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domingo, 3 de julho de 2016
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Comentários sobre o ótimo livro "The liberal mind"
O
psiquiatra Lyle Rossiter nos comprova que o esquerdismo é uma doença mental
Texto extraído da página “Não deixe que um
professor comunista adote o seu filho”
Geralmente vemos esquerdistas se referirem a quem é
da direita como um “louco da direita”, e daí por diante. O problema é que a
crença da direita é coerente até com o que a teoria da evolução tem a nos
dizer. Enquanto isso, a crença esquerdista é baseada em quê? É isso que
começamos a investigar de uma forma mais clínica a partir do livro The Liberal
Mind: The Psychological Causes of Political Madness, de Lyle Rossiter, lançado
em 2011.
Conforme a review da Amazon, já notamos a paulada
que será dada nos esquerdistas:
Liberal Mind traz o primeiro exame profundo da
loucura política mais relevante em nosso tempo: os esforços da esquerda radical
para regular as pessoas desde o berço até o túmulo. Para salvar-nos de nossas
vidas turbulentas, a agenda esquerdista recomenda a negação da responsabilidade
pessoal, incentiva a auto-piedade e outro-comiseração, promove a dependência do
governo, assim como a indulgência sexual, racionaliza a violência, pede
desculpas pela obrigação financeira, justifica o roubo, ignora a grosseria,
prescreve reclamação e imputação de culpa, denigre o matrimônio e a família,
legaliza todos os abortos, desafia a tradição social e religiosa, declara a
injustiça da desigualdade, e se rebela contra os deveres da cidadania. Através
de direitos múltiplos para bens, serviços e status social não adquiridos, o
político de esquerda promete garantir o bem-estar material de todos, fornecendo
saúde para todos, protegendo a auto-estima de todos, corrigindo todas as
desvantagens sociais e políticas, educando cada cidadão, assim como eliminando
todas as distinções de classe. O esquerdismo radical, assim, ataca os
fundamentos da liberdade civilizada. Dadas as suas metas irracionais, métodos
coercitivos e fracassos históricos, juntamente aos seus efeitos perversos sobre
o desenvolvimento do caráter, não pode haver dúvida da loucura contida na
agenda radical. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática
dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Apenas um homem irracional
iria desejar o Estado decidindo sua vida por ele, ao invés e criar condições de
segurança para ele poder executar sua própria vida. Só uma agenda irracional
tentaria deliberadamente prejudicar o crescimento do cidadão em direção à
competência, através da adoção dele pelo Estado. Apenas o pensamento irracional
trocaria a liberdade individual pela coerção do governo, sacrificando o orgulho
da auto-suficiência para a dependência do bem-estar. Só um louco iria
visualizar uma comunidade de pessoas livres cooperando e ver nela uma sociedade
de vítimas exploradas pelos vilões.
O que temos aqui, na obra de Rossiter, é o
tratamento do esquerdismo de forma clínica, por um psiquiatra forense. (Um
pouco mais no site do autor do livro, e um pouco mais sobre sua prática
profissional)
O modelo de mente esquerdista
O livro é bastante analítico, e, por vezes, até
chato de se ler. Quem está acostumado a livros de fácil leitura de autores
conservadores de direita, como Glenn Beck e Ann Coulter, pode até se incomodar.
Outro livro que fala do mesmo tema é Liberalism Is a Mental Disorder: Savage
Solution, de Michael Savage. Mas o livro de Savage é também uma leitura
informal, embora séria. O livro de Rossiter é acadêmico, de leitura até
difícil, sem muitas concessões comerciais, e de um rigor analítico simplesmente
impressionante. Se não é sua leitura típica para curar insônia, ao menos o
conteúdo poderoso compensa o tratamento seco e acadêmico dado ao tema.
Segundo Rossiter, a mente esquerdista tem um
padrão, que se reflete tanto em um padrão comportamental, quanto um padrão de
crenças e alegações. Portanto, é possível “modelar” a mente do esquerdista a
partir de uma série de padrões. A partir daí, Rossiter investiga uma larga base
de conhecimento de desordens de personalidade, e usa-as para modelar os padrões
de comportamento dos esquerdistas. Segundo Rossiter, basta observar o
comportamento de um esquerdista, mapear suas crenças e ações, e compará-los com
os dados científicos a respeito de algumas patologias da mente. A mente
esquerdista pode ser classificada como um distúrbio de personalidade por que as
crenças e ações resultantes deste tipo de mentalidade se encaixam com exatidão
no modelo psiquiátrico do distúrbio de personalidade. As análises de Rossiter
são feitas tanto nos contextos individuais (a crença do cidadão esquerdista em
relação ao mundo), como nos contextos corporativos (ação de grupo, endosso a
políticos profissionais, etc.).
Rossiter nos lembra que a personalidade é
socializada pelos pais e pela família, como uma parte do desenvolvimento
infantil. Mesmo com a influência do ambiente escolar, são os pais que preparam
a criança para o futuro. A partir disso, ele avalia o que é um desenvolvimento
sadio, para desenvolver uma personalidade apta a viver em um mundo orientado a
valorização da competência, dentro do qual essa personalidade deverá reagir.
Uma personalidade sadia reagiria bem a esse mundo já sem a presença dos pais,
enquanto uma personalidade com distúrbio não conseguiria o mesmo sucesso. Em
cima disso, Rossiter avalia a personalidade desenvolvida com os itens da agenda
esquerdista, demonstrando que muitos itens dessa agenda estão em oposição ao
desenvolvimento sadio da personalidade.
Para o seu trabalho, Rossiter classifica os
esquerdistas em dois tipos: benignos e radicais. Os radicais são aqueles cujas
ações (agenda) causam dano a outros indivíduos. De qualquer forma, os
esquerdistas benignos (seriam os moderados) dão sustentação aos esquerdistas
radicais.
Rossiter define o homem como uma fonte autônoma de
ação, ao mesmo tempo em que está envolvido em relações, como as econômicas,
sociais e políticas. Isto é definido por Rossiter como a Natureza Bipolar do
Homem, pois mesmo que ele seja capaz de ação independente, também é restrito
pelo contexto social, na cooperação com os outros. A partir dessa constatação,
tudo o mais flui. Para permitir que o homem seja capaz de operar com sucesso em
seu ambiente natural, deve existir um desenvolvimento adequado da
personalidade. Este desenvolvimento da personalidade surge a partir dos outros,
idealmente a mãe e a família.
Outro ponto central: toda a análise de Rossiter é
feita no contexto de uma sociedade livre, não de uma sociedade totalitária.
Portanto, ele avalia o quão alguém é sadio em termos de personalidade para
viver em uma sociedade democrática, e não em uma sociedade formalmente
totalitária, como Coréia do Norte, Cuba ou China, por exemplo.
Competência em uma sociedade livre
Fica claro que não devemos esperar de Rossiter
avaliação sobre um modelo de personalidade para toda e qualquer sociedade, pois
ele é bem claro em seu intuito: desenvolver e estudar personalidades
competentes para a vida em uma sociedade livre. A manutenção de tal sociedade
requer regras para existir, que devem ser codificadas em leis, hipóteses, assim
como regras do senso comum.
Nesse contexto, as habilidades a seguir são aquelas
de um adulto competente em uma sociedade com liberdade organizada:
Iniciativa – Fazer as coisas acontecerem.
Atuação – Agir com propósito.
Autonomia – Agir independentemente.
Soberania-
Viver independentemente, através da tomada de decisão competente.
Rossiter define os direitos naturais do homem, para
uma pessoa adulta vivendo em uma sociedade de liberdade organizada. Estes
compreendem o exercício, conforme qualquer um escolher, das habilidades
selecionadas acima, todas elas sujeitas às restrições necessárias para uma
sociedade com paz e ordem. Assim, direitos naturais resultam da combinação de
natureza humana e liberdade humana. Natureza humana significa viver como alguém
quiser, sujeito as restrições necessárias para paz e ordem.
Considerando estes atributos humanos, Rossiter
define como uma ordem social adequada, aquela que possui os seguintes aspectos:
Honra a soberania do indivíduo
Respeita a liberdade do indivíduo.
Respeita a posse de propriedade e integridade dos
contratos.
Respeita o princípio da igualdade sob a lei.
Requer limites constitucionais, para evitar que o
governo viole os direitos naturais.
Os aspectos acima são avaliados na perspectiva do
indivíduo, não de grupos ou classes, em um processo relacionado à individuação,
conceito originado em Jung. Neste processo, o ser humano evolui de um estado
infantil de identificação para um estado de maior diferenciação, o que
implicará necessariamente em uma ampliação da consciência. A partir daí, surge
cada vez mais o conhecimento de si-mesmo, em detrimento das influências
externas. Eventuais resistências à individuação são causas de sofrimento e
distúrbios psiquícos.
Segundo Rossiter, o indivíduo adulto que passou
adequadamente pelo processo de individuação assume de forma coerente seu
direito a vida, liberdade e busca da felicidade. Mesmo assim, isso não
significa que ele pode fazer o que quiser, pois deve respeitar o individualismo
dos outros e interagir com eles através da cooperação voluntária. Assim, o
individualismo deve ser associado com mutualidade, para o desenvolvimento de um
adulto competente para viver em uma sociedade de liberdade organizada.
Rossiter estuda com afinco as características de
desenvolvimento do invidíduo, de acordo com regras pelas quais ele pode viver
em uma sociedade de liberdade organizada, e lista sete direitos individuais do
cidadão comum, dentro dos quais ele pode exercitar sua autonomia, livre da
interferência do governo:
Direito de auto-propriedade (autonomia)
Direito de primeira posse (para controlar
propriedade que não tenha sido de posse de ninguém antes)
Direito de posse e troca (manter, trocar ou
comercializar)
Direito de auto-defesa (proteção de si próprio e da
proriedade)
Direito de compensação justa pela retirada (a
partir do governo)
Direito a acesso limitado (a propriedade dos outros
em emergências)
Direito a restituição (por danos a si próprio ou
propriedade)
Estes são normalmente chamados de direitos
naturais, direitos de liberdade ou direitos negativos. O governo deve ser
estruturado para proteger estes direitos, e precisa ser estruturado de forma
que não infrinja-os. A obrigação do
governo em uma sociedade de liberdade organizada envolve implementar e
sustentar estas regras para proteger o cidadão de infrações cometidas tanto por
outros como pelo próprio governo.
Eis que surge o problema da mente esquerdista, que
quer atacar basicamente todos os pilares acima. Em cima disso, Rossiter levanta
as crenças da mente esquerdista, que, juntas, dão um fundamento do modelo da
mente deles:
Modelos sociais ideais tradicionais estão
ultrapassados e não se aplicam mais.
A direção do governo é melhor do que ter os
cidadãos tomando conta de si próprios.
A melhor fundação política de uma sociedade
organizada ocorre através de um governo centralizado.
O objetivo principal da política é alcançar uma
sociedade ideal na visão coletiva.
A significância política do invidíduo é medida a
partir de sua adequação à coletividade.
Altruísmo é uma virtude do estado, embutida nos
programas do estado.
A soberania dos indivíduos é diminuída em favor do
estado.
Direitos a vida, liberdade e propriedade são
submetidos aos direitos coletivos determinados pelo estado.
Cidadãos são como crianças de um governo parental.
A relação do indivíduo em relação ao governo deve
lembrar aquela que a criança possui com os pais.
As instituições sociais tradicionais de matrimônio
e família não são muito importantes.
O governo inchado é necessário para garantir
justiça social.
Conceitos tradicionais de justiça são inválidos.
O conceito coletivista de justiça social requer
distribuição de riqueza.
Frutos de trabalho individual pertencem à população
como um todo.
O indivíduo deve ter direito a apenas uma parte do
resultado de seu trabalho, e esta porção deve ser especificada pelo governo.
O estado deve julgar quais grupos merecem
benefícios a partir do governo.
A atividade econômica deve ser cuidadosamente
controlada pelo governo.
As prescrições do governo surgem a partir de intelectuais
da esquerda, não da história.
Os elaboradores de políticas da esquerda são
intelectualmente superiores aos conservadores.
A boa vida é um direito dado pelo estado,
independentemente do esforço do cidadão.
Tradições estabelecidas de decência e cortesia são
indevidamente restritivas.
Códigos morais, éticos e legais tradicionais são
construções políticas.
Ações destrutivas do indivíduo são causadas por
influências culturais negativas.
O julgamento das ações não deve ser baseado em
padrões éticos ou morais.
O mesmo vale para julgar o que ocorre entre nações,
grupos éticos e grupos religiosos.
Como tudo na vida, o aceite de crenças tem
consequências. No caso do aceite das crenças esquerdistas, consequências
incluem:
Dependência do governo, ao invés de auto-confiança.
Direção a partir do governo, ao invés da
auto-determinação.
Indulgência e relativismo moral, ao invés de
retidão moral.
Coletivismo contra o individualismo cooperativo.
Trabalho escravo contra o altruísmo genuíno.
Deslocamento do indivíduo como a principal unidade
social econômica, social e política.
A santidade do casamento e coesão da família
prejudicada.
A harmonia entre a família e a comunidade
prejudicada.
Obrigações de promessas, contratos e direitos de
propriedade enfraquecidos.
Falta de conexão entre premiações por mérito e
justificativa para estas premiações.
Corrupção da base moral e ética para a vida
civilizada.
População polarizada em guerras de classes através
de falsas alegações de vitimização e demandas artificiais de resgate político.
A criação de um estado parental e administrativo
idealizado, dotado de vastos poderes regulatórios.
Liberdade invididual e coordenação pacífica da ação
humana severamente comprometida.
Aliás, eu acho que Rossiter esqueceu de
consequências adicionais como: (15) Aumento do crime, devido a tolerância ao
crime, e (16) Incapacidade de uma base lógica para que a sociedade sequer tenha
condição de julgar o status em que se encontra.
Por que a mente esquerdista é uma patologia?
Para Rossiter, a melhor forma de avaliar a mente do
esquerdista é a através dos valores que ele tem, e os que ele rejeita. Mais:
Como todos os outros seres humanos, o esquerdista
moderno revela seu verdadeiro caráter, incluindo sua loucura, nos valores que
possui e que descarta. De especial interesse, no entanto, são os muitos valores
sobre os quais a mente esquerdista não é apaixonada: sua agenda não insiste em
que o invidívuo é a principal unidade econômica, social e política, ele não
idealiza a liberdade individual em uma estrutura de lei e ordem, não defende os
direitos básicos de propriedade e contrato, não aspira a ideais de autonomia e
reciprocidade autênticas. Ele não defende a retidão moral ou sequer compreende
o papel crítico da moralidade no relacionamento humano. A agenda esquerdista
não compreende uma identidade de competência, nem aprecia sua importância, e
muito menos avalia as condições e instituições sociais que permitam seu
desenvolvimento ou que promovam sua realização. A agenda esquerdista não
compreende nem reconhece a soberania, portanto não se importa em impor limites
estritos de coerção pelo estado. Ele não celebra o altruísmo genuíno da
caridade privada. Ele não aprende as lições da história sobre os males do
coletivismo.
Rossiter diz que as crianças não nascem com este
“programa”, que é adquirido especialmente durante o aprendizado escolar. Em
resumo: um adulto, competente para operar em uma sociedade de liberdade
organizada, na maior parte das vezes adquire estes valores dos pais e da
família, mas um esquerdista radical não.
Basicamente, o esquerdismo pode ser caracterizado
como uma neurose, baseada nos traumas do relacionamento com a família durante o
desenvolvimento da personalidade. Sendo uma neurose de transferência, ela
compreende as projeções inconscientes das psicodinâmicas da infância nas arenas
políticas da vida adulta. É o resultado de uma falha no treino da criança nos
elementos psicodinâmicos básicos de um adulto, competente para viver em uma
sociedade de liberdade organizada. (Obviamente, um esquerdista jamais irá
reconhecer as “fendas” em seu desenvolvimento de criança até um adulto)
Rossiter nos diz mais:
Sua neurose é evidente em seus ideais e fantasias,
em sua auto-justiça, arrogância e grandiosidade, na sua auto-piedade, em suas
exigências de indulgência e isenção de prestação de contas, em suas
reivindicações de direitos, em que ele dá e retém, e em seus protestos de que
nada feito voluntariamente é suficiente para satisfazê-lo. Mais notadamente,
nas demandas do esquerdista radical, em seus protestos furiosos contra a
liberdade econômica, em seu arrogante desprezo pela moralidade, em seu desafio
repleto de ódio contra a civilidade, em seus ataques amargos à liberdade de
associação, em seu ataque agressivo à liberdade individual. E, em última
análise, a irracionalidade do esquerdista radical é mais aparente na defesa do
uso cruel da força para controlar a vida dos outros.
Agora fica mais fácil entender por que os
esquerdistas são tão frustrados e raivosinhos em suas interações, não?
Os cinco déficits principais do esquerdista
Um esquerdista apresenta, segundo Rossiter, cinco
principais déficits, cada um mais evidente nas diversas fases do
desenvolvimento, desde os primeiros meses após o nascimento, até a entrada da
fase adulta.
Confiança básica: O primeiro déficit relaciona-se a
confiança básica. Isto é, a falta de confiança nos relacionamentos entre
pessoas por consentimento mútuo. Por isso, o esquerdista age como se as pessoas
não conseguissem criar boas vidas por si próprios através da cooperação
voluntária e iniciativa individual. Por isso, colocam toda essa coordenação nas
mãos do estado, que funciona como um substituto para os pais. Se a criança não
consegue conviver com os irmãos, precisa de pais como árbitros. Este déficit
inicia-se no primeiro ano de vida. As interações positivas de uma criança com a
mãe o introduzem a um mundo de relacionamento seguro, agradável, mutuamente
satisfatório e a partir do “consentimento” entre ambas as partes. Mas caso
exista um relacionamento anormal e abusivo na infância, algo de errado ocorre,
e essa aquisição de confiança básica é profundamente comprometida. Lembremos
que a ingenuidade é problemática, mas o esquerdista é ingênuo perante o
governo, que tem mais poder de coerção, enquanto suspeita dos relacionamentos
humanos não abitrados pelo governo.
Autonomia: Após os primeiros 15 meses, uma criança
começa a incorporar os fundamentos de autonomia, auto-realização, assim como
fundamentos de mutualidade, ou auto-realização (assim como realização dos
outros). A partir dessa fase, a criança começa a agir por si própria para ter
suas necessidades satisfeitas, de acordo com aqueles que cuidam dela. Junto com
a ideia de autonomia, surgem ideias como auto-confiança, auto-direção e
auto-regulação. A criança “mimada”, que cresce dependente do excesso de
indulgência dos pais é privada das virtudes de auto-confiança e auto-controle e
de atitudes necessárias para cooperação com os outros.
Iniciativa: No desenvolvimento normal, esta é a
capacidade de se iniciar bons trabalhos para bons propósitos, sendo desenvolvida
nos primeiros quatro ou cinco anos da vida de uma criança. No caso da falta de
iniciativa, há falta de auto-direção, vontade e propósito, geralmente buscando
relacionamentos com os outros de forma infantil, sempre pedindo por
condescendência, ao invés de lutar para ser respeitado. Pessoas como esta
personalidade normalmente assumem um papel infantil em relação ao governo,
votando para aqueles que prometem segurança material através da obrigação
coletiva, ao invés de votar naqueles comprometidos com a proteção da liberdade
individual. A inibição da iniciativa pode ocorrer por culpa excessiva adquirida
na infância, surgindo, por instância, do completo de Édipo.
Diligência: Assim como a iniciativa é a habilidade
de iniciar atos com boas metas, diligência é a habilidade para completá-los. A
criança, no seu desenvolvimento escolar, se torna apta a completar suas ações
de forma cada vez mais competente. Na fase da diligência, a criança aprende a
fazer e realizar coisas e se relacionar de formas mais complexas com pessoas
fora de seu núcleo familiar. A meta desta fase é o desenvolvimento da
competência adulta. É a era da aquisição da competência econômica e da
socialização. Nessa fase, se aprende a convivência de acordo com códigos
aceitos de conduta, de acordo com as possibilidades culturais de seu tempo, de
forma a canalizar seus interesses na direção da cooperação mútua. Quando as
coisas não vão muito bem, surgem desordens comportamentais, uso de drogas, ou
delinquência, assim como o surgimento de ações que sabotam a cooperação. A
tendência é a geração de um senso de inferioridade, assim como déficits nas
habilidades sociais, de aprendizado e identificações construtivas, que deveriam
ser a porta de entrada para a aquisição da competência adulta. Atitudes que
surgem destas emoções patológicas podem promover uma dependência passiva
comportamental como uma defesa contra o medo diante das relações humanas,
vergonha, ou ódio.
Identidade: O senso de identidade do adolescente é
alterado assim que ele explora várias personas, múltiplas e as vezes
contraditórias, na construção de seu self. Ele deve se confrontar com novos
desafios em relação ao balanço já estabelecido entre confiança e desconfiança,
autonomia e vergonha, iniciativa e culpa, diligência e inferioridade. Esta fase
testa a estabilidade emocional que foi desenvolvida pela criança, assim como
sua racionalidade, sendo de adequação e aceitabilidade, superação de
obstáculos, e o aprofundamento das habilidades relacionais. O desenvolvimento
desta identidade adulta envolve o risco percebido de acreditar nas instituições
sociais. O adulto quer uma visão do mundo na qual possa acreditar. Isto é
especialmente importante se ele sofreu formas de abuso anteriormente. Sua
consciência ampliada de quem ele é facilita uma integração entre suas
identidades do passado e do presente com sua identidade do futuro. Nesta fase
do desenvolvimento o jovem pode ser vítima das ofertas ilusórias do
esquerdismo. É a fase “final” da escolha.
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Adivinhe qual manifestação virou capa da Folha de S.Paulo...
Paulista 6/dez: Manifestação com mais de 10 mil pessoas adultas contra a corrupção do PT
Rodovia Washington Luis, Km 230 (S.Carlos/SP), 14/dez, manifestação de alguns adolescentes para a punição dos militares da década de 1970
Qual das manifestações acima virou capa do jornal Folha de São Paulo?
No
sábado 6/dez, mais de 10 mil pessoas ocuparam pacificamente e por cerca de
4 horas a Av. Paulista e a R. da Consolação (capital paulista) para protestar
contra os esquemas de corrupção do PT e exigir a averiguação de responsabilidades
e respectivas punições. Quase nada foi notociado na imprensa e apenas uma
notinha saiu na Folha de SP. Em 14/dez, algumas dezenas de adolescentes
supostamente pertencentes a um grêmio chamado "Levante Popular da
Juventude" e ludicamente vivendo a emoção de se sentirem parte de uma
"luta vermelha", interromperam por alguns minutos o fluxo na rodovia
Washington Luis em S.Carlos (SP) para exigir punição a militares de mais de 50
anos atrás e viraram capa da Folha de SP. Pois é... Talvez os líderes dos movimentos
sérios e adultos contra o que realmente está crítico e destruindo este país,
como a corrupção (e não a nostalgia rancorosa de meio século atrás) devessem
repensar a estratégia de visibilidade, ainda sob o risco de serem ignorados por
interesses velados de alguns jornais e TVs...
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Esquerda caviar
Esquerda caviar (em francês: 'Gauche caviar') é um termo pejorativo
originário da língua francesa, utilizado para descrever alguém que diz ser um
socialista mas que leva uma vida de luxos e glamour. O termo indica que os
membros da esquerda caviar não são sinceros em suas crenças, uma vez que pregam algo (uma sociedade socialista) e, de maneira hipócrita, fazem outro
completamente diferente (se beneficia do sistema capitalista). Um termo análogo
seria champagne socialist, em inglês,
ou esquerda festiva.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Confira quem votou a favor da vergonhosa manobra fiscal do PT
Confira quem votou a favor ou contra a imoral manobra do PT para descumprir a lei fiscal prevista na LDO.
Clique em um dos links abaixo:
http://www.ronaldocaiado.com.br/lista-dos-parlamentares-que-votaram-favor-da-fraude-fiscal-de-dilma/
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domingo, 26 de outubro de 2014
Eleições 2014: "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem..."
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segunda-feira, 28 de abril de 2014
6 fatos que seu guru esquerdista nunca te contou
1. O comunismo falhou miseravelmente
Estima-se que os regimes comunistas ao longo do século XX tenham matado pelo
menos 100 milhões de pessoas em todo mundo. Alguns podem até contestar
esse número, mas precisam admitir que é impossível esconder tantas mortes
varrendo tudo pra debaixo do tapete. Crimes de tamanhas proporções deixam
rastros visíveis demais para serem ignorados.
Este número inclui não só as pessoas que foram mortas pela repressão típica
destes regimes totalitários mas também em consequência de suas políticas
econômicas desastrosas, tais como os confiscos que resultaram na fome
russa de 1921 e no Holodomor ou a coletivização forçada do campo,
implementada por Mao Tse Tung que resultou na Grande Fome Chinesa e por sua vez
matou cerca de 20 milhões de pessoas.
Alguns regimes foram letais ao extremo. É o caso do Khmer Vermelho no Camboja
que conseguiu exterminar nada mais, nada menos que um terço da população
do país.
O pior de tudo é que o comunismo acabou desmoronando em todos estes países
e seu modelo teve que ser abandonado. Todas estas pessoas morreram em vão.
Em nome de um ideal fracassado. O muro de Berlim caiu. A União Soviética não
existe mais e a China mergulha de cabeça no capitalismo.
Mas não só o velho comunismo falhou. Os novos modelos de socialismo parecem
fadados ao mesmo destino. O assim chamado "socialismo do século
XXI" praticado na vizinha Venezuela dá claros sinais de que não
poderá se sustentar por muito tempo. O país, mesmo tendo uma das
maiores reservas de petróleo do mundo é assolado hoje por escassez de todo
tipo de bem imaginável, de energia elétrica à papel higiênico, passando
por frango, leite e outros produtos essenciais. Tem uma das taxas de
inflação mais altas do mundo e uma taxa de homicídios também entre as
mais altas do mundo.
2. A teoria de Marx foi refutada
Karl Marx construiu toda a sua teoria em cima de uma idéia errada herdada dos
economistas clássicos: A teoria do Valor Trabalho. Segundo a teoria do
Valor Trabalho, o valor real de uma mercadoria era definido pela quantidade
de trabalho investido na sua produção.
Com base nisso, Marx arroga ter descoberto o conceito da Mais Valia que dizia o
seguinte: Se a mercadoria vale a quantidade de trabalho investida na sua
produção, para que o patrão, que não trabalha diretamente, tenha lucro,
ele precisa pagar aos funcionários, um valor menor do que o trabalho que
eles investiram na produção da mercadoria. Dessa forma os patrões exploram
o proletariado.
Porém Marx estava errado em vários pontos, desde o diagnóstico do problema, até
a sua solução. A Teoria do Valor Trabalho foi refutada pela teoria da
Utilidade Marginal, desenvolvida simultaneamente por três economistas:
Stanley Jevons na Inglaterra, Leon Walras na França e Carl Menger na
Áustria. Os três, ao mesmo tempo, em países diferentes e praticamente sem
entrar em contato um com o outro, perceberam que o que confere valor a uma
mercadoria não é o trabalho, mas a sua utilidade.
Uma mercadoria que exigiu muito trabalho pra ser produzida não terá nenhum
valor se não for útil. Portanto, é a utilidade que as pessoas conferem às
mercadorias que determina seu valor. Os custos de produção, entre eles o
do trabalho, é que precisa se ajustar aos preços de mercado.
Especula-se que este desmascaramento esteja por trás da atitude de Marx de
adiar a publicação dos volumes seguintes da sua obra máxima: O Capital, que só
foram publicados após sua morte, por Engels.
Outros economistas posteriores como Ludwig von Mises e Friedrich A. Hayek
dariam mais detalhes sobre a inviabilidade do socialismo, explicando que dessa
forma, a única maneira de medir a utilidade de um produto é através do
mecanismo de oferta e demanda do livre mercado.
Se o livre mercado é suprimido, não há o mecanismo de oferta e demanda, se
não há livre equilíbrio entre oferta e demanda, a economia se torna
um caos. Por isso, abolir o mercado e concentrar as
decisões econômicas no estado que tenta calcular o preço das
mercadorias com base no trabalho é impossível e tende ao fracasso.
Com base na sua ideia de Mais Valia e de exploração do proletariado,
Marx previu que a situação dos trabalhadores iria se deteriorar cada vez
mais. Como, segundo Marx, para garantir o lucro do patrão, o valor das
mercadorias é vendido sempre acima daquilo que os trabalhadores recebem
para produzi-las, o custo de vida destes aumentaria cada vez mais.
Isso iria gerar ciclos econômicos e crises frequentes, com cada nova crise
sendo pior que a anterior, até que chegaria o momento em que o capitalismo
entraria em total colapso, os trabalhadores se revoltariam, fariam uma
revolução e implantariam o socialismo.
Só que nada disso aconteceu. Na verdade aconteceu o exato inverso.
O capitalismo é marcado por crises constantes sim, mas ele sai mais forte de
cada uma delas.
A Grande Depressão foi com certeza a maior de todas as crises do capitalismo,
mas isso já foi há mais de 80 anos. O capitalismo jamais passou por outra
crise semelhante. Desde então é inegável que a qualidade de vida e a
economia prosperaram enormemente nos países capitalistas.
Ao contrário do que Marx previra, a qualidade de vida das classes menos
favorecidas aumentou e a pobreza extrema está sendo reduzida gradualmente
em todo mundo.
Para entender a velocidade desse progresso considere as Metas do Milênio
apresentadas em 2000 pela ONU. O objetivo era reduzir pela metade o número
de pessoas vivendo com 1 dólar por dia até 2015. Essa meta foi atingida
cinco anos mais cedo.
4. A maioria dos países mais pobres do mundo tiveram regimes de inspiração
socialista por longos anos
Você já deve ter ouvido falar que a culpa pela fome e pela miséria no mundo é
do capitalismo.
Mas o que seu professor esquerdista não te contou é que o socialismo já foi e
continua sendo, uma força extremamente influente no mundo. As idéias
socialistas não vão contra o Status Quo, ela é parte do Status Quo. Ela é
a parte ruim dele diga-se de passagem.
Muitos países que você imagina serem vitimas do capitalismo já tiveram regimes
de inspiração socialista. Só no continente africano: Angola, Moçambique,
Benin, República do Congo, Etiópia e Somália tiveram suas economias
destruídas por regimes comunistas que duraram vários anos e quase todos
continuaram tendo economias bastante controladas pelo estado mesmo depois
disso.
Seu professor esquerdista também deve ter falado pouco sobre regimes de
inspiração socialista na Líbia e no Iêmen. Sobre o partido Baath no Iraque
e na Síria. Que países que fizeram parte da União Soviética e que
mantiveram um modelo parecido, mesmo com o fim do comunismo, como é o caso
do Uzbequistão, tem a maioria da sua população na miséria.
Também não deve ter falado nada sobre como políticas socialistas devastaram o
Zimbábue. Nem que a Índia, país que concentra a maioria dos miseráveis do
mundo, por quase 40 anos teve uma sucessão de governos populistas,
paternalistas, intervencionistas e que se inspiravam na economia
soviética. Durante todo este período o país esteve completamente estagnado e
só começou a crescer nos anos 90, justamente depois que o governo promoveu
amplas reformas liberais, que apesar de tímidas, já conseguiram reduzir
drasticamente a miséria no pais.
5. Os países mais liberais estão entre os mais desenvolvidos ou entre os que
mais rápido se desenvolvem
Outra coisa que seu professor esquerdista não deve ter te contado, é que todos
os países com IDH considerado "muito alto" são, de uma forma ou
de outra, capitalistas. Aposto que você não sabia que a Nova Zelândia
estava completamente quebrada nos anos 80, mas que depois de uma reforma
liberal radical, conseguiu se reerguer e chegar ao posto de 6º melhor IDH
do mundo. Que a Alemanha saiu dos destroços da II Guerra Mundial seguindo
uma doutrina econômica chamada "ordoliberalismo". Que os Estados
Unidos, 3º melhor IDH do mundo, maior economia do mundo e país mais
inovador do mundo em número de patentes, tem a liberdade de mercado e a
propriedade privada como parte inseparável da sua história, da sua cultura, das
suas instituições e da sua própria identidade nacional.
Não deve saber que a carga tributária da Austrália (2º melhor país pra se viver
do mundo) é de apenas 33,2% do PIB, que o Canadá foi considerado o 2º
melhor país para se fazer negócios pelo Fórum Econômico Mundial, nem que
Hong Kong e Singapura (13º e 18º melhores IDHs respectivamente) eram países
miseráveis até bem pouco tempo atrás. Conseguiram chegar ao posto em que estão
hoje em menos de 30 anos e são justamente, os dois países mais liberais do
mundo.
Nem todo país liberal é desenvolvido, mas com certeza todos eles estão no
caminho. Um exemplo é o Panamá, o país da América Central que teve o 8º maior
crescimento do PIB em 2012 e que está entre os que mais reduziram a pobreza nos
últimos anos, ou o Peru, que apesar de ainda ser bastante pobre, também vem
conseguindo reduzir drasticamente a pobreza e teve o maior crescimento do PIB
da América do Sul em 2012.
6. Distribuição de Renda pode não servir pra nada
Os socialistas dão a entender, através de seu discurso, que a desigualdade é o
grande mal do mundo. Para descreditar as políticas liberais, apontam para um
"aumento da desigualdade" como se isso fosse sempre um mal e como se
igualdade fosse sempre um bem.
São incapazes de perceber que desigualdade não significa pobreza e que
igualdade não significa riqueza. Um povo pode ter igualdade, mas serem todos
iguais na pobreza. Da mesma forma, outro povo pode, apesar da desigualdade,
garantir um nível de vida satisfatório para os mais pobres.
A prova disso é que a desigualdade medida pelo Coeficiente GINI, revela algumas
coisas bem interessantes:
- A Etiópia é um dos países mais igualitários do mundo. É inclusive mais
igualitária que a média dos países da União Européia. Outro que também está
entre os mais igualitários é o Paquistão.
Mas onde é que existe mais pobreza? No Paquistão e na Etiópia ou na União
Européia?
- O Timor Leste é mais igualitário que Espanha, Canadá e França
- O Bangladesh, outro país que concentra massas de miseráveis é mais
igualitário que Irlanda e Nova Zelândia.
- A Índia é mais igualitária que o Japão.
- O Malawi é mais igualitário que o Reino Unido.
E a lista segue adiante. Os exemplos são inúmeros mas todos eles levam a uma
conclusão inequívoca: Igualdade não serve para nada.
Fonte: http://www.porcocapitalista.com.br/2014/01/6-fatos-que-seu-professor-esquerdista.html
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domingo, 30 de março de 2014
31 de março de 1964: contra as visões maniqueístas
31
de março de 1964: contra as visões maniqueístas
Rodrigo Constantino
Entende-se
aqueles que tentam, em esforço quase hercúleo, levantar o contexto da época do
golpe de 1964 e mostrar o lado positivo da ação dos militares, que teriam
evitado um golpe comunista do lado de lá. Afinal, a visão onipresente na
imprensa, nas escolas, em todo lugar é de um maniqueísmo chocante, que pretende
rescrever a história e pintar comunistas como democratas que foram vítimas do
nada.
Por outro
lado, tampouco devemos cair na tentação do maniqueísmo inverso, qual seja,
colocar os militares como “salvadores da Pátria”, mergulhar num saudosismo
absurdo de que tudo aquilo foi maravilhoso e fundamental para o país incluindo
duas décadas de ditadura. Seria agir como os esquerdistas desonestos, só que
com o sinal trocado.
Evitar tais
visões maniqueístas é o grande desafio, que o jornalista José Maria Silva, no
jornal Opção, consegue enfrentar com eficiência. Seu texto nos carrega para o
contexto da época, mostra como há um duplo padrão de julgamento hoje,
principalmente de uma esquerda que ignora os abusos cometidos pelo ditador
Getúlio Vargas, enquanto tenta demonizar os militares, como se a ditadura de 20
anos fosse desde o começo o único objetivo do que se passou em 31 de março de
1964.
Nada mais
falso. Esses revisionistas ignoram que os militares contaram com amplo apoio da
imprensa, da classe média, de milhões de brasileiros preocupados,
legitimamente, com a ameaça vermelha. Resgatar a verdade não interessa àqueles
que pretendem apenas usar tais eventos distantes para sua propaganda política e
ideológica, para posar de heróicos combatentes da ditadura pela democracia. Diz
o autor:
As novas
gerações foram e continuam sendo forçadas a pensar que os governos militares
pós-64 são a síntese de tudo de ruim que aconteceu na história do Brasil e que
nada houve pior do que isso. A se crer no tom horrorizado com que os formadores
de opinião repetem a expressão “ditadura militar”, tem-se a impressão de que
nem mesmo a escravidão se igualou em crueldade ao regime instaurado no País em
64. O regime militar tornou-se uma espécie de marco zero da iniquidade
nacional, projetando sua sombra devastadora no passado e no futuro, como se
fosse responsável retroativamente pelo extermínio dos índios pelos
bandeirantes, a escravidão do negro pelo português e até, projetivamente, pelos
escândalos de corrupção que continuam assolando a República.
A quem tal
distorção histórica interessa? Por que pintar um terrorista que sonhava com o
modelo ditatorial cubano para o Brasil, como Carlos Marighella, como um bravo
guerreiro da liberdade? Por que fingir que as atrocidades de Getúlio Vargas,
hoje respeitado e admirado por boa parte da esquerda, inclusive pelo ex-presidente
Lula, nunca ocorreram? Por que deixar passar em branco quem foi Luís Carlos
Prestes e como sua frieza sacrificou inocentes de carne e osso no altar de sua
utopia nefasta?
Em nome dos
fatos históricos e contra as diferentes visões maniqueístas, recomendo a
leitura do longo texto na íntegra. Segue seu desfecho:
Não se
constrói uma nação com base no maniqueísmo ideológico, que aniquila o senso
crítico e infantiliza os jovens, tornando-os presas fáceis de qualquer demagogo
de esquerda que se apresente como revisor do passado e senhor do futuro,
oferecendo a utopia da revolução como uma espécie de errata da própria
humanidade. A nação precisa ser criticamente educada para pensar o passado sem
exageros, reconhecendo os erros e acertos de cada período histórico. É
impossível, por exemplo, que, nos 21 anos que separam o golpe militar de 1964
da eleição de um presidente civil em 1985, o Brasil tenha sido apenas uma terra
arrasada por “anos de chumbo”, como querem fazer crer os Comitês da Vingança
que se arvoram a senhores da verdade. “O regime militar brasileiro não foi uma
ditadura militar de 21 anos” — é o que afirma o historiador Marco Antonio
Villa, doutor em história pela USP e professor da Universidade Federal de São
Carlos, em seu livro “Ditadura à Brasileira”, com o qual eu e os fatos
concordamos integralmente. Até o final de 1968, antes do AI-5, o Brasil vivia
uma efervescência político-cultural mais intensa do que hoje. Depois da
Anistia, em 1979, também.
Mas não se
deve combater o mito guerrilheiro com outro mito — o do Exército salvador da
pátria, que, a cada ameaça comunista, é chamado a salvar a democracia a golpes
de Estado. O Brasil vive novamente um desses momentos cruciais de sua história,
em que as instituições estão sendo transformadas em instrumento da ideologia
esquerdista — o que leva alguns setores da sociedade, ainda que minoritários, a
pedir a volta dos militares. É suicídio. Uma nação adulta dispensa pais de
farda. A República brasileira não pode ser uma quartelada, com interregnos de
democracia em meio a uma história de arbítrios. Mas também não pode ser uma
eterna utopia, em que, à custa de construir um “outro mundo possível”, a
esquerda destrua cotidianamente o mundo real, atiçando pobres contra ricos,
negros contra brancos, mulheres contra homens, minorias contra maiorias, até
que, em meio a esse caos de conflitos forjados, tenhamos o pior dos conflitos:
militares contra civis — que é onde morre a democracia.
Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/historia/31-de-marco-de-1964-contra-as-visoes-maniqueistas/
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Violência revolucionária
Violência revolucionária
Denis Lerrer Rosenfield*
- O Estado de S.Paulo
A
morte de um cinegrafista da Band, atingido no crânio por um rojão disparado por
um black bloc, tendo contado com a ajuda de outro membro do mesmo grupo, está
suscitando uma série de reações indignadas. Algumas dessas reações têm conteúdo
eminentemente político, para não dizer que vertem lágrimas de crocodilo. O
apoio velado, para não dizer explícito, agora se traduz pela condenação. Ora, a
impunidade com que tal grupo tem agido desde junho já anunciava um desenlace
como esse. Era só questão de tempo.
Observemos
que não se trata de um assassinato qualquer, como esses que são estampados
todos os dias nas notícias impressas e televisivas. Há uma nítida tentativa de
alguns responsáveis governamentais e formadores de opinião de desqualificar o
componente político desse assassinato, como se fosse uma espécie de acidente
que poderia acontecer a qualquer um. Desde junho a violência sob a forma de
vandalismo, quebra-quebra e das mais variadas formas de intimidação tomou conta
das ruas brasileiras. Mais recentemente esses mesmos grupos procuraram
apropriar-se do movimento não violento dos rolezinhos, com o intuito de lhe conferir
uma dimensão político-ideológica. Ainda mais recentemente, o MST ameaçou
invadir o Supremo e o Palácio do Planalto fazendo uso explícito da violência,
30 pessoas sendo feridas. Transfere para as cidades o que já fazia no campo
brasileiro.
Agem
todos esses grupos impunemente, apoiados por movimentos sociais organizados e
partidos de esquerda e extrema esquerda. Agora, com o assassinato político,
todos procuram dissociar-se do ocorrido pela simples razão da condenação e do
repúdio observados na opinião pública. Procuram dissociar-se do que até ontem,
por assim dizer, apoiavam. Outro fato digno de nota nesse processo é que a
qualificação de puro assassinato procura retirar dessa morte a conotação
propriamente política, como se não fossem os grupos de extrema esquerda que
estivessem por trás - ou à frente - deles. É como se a "esquerda" não
tivesse nada que ver com isso.
Imaginem
se fosse um grupo de extrema direita o responsável por esse assassinato. Os
formadores de opinião "engajados" não cessariam de ressaltar que a
direita é culpada de todo o acontecido. Palavras como "fascistas"
seriam proferidas e escritas diariamente. Como se trata da
"esquerda", procura-se não mais falar disso!
Nas
jornadas de junho já havia ficado patente o charme que a violência dos black
blocs exercia sobre uma esquerda nostálgica do período áureo do marxismo. É
como se se tratasse de um recurso legítimo dos descontentes e revoltados contra
o status quo, o "capitalismo", a "burguesia", os
"conservadores" e a direita em geral. Tudo estaria justificado em
nome da moralidade de um fim maior, que seria uma sociedade sem classes,
chamada de socialismo ou comunismo. Quando a violência era mencionada, o
objetivo era apenas denominar a ação policial mediante o recurso da força. O
jogo ideologicamente encenado era o seguinte: a violência da extrema esquerda
seria legítima e moralmente justificada, enquanto o uso da polícia para coibir
essa violência seria ilegítimo e imoral. Mesmo máscaras chegaram a ser
justificadas. Seria a estética de uma violência glamourizada.
A
extrema esquerda, por exemplo, personificada no PSOL, que agora procura
dissociar-se do assassinato do cinegrafista da Band, dizia há pouco tempo, na
fala de seu secretário-geral: "Em tese, as táticas black bloc dispõem-se a
proteger manifestações da sociedade civil contra ações truculentas das forças
do Estado". E ainda completou: "Não nos parece que o conceito da
tática black bloc seja algo retrógrado ou mesmo indesejável em essência e
propósitos originais. É algo progressivo, politicamente moderno, trazido pelas
mãos da dialética na História". Eis a "modernidade dialética" do
assassinato, travestido de ato revolucionário.
Eis
um discurso da Academia, que deveria ser um lugar de inteligência, o que não é,
aliás, manifestamente o caso: "Ao chamar a atenção para os bancos, para as
grandes marcas e para o Estado brasileiro, o Black Bloc resgata a atenção dos
meios de comunicação e a redireciona para o sistema econômico e político que
está na gênese da verdadeira violência da nossa sociedade". Eis, enfim, a violência
revolucionária apresentada como moralmente legítima. O assassinato faz parte
desse percurso!
Há
uma mentalidade reinante que tende a justificar qualquer ato violento por
razões de ordem pretensamente política, como se fosse válida a concepção marxista
da luta de classes. Os conflitos seriam estruturais por seu caráter de classe,
de modo que qualquer ação que visasse a destruir o status quo capitalista seria
legítima. A violência, nessa perspectiva, seria moralmente justificada. Há o
que poderíamos chamar de um marxismo-leninismo difuso que se apresenta sob a
forma do politicamente correto.
Segundo
essa abordagem, a violência seria somente um meio da classe dominante visando a
assegurar a exploração dos trabalhadores, sendo a polícia o seu instrumento.
Note-se que, na grande maioria das notícias e análises, o foco esteve centrado
na dita violência policial, como se o uso legítimo da força não fosse monopólio
do Estado. Intencionalmente, a causa foi confundida com o efeito. O uso
policial da força, reativo, foi tido como se fosse a causa. A violência
causadora, a dos grupos de extrema esquerda, era tida por moralmente válida,
sendo uma ferramenta legítima da luta política.
Uma
vez que esses grupos conseguiram impor a sua visão, as forças policiais foram
desmobilizadas. Passaram a observadoras das cenas de violência, não intervindo.
A impunidade abriu o caminho para que a violência se generalizasse. Não mais
contidos, os grupos de extrema esquerda passaram a aumentar o grau de
violência. As autoridades públicas, nesse sentido, têm também a sua parcela de
responsabilidade.
*Denis
Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS. E-mail: denisrosenfield@terra.com.br
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,violencia-revolucionaria,1133809,0.htm
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