Endividamento das famílias cresce e exige atenção
Entrevista realizada pelo Jornal da Cidade de Holambra, em 22/05/26.
O endividamento das famílias brasileiras segue em alta e preocupa especialistas diante do cenário de inflação, juros elevados e aumento do custo de vida. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que, em abril de 2026, 80,9% das famílias estavam endividadas e 29,7% tinham contas em atraso.
Para o economista e professor
livre-docente da Universidade Estadual de Campinas, Marco Milani, o problema
não está necessariamente em possuir dívidas, mas na forma como elas são
administradas. Segundo ele, grande parte do endividamento atual está relacionada
ao consumo imediato e ao uso de crédito com juros elevados.
“Estar endividado não é, por si
só, um problema, desde que a dívida seja planejada, compatível com a renda e
administrada corretamente. O ponto preocupante é que parcelas expressivas
dessas dívidas estão vinculadas ao consumo de curto prazo, e não à formação de
patrimônio”, explica.
Milani cita o pagamento do valor
mínimo da fatura do cartão e parcelamentos de despesas correntes e a
contratação de empréstimos caros para cobrir gastos cotidianos. “Pequenas
decisões mal planejadas podem gerar uma bola de neve, sobretudo quando a família
usa o crédito, choque especial ou cartão pessoal para compensar a perda de
poder de compra”, afirma.
Para famílias que já enfrentam
dificuldades financeiras, o especialista recomenda reorganizar internamente o
orçamento, separando despesas essenciais das supérfluas e evitando novas
parcelas. Uma medida importante é renegociar dívidas antes que o atraso evolua
para inadimplência.
“A recomendação é priorizar o
pagamento das dívidas mais caras e renegociar antes que o atraso se torne
inadimplência. O problema não é apenas quanto se deve, mas se a dívida cabe na
renda futura da família”, ressalta.
Segundo Milani, as dívidas que
seguem mais atreladas neste momento são as relacionadas ao cartão de crédito
rotativo e ao crédito pessoal, devido às taxas elevadas de juros e ao rápido
crescimento do saldo devedor. Ele orienta que consumidores busquem substituir
dívidas caras por linhas de crédito mais baratas e organizem as contas
considerando taxas de juros, valor das parcelas e risco de atraso.
Além do controle financeiro, o
economista defende a adoção de hábitos preventivos para evitar novos ciclos de
endividamento. Entre eles estão a criação de uma reserva de emergência, o
planejamento de compras de maior valor e o não familiar sobre consumo e
prioridades.
“Em síntese, a melhor proteção
contra um novo ciclo de endividamento é transformar o crédito em instrumento
ocasional e planejado, não em complemento permanente da renda”, conclui.
Marco Milani é economista e
professor livre-docente da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
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