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quarta-feira, 25 de março de 2015

A inconveniência de se misturar política partidária e espiritismo


A promoção de eventos pontuais por políticos profissionais, voltados ao público espírita, gera uma situação delicada...

Há um ano, em 23/03/14, o jornal OESP denunciava a farra do uso de verbas públicas na Câmara Municipal de S.Paulo e destacava o vereador RUBENS CALVO como um dos gastões, inclusive para lavar regularmente sua BMW particular.


Em 29/10/13, uma parcela desses mesmos vereadores participou de uma manobra vergonhosa orquestrada pelo prefeito Haddad, promovida de madrugada para afastar a presença dos cidadãos indignados com a proposta de se aumentar abusivamente o IPTU. Dentre os vereadores que apoiavam essa manobra estava RUBENS CALVO.



E por que somente o vereador RUBENS CALVO está sendo destacado neste texto? Porque o referido vereador promove, todo ano, eventos públicos em homenagem a personalidades espíritas, talvez com o intuito de angariar a simpatia dos representantes de organizações espíritas e ampliar a sua base eleitoral.

Ainda que o referido vereador aja esporadicamente a favor da divulgação espírita, a questão maior que se coloca é o exemplo pessoal e a credibilidade que se deveria esperar de alguém que foi eleito para defender os interesses da população. Festividades pontuais não apagam as decisões controvertidas e posturas um tanto repreensíveis.

No próximo dia 15/04, haverá um evento para celebrar “O Dia dos Espíritas” e evidencia o seu nome e seu cargo no material de divulgação e o e-mail para informações é o do próprio político.


Estimado vereador, por que eu continuo com a nítida impressão que seus interesses são calcados no ganho político desse evento visando à associação de seu nome a potenciais eleitores?

Faz parte do atual nível evolutivo da humanidade erros e acertos e não surpreende que políticos tenham dificuldade em agir com plena integridade, porém, se quiser ter uma imagem adequada com os cidadãos e, principalmente com os espíritas, não tente usar o Espiritismo para a obtenção de ganhos políticos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Levy foi bem recebido pelo mercado

PERFIL-Especialista em contas públicas, Levy traz à Fazenda transparência e metas críveis

por Alonso Soto - Reuters

O ex-secretário do Tesouro Nacional e executivo do Bradesco, Joaquim Levy, foi escolhido nesta quinta-feira para assumir o Ministério da Fazenda, em uma sinalização de que a presidente Dilma Rousseff quer mudanças na atual política econômica em seu segundo mandato e injetar ânimo numa economia desaquecida.
Embora Levy não estivesse inicialmente no radar dos investidores, ele é respeitado tanto no mercado como entre os integrantes do governo Dilma, por causa de seu estilo objetivo e pragmático.
Doutor em economia pela Universidade de Chicago, Levy é atualmente o diretor-superintendente da Bradesco Asset Management, braço de gestão de recursos do Bradesco, e volta ao governo após ter sido secretário do Tesouro Nacional durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa de nomeação de Levy e de distanciamento em relação a políticas intervencionistas vinha repercutindo positivamente nos mercados financeiros domésticos desde a semana passada, quando seu nome foi vinculado à nova equipe de Dilma.
"Ao escolher Levy, ela está tentando recuperar credibilidade, o que é crucial neste jogo", disse o economista do Goldman Sachs Alberto Ramos, que conheceu Levy na Universidade de Chicago e depois no Fundo Monetário Internacional. "É importante ter essa voz da razão na equipe, mas no fim das contas, continua a ser um governo de Dilma Rousseff."
A grande interrogação é sobre o grau de liberdade que o novo ministro da Fazenda terá para definir as políticas sob o comando de Dilma, que é economista e gosta de tomar ela mesma até as menores decisões sobre a política econômica, além de manter forte controle sobre a equipe.
Levy, que também já trabalhou como pesquisador para o Fundo Monetário Internacional (FMI), vai enfrentar uma tarefa desafiadora de recuperar parte da credibilidade perdida sob a gestão de seu antecessor, Guido Mantega, cujas projeções otimistas e com frequência equivocadas acabaram aborrecendo investidores e alguns de seus colegas de governo.
O uso de métodos inusitados de contabilidade pelo governo para fortalecer o resultado das contas públicas também afetou a confiança e aumentou o risco de rebaixamento da classificação de crédito do país no próximo ano.
Poucos economistas conhecem as finanças brasileiras como Levy.
Como secretário do Tesouro, entre 2003 e 2006, ele teve papel vital em ajudar o Brasil a obter o grau de investimento pelas agências de classificação de risco, ao manter os gastos controlados e revisar toda a estrutura da dívida.
Ele deve provavelmente pressionar por uma maior transparência nas contas públicas e por metas fiscais críveis para fazer com que o governo economize mais, auxiliando assim o Banco Central na tarefa de trazer a inflação para o centro da meta.
Dilma decidiu manter no cargo o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.
No entanto, Levy vai ter que caminhar no fio da navalha para equilibrar as contas públicas sem levar a economia para a recessão, diante dos baixos níveis de investimento e do consumo em desaceleração.
Desde que Dilma assumiu o governo em 2011, a economia cresceu ao ano em média menos de 2 por cento, e deve crescer próximo de zero neste e no próximo ano, resultado bem abaixo dos 4 por cento de crescimento ao ano registrado na década anterior, quando o Brasil se tornou um favorito dos mercados em Wall Street.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Dilma em Cuba


O Estado de S.Paulo – 29/01/14 – Notas e Informações – p. A3


Sem entrar no mérito das negociações diplomáticas e comerciais do governo brasileiro com o de Cuba, que resultam no momento em decisiva contribuição dos cofres públicos nacionais para a implantação da Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel na ilha dos irmãos Castro, este mais recente afago à ditadura cubana reitera o carinho de Dilma Rousseff pelo dogmatismo ideológico que o lulopetismo compartilha com os Castros e só não logrou ainda consagrar plenamente entre nós por duas razões. Primeiro, porque, pragmaticamente, sua prioridade passou a ser manter-se no poder a qualquer custo; depois, pela razão histórica de que a superação de dois regimes discricionários no século passado, o getulista e o militar, teve o dom de fortalecer nossas instituições democráticas e dificultar a escalada de aventuras autoritárias, especialmente a partir da promulgação da Carta Magna de 1988 - a cujo texto, aliás, o PT fez ferrenha oposição.
A conquista do poder e seu exercício por onze anos converteram o lulopetismo, nunca é demais repetir, em um pragmatismo que hoje o identifica com as piores práticas políticas que são, desde sempre, a principal característica do patrimonialismo. Mas, principalmente para efeito externo - mas também para satisfazer a militância que ainda imagina pertencer ao velho PT -, o discurso "libertário" do "socialismo do século 21" mantém-se inalterado e foi para exercitá-lo que Dilma Rousseff decidiu encerrar na ilha dos Castros seu último périplo internacional. Pois precisava de algum modo exorcizar eventuais fluidos negativos remanescentes de sua passagem por Davos, o covil do capitalismo, onde foi praticamente implorar por investimentos estrangeiros no Brasil.
Ao lado de Raúl Castro e no indispensável beija-mão de Fidel, Dilma esteve perfeitamente à vontade. Não se poupou de reafirmar que tem "muito orgulho" da boa relação que mantém com a dupla que há mais de meio século domina a ilha com mão de ferro e nenhum apreço pelas liberdades democráticas. Derreteu-se em agradecimentos ao favor que Cuba presta ao Brasil ao fornecer, para o programa Mais Médicos, a um custo altíssimo só parcialmente repassado aos profissionais, os doutores que aqui desembarcam para suprir a deficiência de atendimento básico nos grotões que a incompetente política nacional de saúde não tem conseguido alcançar. Para conferir maior brilho a esse tópico de sua agenda em Havana, Dilma levou a tiracolo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que brevemente será o candidato do PT ao governo de São Paulo.
Mas foi no Porto de Mariel, no qual o nosso Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já havia investido mais de US$ 800 milhões e agora vai colocar outros US$ 290 milhões - menos mal que com a condição de serem gastos com fornecedores brasileiros de bens e serviços -, que Dilma escancarou sua admiração pela mítica ilha dos sonhos da esquerda inconsequente. Chegou mesmo a enaltecer o fato de que "Cuba gera um dos três maiores volumes de comércio do Caribe", algo assim tão relevante e extraordinário para a economia globalizada quanto, para o futebol mundial, saber que o Confiança Futebol Clube, de Aracaju, é uma das três maiores forças do ludopédio sergipano.
A presidente foi a Havana também para bater ponto na 2.ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos (Celac), preciosa oportunidade para mais uma manifestação de simpatia pela ideologia "libertária" que irmana o lulopetismo aos Castros e a outros aventureiros bolivarianos do continente.
Ao procurar sua turma, Dilma Rousseff deixa no ar uma questão fundamental para o futuro da democracia brasileira, que a tão duras penas tenta se consolidar: o que o PT planeja para o Brasil é o mesmo que, para ficar apenas no continente, os amigos de fé de Lula e Dilma oferecem a cubanos, nicaraguenses, venezuelanos, bolivianos, equatorianos e argentinos? Sonho por sonho, melhor acreditar que tudo é apenas jogo de cena.