.
Em reunião privada após o discurso, Malmierca entregou os catálogos a empresários norte-americanos e a representantes da Câmara de Comércio dos Estados Unidos.
Participantes do encontro disseram que ele serviu para que cubanos e norte-americanos trocassem informações sobre o estado das relações entre os países, impulsionadas pelo anúncio da retomada dos laços diplomáticos entre Havana e Washington em dezembro.
Apesar da reaproximação, o principal obstáculo entre os dois países continua em vigor, o embargo econômico norte-americano à ilha.
O presidente dos EUA, Barack Obama, já defendeu o fim do bloqueio, mas a medida depende do Congresso, hoje dominado pela oposição.
Em seu discurso aos empresários, Malmierca cobrou os legisladores norte-americanos a derrubar o bloqueio e exortou Obama a usar sua autoridade presidencial para "modificar outros aspectos do embargo que não requerem aprovação do Congresso".
Os temas deverão voltar a ser tratados entre cubanos e norte-americanos até o fim da cúpula. Na noite de quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, se encontrou com o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodriguez, na reunião de mais alto nível entre representantes dos dois países em mais de meio século.
Para este sábado, está previsto um encontro entre os líderes de Cuba e EUA --Raúl Castro e Barack Obama-- durante um intervalo das negociações entre os presidentes dos países que participam da cúpula.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Isso é Cuba: protesto só se for autorizado


Cuba prende mais 18 opositores após protesto em Havana

Jornal OESP
02 Janeiro 2015 | 11h 01

Dissidentes se manifestavam contra detenção de opositores no final de 2014, após retomada de relações com os EUA

HAVANA ­ Pelo menos 18 opositores e ativistas cubanos foram detidos na quinta­feira, 1, em Havana, a maior parte deles em uma manifestação em frente a um centro policial para exigir a libertação de outros presos nos últimos dias, informou hoje a oposição ao regime dos irmãos Castro.
Entre os detidos estão Antonio Gonzáles Rodiles, organizador de um projeto de debates chamado "Estado de SATS", e sua esposa, Ailer González, confirmou a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), liderada por Elizardo Sanchéz.
Sanchéz afirmou à Agência Efe que os presos hoje tinham ido ao centro de detenção conhecido como Vivac para pedir a libertação de 12 ativistas mantidos pela polícia no local desde terça­feira.
A artista Tania Bruguera também pode estar entre os presos. As detenções começaram na última terça­feira, quando ela tentou organizar uma ação artística de debate sobre Cuba, irritando o governo da ilha.
A CCDHRN, no entanto, não diz não ter a confirmação de que Tania está entre os 18 detidos. Já o "14ymedio", portal independente dirigido pela blogueira Yoani Sanchéz, afirma que ela foi presa novamente. De acordo com Sanchéz, entre 60 e 70 dissidentes foram presos nos últimos dias na capital cubana.
Tania foi liberada na quarta­feira após ter sido acusada de "resistência e incitação à desordem pública" por causa da "performance" que ela convocou na emblemática Praça da Revolução de Havana.
O ato, que foi qualificado pelas autoridades culturais da ilha como "oportunista" e "provocação política", não ocorreu porque Tania foi presa antes mesmo da realização da ação artística.
As prisões ocorrem semanas depois do anúncio da retomada das relações diplomáticas entre EUA e Cuba e no aniversário de 66 anos da Revolução Cubana.



sábado, 27 de dezembro de 2014

Porto de Mariel é cubano


Porto de Mariel é cubano*

Marco Milani

Diante das notícias sinalizando a aproximação diplomática dos EUA com Cuba, algumas vozes brasileiras são ouvidas enaltecendo a iniciativa de se financiar a construção do Porto de Mariel. Para elas, o Brasil será beneficiado por ter transferido recursos para o porto cubano. Será mesmo?

Primeiramente, deve-se destacar que o Brasil não terá qualquer participação na administração portuária, a qual ficará a cargo da empresa PSA de Cingapura.

Com relação aos potenciais negócios com a ilha, não se pode esperar relações comerciais mais vantajosas ao Brasil do que se teria com qualquer outro parceiro da América Latina. Ao contrário, considerando a afinidade ideológica de nossos atuais governantes com o socialismo cubano, é de se esperar que o beneficiado seja a própria Cuba diante de concessões a serem feitas pelo Brasil.

Geograficamente, nenhum exportador brasileiro escoará produtos por Mariel. Ele terá que usar um dos sucateados portos existentes em território nacional e não reduzirá em nada o seu custo logístico.

Juridicamente, a falta de transparência dos contratos secretos firmados entre Brasil e Cuba têm sido objeto de grande desconfiança. A população brasileira não conhece as cláusulas contratuais envolvendo Mariel e tal fato permite inúmeras especulações, inclusive sobre o risco de não se receber os valores transferidos.

Assim, com exceção daqueles que estão ávidos por achar alguma notícia que possa justificar o financiamento bilionário do BNDES à Cuba, não devemos nos deixar levar por empolgados e superficiais discursos de que o Brasil acertou ao transferir escassos recursos públicos à ilha caribenha, pois os nossos portos estão carentes por investimentos e permanecem encarecendo e reduzindo a competitividade de nossos próprios produtos.


* Texto publicado no jornal Correio Popular (Campinas/SP), edição impressa, 22/12/14, p. A2.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Porto de Mariel: tiro nada certeiro



Ao contrário do que os militantes e cúmplices petistas tentam fazer crer (pela repetição de algo falso para ser aceito como verdade), o porto cubano de Mariel não trará benefícios diretos ao Brasil. Não foi um "tiro certeiro" como uma blogueira do jornal Folha de S.Paulo cogitou em 17/12/14 diante do reatamento diplomático dos EUA com Cuba. E por que isso?

Em primeiro lugar,  porque o governo brasileiro somente financiou a obra. A empresa que administrará o porto é a PSA Internacional de Cingapura. Na condição de  credor, o Brasil em nada participará de um potencial aumento da movimentação portuária. Por sinal, é um credor cuja própria população desconhece as condições e garantias que foram contradas na operação financeira, uma vez que são contratos secretos. Transparência zero e risco de não receber altíssimo. Isso chega a ser um desrespeito ao contribuinte brasileiro.

O moderno porto cubano não servirá para nada aos exportadores brasileiros, pois esses continuarão a usufruir os caros e antiquados portos nacionais. A não ser que o governo petista projete uma linha submarina para transportar a produção até Cuba.  Quem sabe trens-bala com uma parada bolivariana na Venezuela poderiam se encarregar desse escoamento até Mariel?

No comércio bilateral, o que Cuba poderia oferecer de maneira vantajosa ao Brasil? Açúcar, minério de ferro, café e tabaco? Temos carência desses produtos por aqui? Exportaríamos com preços de mercado ou o governo petista usaria de artifícios para continuar a transferir recursos brasileiros oferecendo condições vantajosas aos cubanos? 

Pois é... A submissão ideológica dos atuais governantes ao socialismo cubano faz com que o quadro seja pintado com cores vermelhas. E quem paga a conta é o cidadão. 



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Alerta de um cubano sobre os estímulos morais socialistas


Alerta de um cubano: tomem cuidado com os estímulos morais do socialismo

Nelson Rodríguez Chartrand

O socialismo — ou seja lá como você queira chamar o modelo social sob o qual o povo cubano vive há mais de meio século — não é digno de ser imitado por qualquer outro povo.  Basta olhar para a realidade cubana atual e observar nossa penúria para perceber isso.
O mínimo que podemos fazer quando sofremos uma experiência trágica de vida, seja ela qual for, é alertar os demais — caso contrário, seríamos culpados pelo sofrimento alheio e, assim, assassinos tácitos e criminosos de nossa própria espécie.
É por esta razão, e como uma necessidade impiedosa de minha própria consciência, que me disponho a alertá-los — tomando como referência a experiência cubana — sobre os sutis métodos psicológicos que podem ser utilizados por aqueles que pretendem fazer do socialismo o modelo de esperança e de bem-estar das comunidades.  É importante que não caiam no erro fatal de serem cativados por um modelo social muito astuto, que emana da natureza bárbara do homem.
Eis o recado: tomem cuidado com os estímulos morais do socialismo.
Desde os primeiros anos de poder, o governo revolucionário cubano tinha como prioridade a criação de um novo homem, o qual seria qualitativamente superior.  Neste sentido, iniciou-se em Cuba a ideia de inculcar na população a convicção de que os estímulos morais deveriam estar irreparavelmente acima dos estímulos materiais.
Sendo assim, coisas meramente simbólicas, como um diploma, uma medalha, uma carta de agradecimento para os vizinhos, o reconhecimento público ao coletivo de trabalho, ou apenas um aperto de mão de um chefe, constituíam uma honra insuperável.  Por outro lado, dar uma gratificação a um garçom que nos oferecesse um excelente serviço em um restaurante passou a ser imoral, e quem se dispusesse a fazê-lo estaria incorrendo em uma grave ofensa.
Ato contínuo, tornou-se relativamente comum ver pessoas nas ruas ostentando  medalhas e prêmios pendurados em suas camisas.  Ao mesmo tempo, essas mesmas pessoas sofriam junto com suas famílias a carência de produtos básicos para a subsistência.
O ápice dos incentivos morais passou a ser representado por uma única atitude: "trabalhos voluntários não-remunerados", os quais eram realizados geralmente nos dias de descanso do povo.  Só que esses trabalhos nada tinham de voluntários, pois uma eventual não-participação excluía o indivíduo da classificação de "homem novo" e automaticamente o excomungava, relegando-o aos confins do inferno do socialismo.
Atualmente, os "trabalhos voluntários" evoluíram e estamos vivenciando em um estágio superior dessa forma moral de exploração: as horas de trabalho não-remunerado realizadas por cada trabalhador são contabilizadas para que, ao final do ano, os mais aguerridos tenham a possibilidade de optar por um televisor, um ferro elétrico ou uma bicicleta, para citar apenas três exemplos.
Só que, como em um regime socialista tudo é escasso, as consequências geradas por esse arranjo são dolorosas.
Eis o que acontece: para um povo mergulhado na pobreza, qualquer item destes é um sonho, e talvez seja essa a única oportunidade de obtê-los.  Só que há apenas 5 destes itens para serem distribuídos para 500 funcionários de uma mesma estatal. Sendo assim, o leitor pode imaginar quantas discussões, quantas brigas e quanto rancor são gerados quando se determina qual trabalhador foi o escolhido para ser agraciado com esses utensílios.  As amizades destruídas pelo ódio e por essa divisão semeada pelo governo entre os cubanos são irreparáveis.
Apesar disso, o ingênuo, nobre e fiel povo de Cuba ainda não percebeu que esses mesmos apologistas dos "incentivos morais" estão recheando seus cofres pessoais — e não apenas com medalhas e condecorações.  Em Cuba, cada vez mais pessoas têm menos e cada vez menos pessoas têm tudo.
E paradoxalmente, como recompensa de tantos anos de trabalho e sacrifício, os trabalhadores contam apenas com essas medalhas que empunham com orgulho, e também com uma miséria humilhante, resultado dos estímulos morais do socialismo.  Já os poderosos que controlam o regime ficam com tudo, inclusive com os aplausos da intelectualidade ao redor do mundo.
Mas, graças a Deus, meu amado povo de Cuba parece estar abrindo os olhos.  Prova disso são as crescentes deserções de atletas e médicos cubanos ao redor do mundo, que não acreditam mais nesses estímulos e decidem fugir desta sociedade de escravos.
Por isso, caro leitor, não se engane: a primazia dos estímulos morais em contraposição aos estímulos materiais não tem outra finalidade senão a de criar um novo homem, conscientemente identificado com a miséria, e pacientemente à espera das migalhas que lhe oferecem seus deuses protetores e eternos, aos quais devem estar eternamente agradecidos.  É disso que se trata o socialismo.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Médica cubana pede asilo no Brasil


G1

4/02/2014 22h14 - Atualizado em 04/02/2014 22h30

http://glo.bo/1kP1p60

Médica cubana deixa Mais Médicos e diz que pedirá asilo no Brasil

Nathalia Passarinho
Do G1, em Brasília


A médica cubana Ramona Matos Rodriguez, em entrevista à imprensa na liderança do DEM (Foto: Nathalia Passarinho/G1)

Ramona Matos Rodriguez se abrigou no gabinete do DEM na Câmara.

Ela afirmou que ganha US$ 400 por mês para atuar em Pacajá (PA).

A médica cubana Ramona Matos Rodriguez buscou abrigo nesta terça-feira (4) no gabinete da liderança do DEM na Câmara dos Deputados depois de abandonar o programa Mais Médicos, do governo federal. Ramona afirmou que pedirá asilo ao governo brasileiro.
Ela contou que "fugiu" no último sábado (1) de Pacajá, no Pará, onde atuava em um posto de saúde, depois de descobrir que outros médicos estrangeiros contratados para trabalhar no Brasil ganhavam R$ 10 mil por mês, enquanto os cubanos recebem, segundo ela, recebem US$ 400 (cerca de R$ 965).
Segundo ela, outros US$ 600 são depositados em uma conta em Cuba e liberados aos profissionais depois do término do contrato no Brasil. Ramona disse que chegou a Brasília no próprio sábado, mas não quis informar o local.
Ela contou que pediu ajuda ao deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) para que pudesse ter a segurança assegurada, mas não explicou como conhece o parlamentar, um dos mais duros críticos do programa federal.

Eu penso que fui enganada por Cuba [...] Eu até achei o salário bom, mas não sabia que o custo de vida aqui no Brasil seria tão alto"
Ramona Matos Rodriguez

"Eu penso que fui enganada por Cuba. Não disseram que era o Brasil estaria pagando R$ 10 mil reais pelo serviço dos médicos estrangeiros. Me informaram que seriam 400 dólares aqui e 600 pagos lá depois que terminasse o contrato. Eu até achei o salário bom, mas não sabia que o custo de vida aqui no Brasil seria tão alto", afirmou a cubana.
De acordo com Ramona, o governo cubano também havia informado que os médicos poderiam trazer familiares para o Brasil, o que, segundo ela, não ocorreu. “Tem gente tentando trazer os parentes e não conseguem.”
A médica relatou ainda que tinha permissão do governo cubano para visitar outras cidades do Brasil, mas destacou que precisava avisar do deslocamento a um “supervisor cubano”, que ficava em Belém.
Ramona afirmou que chegou ao Brasil em dezembro e mostrou a jornalistas um contrato firmado com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos, empresa que teria intermediado a vinda da médica ao país.
No lançamento do programa no ano passado, o governo divulgou que o acordo com Cuba foi intermediado pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), que receberia R$ 510 milhões por um semestre de serviços, repassando parte do dinheiro a Havana.

Abrigo na Câmara

A cubana foi apresentada no plenário da Câmara por Caiado, que relatou a fuga e disse que ela ficaria no gabinete da liderança do partido até obter o asilo. Segundo o deputado, o advogado do partido ingressará nesta quarta (5) com pedido no Ministério da Justiça para que Ramona possa permanecer em definitivo no Brasil.
"O DEM se coloca à disposição com estrutura física e jurídica. Pedimos ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, segurança e vamos adaptar o gabinete para que ela possa ficar aqui, colocar colchão, providenciar local para banho", disse.
O deputado ainda garantiu que o gabinete estará aberto para todos os médicos cubanos que quiserem se "refugiar"
A cubana afirmou que não deixará a Câmara porque teme ser presa. Ela afirmou ainda estar preocupada com a filha, que mora em Cuba. "Tenho uma filha que é médica e mora lá. Esse é o grande problema", disse.

Ramona tem 51 anos e atua como médica há 27 anos. Ela afirmou que sua especialidade é clínica médica. O deputado Ronaldo Caiado disse que se a médica não obtiver asilo do governo brasileiro, será presa em Cuba por "desertar" o país.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Dilma em Cuba


O Estado de S.Paulo – 29/01/14 – Notas e Informações – p. A3


Sem entrar no mérito das negociações diplomáticas e comerciais do governo brasileiro com o de Cuba, que resultam no momento em decisiva contribuição dos cofres públicos nacionais para a implantação da Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel na ilha dos irmãos Castro, este mais recente afago à ditadura cubana reitera o carinho de Dilma Rousseff pelo dogmatismo ideológico que o lulopetismo compartilha com os Castros e só não logrou ainda consagrar plenamente entre nós por duas razões. Primeiro, porque, pragmaticamente, sua prioridade passou a ser manter-se no poder a qualquer custo; depois, pela razão histórica de que a superação de dois regimes discricionários no século passado, o getulista e o militar, teve o dom de fortalecer nossas instituições democráticas e dificultar a escalada de aventuras autoritárias, especialmente a partir da promulgação da Carta Magna de 1988 - a cujo texto, aliás, o PT fez ferrenha oposição.
A conquista do poder e seu exercício por onze anos converteram o lulopetismo, nunca é demais repetir, em um pragmatismo que hoje o identifica com as piores práticas políticas que são, desde sempre, a principal característica do patrimonialismo. Mas, principalmente para efeito externo - mas também para satisfazer a militância que ainda imagina pertencer ao velho PT -, o discurso "libertário" do "socialismo do século 21" mantém-se inalterado e foi para exercitá-lo que Dilma Rousseff decidiu encerrar na ilha dos Castros seu último périplo internacional. Pois precisava de algum modo exorcizar eventuais fluidos negativos remanescentes de sua passagem por Davos, o covil do capitalismo, onde foi praticamente implorar por investimentos estrangeiros no Brasil.
Ao lado de Raúl Castro e no indispensável beija-mão de Fidel, Dilma esteve perfeitamente à vontade. Não se poupou de reafirmar que tem "muito orgulho" da boa relação que mantém com a dupla que há mais de meio século domina a ilha com mão de ferro e nenhum apreço pelas liberdades democráticas. Derreteu-se em agradecimentos ao favor que Cuba presta ao Brasil ao fornecer, para o programa Mais Médicos, a um custo altíssimo só parcialmente repassado aos profissionais, os doutores que aqui desembarcam para suprir a deficiência de atendimento básico nos grotões que a incompetente política nacional de saúde não tem conseguido alcançar. Para conferir maior brilho a esse tópico de sua agenda em Havana, Dilma levou a tiracolo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que brevemente será o candidato do PT ao governo de São Paulo.
Mas foi no Porto de Mariel, no qual o nosso Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já havia investido mais de US$ 800 milhões e agora vai colocar outros US$ 290 milhões - menos mal que com a condição de serem gastos com fornecedores brasileiros de bens e serviços -, que Dilma escancarou sua admiração pela mítica ilha dos sonhos da esquerda inconsequente. Chegou mesmo a enaltecer o fato de que "Cuba gera um dos três maiores volumes de comércio do Caribe", algo assim tão relevante e extraordinário para a economia globalizada quanto, para o futebol mundial, saber que o Confiança Futebol Clube, de Aracaju, é uma das três maiores forças do ludopédio sergipano.
A presidente foi a Havana também para bater ponto na 2.ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos (Celac), preciosa oportunidade para mais uma manifestação de simpatia pela ideologia "libertária" que irmana o lulopetismo aos Castros e a outros aventureiros bolivarianos do continente.
Ao procurar sua turma, Dilma Rousseff deixa no ar uma questão fundamental para o futuro da democracia brasileira, que a tão duras penas tenta se consolidar: o que o PT planeja para o Brasil é o mesmo que, para ficar apenas no continente, os amigos de fé de Lula e Dilma oferecem a cubanos, nicaraguenses, venezuelanos, bolivianos, equatorianos e argentinos? Sonho por sonho, melhor acreditar que tudo é apenas jogo de cena.