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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Bolivarianos e seus discursos inflamados e ridículos...


Maduro estabelece visto obrigatório para americanos irem à Venezuela


"Para proteger o nosso país (...), decidi implantar um sistema de visto obrigatório para todo americano que ingressar na Venezuela", disse Maduro em um discurso público durante uma manifestação de simpatizantes chavistas.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro estabeleceu neste sábado (28) um sistema de visto obrigatório para todo cidadão americano que visite a Venezuela.


Segundo Maduro, trata-se de um mecanismo de controle para impedir interferências dos Estados Unidos. O presidente determinou, ainda, a revisão e a redução do corpo diplomático de Washington em Caracas.

A pergunta que não quer calar é: Como os americanos conseguirão dormir sabendo que será mais difícil viajar à Venezuela?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Governo bolivariano impõe cotas para roupas


Governo venezuelano avança no controle do comércio

O presidente venezuelano Nicolás Maduro continua mantendo a sua política de controlar as compras dos consumidores no país. Recentemente, foi instituída a cota para compra de roupas na Venezuela, pela qual a população chega a esperar até um mês e a ser submetida a respeitar as cotas individuais instituídas. Para tanto, senhas são distribuídas para que os consumidores tenham acesso a compra limitada das vestimentas.
As lojas estão aceitando a imposição desses limites também devido a escassez dos produtos, além dos problemas cambiais que estão encarecendo as importações, uma vez que o Governo vem tentando evitar a saída de dólares do país. Ressalte-se que o cartão de crédito está sendo controlado, por meio da obrigatoriedade de apenas uma operação comercial para cada 30 dias.
Além dessas ações, também está sendo restringido e proibido o comércio por parte ambulantes (camelôs) em várias cidades da Venezuela. Foi instituída a Lei Orgânica de Preços Justos, emitida em 25 de outubro, atuando sobre os ambulantes e definindo que as autoridades devem fazer inspeções, verificação e o que for necessário nos estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços em todo o território para evitar o que considera vendas ilegais[2].
Estão sendo impedidas as vendas de alimentos e insumos básicos, como azeites vegetais, arroz, fubá, farinha de trigo, maionese, ketchup, enlatados, mortadela, queijo, batata, leite, café, açúcar, manteiga, massas, ovos, sal, frangos, ervilhas, feijão, produtos de higiene pessoal e domésticas, sabonetes, creme dental, papel higiênico, fraldas descartáveis, shampoo, detergentes, desinfetantes, navalhas (aparelhos de barba) e pinturas para cabelos. As pessoas estão reclamando, pois estes produtos estão escassos nos supermercados, logo, os ambulantes se tornaram um caminho para vencer o desabastecimento dos produtos mais básicos.
Os vendedores estão se mobilizando, apresentando–se revoltados, pois consideram a atitude uma tentado ao direito de trabalho, já que o desemprego é grande no país e, além de vencerem esse problema, eles se mostram como uma alternativa viável para o consumo da população. Ademais, calcula-se que, aproximadamente,  200.000 pessoas vivem da venda de alimentos nas ruas.
Uma pesquisa da empresa Hinterlaces apontou, contudo, que a maioria de 78% dos entrevistados (de uma amostra de 1.200) apoiou a medida do Governo de proibir as vendas. Vários analistas, no entanto, tomam tais resultados com reservas, uma vez que há controle de vários setores e atividades por parte do Governo, de forma que possa estar havendo distorções nos resultados, causadas por problemas metodológicos na aplicação da pesquisa. Observadores acreditam que a medida contra os ambulantes pode levar ao surgimento de uma nova frente de manifestações, impulsionando outras ações da sociedade nas ruas em futuro breve.



sábado, 24 de maio de 2014

O socialismo venezuelano castiga a população



O socialismo venezuelano castiga a população e compromete a estabilidade econômica e social desse país. Os vizinhos sulamericanos omitem-se diante dos abusos e da repressão promovida pelo chavista Maduro e suas milícias contra os cidadãos desarmados que clamam por liberdade e democracia.


Diálogo em crise na Venezuela

Editorial - O Estado de S.Paulo - 24 de maio de 2014

A solução à vista para a crise na Venezuela passa pela pressão internacional para que seja desmontada a estrutura chavista que se apoderou do Estado e arruinou a democracia do país. Sem esse passo, nenhuma iniciativa terá futuro. Levar a sério a vontade do presidente Nicolás Maduro para uma negociação com a oposição, como faz o governo brasileiro, é dar ao chavista o tempo de que ele precisa para neutralizar - também pela violência - a revolta dos estudantes e de outros dissidentes. Não tardou para que, nessa atmosfera, o "diálogo" mediado pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul) se revelasse frustrante, e a oposição se mostra relutante em participar, gerando um impasse que pode ter efeitos funestos.
Para ter alguma chance de sucesso, o diálogo na Venezuela deveria ter como base o compromisso com o restabelecimento do Estado de Direito e da separação de Poderes. É certo que a oposição, assim como Maduro, deve se comprometer com o fim dos conflitos nas ruas, mas as demais condicionantes dizem respeito exclusivamente ao governo - que não demonstrou nenhuma disposição em aceitá-las desde que eclodiu a crise, em fevereiro.
A estratégia de Maduro é dar a entender que existe um "setor da oposição" que aceita o diálogo e uma outra parte que o rechaça, e esta deve ser duramente reprimida, por ser "golpista". Com isso, Maduro mantém a imagem de um presidente disposto a negociar, ainda que não tenha feito nenhuma concessão, enquanto aterroriza sem tréguas as ruas do país, recorrendo a prisões arbitrárias e a maus-tratos, como comprovaram a Human Rights Watch e a Anistia Internacional.
Não se pode perder de vista que os protestos são motivados pela ausência de canais institucionais por meio dos quais os cidadãos podem manifestar suas discordâncias em relação ao governo. A década chavista eliminou a independência da Suprema Corte, acabou com a diversidade no Parlamento e calou a imprensa independente. Não restou alternativa aos descontentes senão ir às ruas.
E não faltam motivos para protestar. Graças à administração chavista, a inflação está na casa dos 60%, a escassez é generalizada, o déficit fiscal é incontrolável e as reservas internacionais estão erodindo rapidamente. O principal símbolo do desastre ainda é a falta de papel higiênico, mas o vexame é muito mais amplo. Um exemplo recente é a ameaça das companhias aéreas internacionais de suspender seus voos para a Venezuela. Graças ao rígido controle de câmbio, as empresas precisam de autorização para repatriar o dinheiro das passagens vendidas no país, o que lhes é negado desde 2003. O resultado é que o governo deve US$ 4 bilhões às companhias.
Enquanto isso, Maduro usa seus poderes para consolidar o estado de exceção e criminalizar a oposição, sob o olhar omisso dos governos dos países da região. O Itamaraty, por exemplo, parece contentar-se com o fato de que houve disposição das partes para alguma forma de contato. De fato, dada a polarização no país, é um avanço que tenha havido reuniões entre governo e oposição. Mas as demandas são de tal forma inconciliáveis - a oposição quer o desmonte do Estado chavista, enquanto o governo só aceita discutir o problema da violência e algumas medidas econômicas - que é ingenuidade esperar avanços, se não houver pressão externa.
Como o Brasil não está disposto a exercer essa pressão, entre outras razões porque o petismo se aproximou do chavismo, a frágil iniciativa do diálogo atingiu um previsível impasse, especialmente porque os chavistas se recusam a fazer qualquer concessão. Em nota sobre o problema, o Itamaraty tergiversou sobre a descontinuidade do diálogo e manifestou sua "satisfação" pela rejeição à violência por ambas as partes - embora as milícias chavistas continuem a atacar os opositores do regime.
A atitude da diplomacia brasileira, que nada tem de ingênua, indica que a América Latina está perdendo sua capacidade de cobrar respeito à democracia na região - uma consequência trágica da polarização causada pelo bolivarianismo.

terça-feira, 18 de março de 2014

Maduro e as desculpas automáticas


Políticos argentinos denunciam Maduro


Políticos argentinos denunciam Maduro por crimes contra a humanidade perante o Tribunal de Haia
Publicado por Folha Política

Por ocasião das "graves violações dos direitos humanos e da escalada de violência que vêm sofrendo a Venezuela", vários partidos políticos de oposição da Argentina anunciaram hoje que, em conjunto com "senadores e representantes de outras nações latino-americanas", acusam o Presidente da República, Nicolás Maduro, por crimes contra a humanidade perante o Tribunal Penal Internacional, em Haia.
Na declaração assinada, chamada "Primeira declaração conjunta sobre a crise política e humanitária na Venezuela", eles fizeram um apelo a "todos os setores democráticos da América Latina para mostrar solidariedade para com as vítimas da repressão na Venezuela".
A decisão foi tomada esta tarde, como parte de uma visita a Buenos Aires do deputado boliviano Adrian Oliva, presidente da Aliança Democrática Parlamentar da América (APDA), com a participação de deputados Cornelia Schmidt Liermann (PRO), Patricia Bullrich (União PRO), Alberto Asseff (UNITE), Gisela Scaglia (União PRO) e Diego Guelar (Chefe de Relações Internacionais do PRO).
Também estiveram presentes jovens venezuelanos que vivem na Argentina, representantes da União da Juventude e Renovação Frente PRO de organizações sociais como o AMA (Associação de Mulheres da Argentina) e outros.
Na declaração assinada, eles fizeram um apelo a "todos os setores democráticos na América Latina multilateral, organizações, governos, parlamentos, associações, sindicatos, universidades, diplomatas, intelectuais, estudantes e outras pessoas para mostrar solidariedade para com as vítimas da repressão na Venezuela" e condenam as violações dos direitos humanos cometidas pelo governo de Nicolás Maduro, "para não deixar que esta crise se degenere em maior conflito, o que não só colocaria em risco a paz e a estabilidade nessa nação irmã, mas em toda a região".
Na abertura da reunião, a deputada Schmidt Liermann disse: "Esta iniciativa dos direitos humanos, que vem da Argentina, é do sul para o sul", enquanto Adrian Oliva, que preside a Aliança Parlamentar, a qual reúne 13 países latino-americanos, expressa que "o objetivo é apresentar a referida queixa apoiada conjuntamente por centenas de parlamentares na região, uma vez que os direitos humanos são universalmente reconhecidos".



segunda-feira, 10 de março de 2014

Democracia e ditadura


Democracia e ditadura
por Denis Lerrer Rosenfield*

O discurso da diplomacia brasileira acerca da Venezuela e dos demais países bolivarianos segue a doutrina do PT, segundo a qual estaríamos diante de uma democracia pelo simples fato de lá haver eleições. Eleições seriam, então, o único critério de definição de Estados democráticos, com evidente desprezo pelas instituições da sociedade civil. Mais concretamente, há total desconsideração pelo equilíbrio entre Poderes e pela independência dos Poderes Judiciário e Legislativo. A liberdade de imprensa e dos meios de comunicação em geral é sistematicamente pisoteada, se não aniquilada.

Nesse sentido, a "democracia" poderia prescindir das liberdades civis e políticas, devendo contentar-se com eleições e referendos, cada vez mais restritos, pois as condições de competitividade são progressivamente reduzidas. De fato, a democracia representativa nesses países "socialistas" é substituída, para retomar um conceito de J. L. Talmon, pela democracia totalitária.

A democracia representativa caracteriza-se por ser constitucional, obedecendo a princípios que fogem a qualquer deliberação popular. Consequentemente, não pode ser objeto de deliberação a igualdade de gêneros ou de raças. Uma maioria popular machista ou racista não se poderia impor numa democracia representativa, graças aos limites constitucionais, de princípios e valores, por ela assegurados.

Segundo a democracia totalitária, o poder reside na vontade popular encarnada pelo líder carismático. Não tem este, em razão da delegação popular recebida, nenhuma limitação, como se eleições o autorizassem, virtualmente, a fazer qualquer coisa. Basta um referendo para que isso ocorra. Foi o que aconteceu com o "socialismo do século 21", nas figuras de Hugo Chávez e de sua caricatura, Nicolás Maduro, que aboliram a separação de Poderes, emascularam o Judiciário e o Legislativo, fazendo do Executivo o único Poder que conta.

A economia de mercado, por sua vez, foi cerceada, quando não aniquilada, tendo como consequência o domínio do Estado, cujos efeitos mais nítidos são a inflação galopante e a falta de produtos básicos - o papel higiênico é o mais emblemático deles. Já a liberdade de imprensa e dos meios de comunicação em geral foi sendo suprimida, só sobrando, hoje, o resquício de uma sociedade livre. Milícias no melhor estilo das SA nazistas aterrorizam a população, fazendo uso da violência e do assassinato sempre e quando o líder máximo o exigir. Tudo, evidentemente, em nome da "revolução" e do "socialismo".

Não obstante, o Itamaraty e setores do PT continuam a justificar a "democracia venezuelana", como se os protestos do que ainda resta de oposição fossem o real perigo. Ora, as posições estão totalmente invertidas. A dita "cláusula democrática", bem entendida, significaria, apenas, a "cláusula democrática totalitária".

Do ponto de vista diplomático, por uma questão de pudor, não se pode acatar o argumento de que o Brasil não se ingere em assuntos de outros países, uma vez que foi bem isso que fez no Paraguai. O então presidente Fernando Lugo foi afastado do poder por um impeachment, segundo a legislação paraguaia. O governo brasileiro não reconheceu o impeachment e aproveitou a ocasião para suspender esse país do Mercosul, tornando viável, dessa maneira, a entrada da Venezuela. É evidente o uso de dois pesos e duas medidas.

Nessa perspectiva, poderíamos aplicar os mesmos critérios para o que se denomina ditadura militar brasileira, com o intuito de melhor apreciarmos a "verdade" do período, contrastada com o juízo "democrático" do atual governo a propósito do "socialismo do século 21".

Considera-se a ditadura militar como se estendendo desde o governo Castelo Branco até o final do governo Figueiredo, quando há diferenças significativas nesse longo período. O governo Castelo Branco, por exemplo, tinha inclinação liberal, enquanto o governo Geisel foi fortemente estatizante. Segundo esse critério, o governo Dilma Rousseff se encaixaria na concepção geiselista, com forte intervenção do Estado na economia, a escolha de empresas e setores privilegiados a serem apoiados e o uso da política fiscal e de subsídios para o apoio a esses grupos. Seria Geisel de esquerda, conforme essa concepção? Mais ou menos democrático? E Lula, em seu primeiro mandato, seria castelista?

Durante o período do governo Castelo Branco (1964-1967) até o Ato Institucional n.º 5, promulgado por Costa e Silva em setembro de 1968, o País desfrutava ampla liberdade. Foi esse ato extinto em 1978 por Geisel e o habeas corpus, restaurado. Penso não ser atrevido dizer que as liberdades civis eram muito mais respeitadas do que o são nos países que, atualmente, encarnam o "socialismo do século 21".

A gozação, para não dizer a sátira e a ironia, do Pasquim começou em 1969, quando o regime militar havia endurecido e a ditadura propriamente dita se estabeleceu. Isto é, a ditadura tolerou o Pasquim, enquanto os governos bolivarianos não toleram nenhuma crítica, muito menos a que se faz pela sátira que atinge os seus líderes.

A greve do ABC sob liderança de Lula, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, foi um marco no Brasil, abrindo efetivamente caminho para a liberdade de participação sindical. Ocorreu em 1974, sob o governo Geisel. A partir dela novas greves se estenderam de 1978 a 1980, já no governo Figueiredo. Imaginem algo semelhante nos países bolivarianos. Por muito menos os "socialistas" enviam as suas milícias e fazem uso de perseguições, prisões, tortura e assassinato.

A Lei da Anistia, negociada entre militares democratas, políticos do establishment e a oposição do MDB, com amplo apoio da sociedade civil, foi assinada por Figueiredo em agosto de 1979, abrindo realmente caminho para a redemocratização do País. Foram os próprios militares que tomaram a iniciativa de abandonar o poder.

Sem dúvida a "democracia" bolivariana consegue ser mais dura do que a ditadura brasileira nesses períodos!

*Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS

Fonte: OESP
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,democracia-e-ditadura,1139083,0.htm

domingo, 9 de março de 2014

Vergonhoso apoio a Maduro


Vergonhoso apoio a Maduro

Editorial OESP

Em vez de assumir suas responsabilidades e pressionar o governo da Venezuela a dialogar com a oposição para superar a violenta crise no país, o governo brasileiro prefere fazer de conta que nada está acontecendo. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, esteve recentemente na Venezuela e disse que há uma "valorização midiática" dos confrontos. "O país não parou, as coisas estão funcionando", afirmou Garcia. Não se trata de autismo, mas de uma estudada farsa, cujo objetivo é fazer crer que Nicolás Maduro tem a situação sob controle e que as manifestações só são consideradas importantes pelos "veículos de comunicação internacionais".

Desse modo, o governo petista continua a seguir a estratégia de desmerecer os protestos contra o chavismo, como se estes fossem mero alarido de quem foi derrotado nas urnas, e não uma legítima expressão de descontentamento com os rumos que o país tomou nos últimos anos. Essa política explica por que o Brasil aceitou subscrever a indecente nota do Mercosul que criminalizou os oposicionistas venezuelanos.

Enquanto Garcia finge que tudo não passa de invenção da imprensa - segundo ele, Maduro vai se encontrar com jornalistas estrangeiros para "aclarar os fatos" -, a situação na Venezuela se deteriora a cada dia. Um dos mais importantes sinais de que a desestabilização pode estar se espalhando inclusive entre os militares foi a destituição de três coronéis da Guarda Nacional Bolivariana. Eles são acusados de criticar a repressão aos manifestantes.

Além disso, em inegável tom de confronto, Maduro ordenou, durante um desfile militar, que as milícias chavistas dissolvessem barricadas erguidas por manifestantes. Esses grupos paramilitares, que agem impunemente à margem da lei, são justamente a vanguarda da repressão oficial aos manifestantes. O número de mortos em um mês de protestos já chega a 20, e há inúmeras denúncias de violações de direitos humanos por parte das forças governistas.

Foi diante desse quadro que um grupo de ex-presidentes latino-americanos, entre os quais Fernando Henrique Cardoso, decidiu publicar uma carta na qual critica a "repressão desmedida" contra "manifestações estudantis de protesto pacífico" e cita, com preocupação, os testemunhos de "tortura e tratamento desumano e degradante por parte de autoridades". A mensagem exorta Maduro a, "sem demora", criar condições para o diálogo com a oposição, pedindo o "fim imediato" da perseguição a estudantes e dirigentes oposicionistas, o fim da hostilidade à imprensa independente e a libertação dos detidos nos protestos, em especial do líder Leopoldo López - acusado pelo governo de ser o principal articulador dos protestos.

Era essa a mensagem que deveria constar das manifestações da diplomacia brasileira em relação à crise venezuelana, e não o cinismo de quem acha que nada está acontecendo. Mas o governo petista prefere endossar a beligerância de Maduro - que rompeu relações com o Panamá apenas porque esse país sugeriu uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a situação. A OEA, como se sabe, é para os chavistas o equivalente à encarnação do diabo, por ter os Estados Unidos como membro.

Conforme informou Marco Aurélio Garcia, a única instância aceitável de diálogo para Maduro é, claro, a União de Nações Sul-americanas (Unasul) - aquela que, em sua última reunião de cúpula, exaltou o "impulso visionário" do falecido caudilho Hugo Chávez para a criação da entidade e que é atualmente presidida pelo notório Dési Bouterse, ex-ditador e atual presidente do Suriname, procurado pela Interpol por narcotráfico.


Sem poder contar com os países vizinhos mais importantes para constranger Maduro a interromper a violência e negociar de fato, resta à oposição seguir a prudência de Henrique Capriles, seu principal líder. Para ele, embora os protestos sejam legítimos, a única solução para a crise é a "saída eleitoral", porque "a maioria do país apoia a Constituição e quer viver numa democracia".

Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo

A Liberdade nas ruas



A Liberdade nas ruas

por Mario Vargas Llosa - Prêmio Nobel de Literatura

“..o que está vivendo cada dia mais o infeliz povo venezuelano é o fascismo, que representa o chavismo em sua essência”

Há quatro semanas, os estudantes venezuelanos começaram a protestar nas ruas das principais cidades do país contra o governo de Nicolás Maduro. Apesar da dura repressão - 20 mortos, mais de 300 feridos reconhecidos até agora pelo regime e cerca de mil presos, entre eles Leopoldo López, um dos principais líderes da oposição -, a mobilização popular continua firme.

Ela semeou pela Venezuela "Trincheiras da Liberdade" nas quais, além de universitários e escolares, há também operários, donas de casa, funcionários de escritório e profissionais liberais, em uma onda popular que parece ter superado a Mesa da Unidade Democrática (MUD), a organização que abrange todos os partidos e grupos políticos de oposição, graças aos quais a Venezuela não se transformou ainda numa segunda Cuba.

No entanto, é evidente que essas são as intenções do sucessor do comandante Hugo Chávez. Todos os passos que ele deu desde que assumiu o poder que lhe foi ungido, no ano passado, são inequívocos. O mais notório deles, a asfixia sistemática da liberdade de expressão. O único canal de TV independente que sobrevivia - a Globovisión - foi submetido a uma perseguição tal pelo governo, que seus donos tiveram de vendê-lo a empresários favoráveis à situação, que agora o alinharam ao chavismo.

O controle das estações de rádio é praticamente absoluto e as que ainda se atrevem a dizer a verdade sobre a catastrófica situação econômica e social do país têm os dias contados. A mesma coisa ocorre com a imprensa independente que o governo está eliminando aos poucos pela privação de papel-jornal.

Entretanto, embora o povo venezuelano quase não possa ver, ouvir nem ler uma informação livre, experimenta na carne a brutal e trágica situação para a qual os desvarios ideológicos do regime - as estatizações, o intervencionismo sistemático na vida econômica, a perseguição às empresas privadas, a burocratização cancerosa - levaram a Venezuela e essa realidade não pode ser ocultada com demagogia. A inflação é a mais elevada da América Latina e a criminalidade, uma das mais altas do mundo.

A carestia e o desabastecimento esvaziaram as prateleiras das lojas e a imposição do tabelamento dos preços para todos os produtos básicos criou um mercado negro que multiplica a corrupção a extremos vertiginosos. Somente a nomenclatura conserva os elevados níveis de vida, enquanto a classe média encolhe cada vez mais e os setores populares são golpeados de uma maneira cruel que o regime trata de amenizar com medidas populistas - estatismo, coletivismo, distribuição de doações e muita propaganda acusando a "direita", o "fascismo" e o "imperialismo americano" pela desordem e pela queda livre do nível de vida do povo venezuelano.

O historiador mexicano Enrique Krauze lembrava há alguns dias o fantástico desperdício do regime chavista, nos seus 15 anos no poder, dos US$ 800 bilhões que ingressaram no país neste período, graças ao petróleo. Boa parte desse esbanjamento serviu para garantir a sobrevivência econômica de Cuba e para subvencionar ou subornar governos que, como o nicaraguense do comandante Daniel Ortega, o argentino de Cristina Kirchner ou o boliviano de Evo Morales, apressaram-se nos últimos dias em solidarizar-se com Maduro e em condenar os protestos dos estudantes "fascistas" venezuelanos.

A prostituição das palavras, como assinalou George Orwell, é a primeira façanha de todo governo de vocação totalitária. Nicolás Maduro não é um homem de ideias, como percebe de imediato quem o ouve falar. Os lugares comuns tornam seus discursos confusos e ele os pronuncia sempre rugindo, como se o barulho pudesse suprir a falta de argumentos. Sua palavra favorita é "fascista", com a qual ele se dirige sem o menor motivo a todos os que o criticam e se opõem ao regime que levou um dos países potencialmente mais ricos do mundo à pavorosa situação em que se encontra.

Sabe, senhor Maduro, o que significa fascismo? Não o ensinaram nas escolas cubanas? Fascismo significa um regime vertical e caudilhista, que elimina toda forma de oposição e, mediante a violência, anula ou extermina as vozes dissidentes. Um regime que invade todos os aspectos da vida dos cidadãos, do econômico ao cultural e, principalmente, é claro, o político. Um regime em que pistoleiros e capangas asseguram, mediante o terror, a unanimidade do medo, do silêncio e uma frenética demagogia por meio de todos os veículos de comunicação na tentativa de convencer o povo, dia e noite, de que vive no melhor dos mundos.

Ou seja, o que está vivendo cada dia mais o infeliz povo venezuelano é o fascismo, que representa o chavismo em sua essência, esse fundo ideológico no qual, como explicou tão bem Jean-François Revel, todos os totalitarismos - fascismo, leninismo, stalinismo, castrismo, maoismo e chavismo - se fundem e se confundem.

É contra essa trágica decadência e a ameaça de um endurecimento ainda maior do regime - uma segunda Cuba - que se levantaram os estudantes venezuelanos, arrastando com eles setores muito diferentes da sociedade. Sua luta é para impedir que a noite totalitária caia totalmente sobre a terra de Simón Bolívar e não haja volta.

Acabei de ler um artigo de Joaquín Villalobos (Como enfrentar o chavismo) no jornal El País, desaconselhando a oposição venezuelana a adotar a ação direta que empreendeu e recomendando que, ao contrário, espere se fortalecer para poder ganhar as próximas eleições. Surpreende a ingenuidade do ex-guerrilheiro convertido à cultura democrática.

Quem garante que haverá futuras eleições dignas desse nome na Venezuela? Por acaso foram as últimas, nas condições de desvantagem da oposição em que transcorreram, com um poder eleitoral submisso ao regime, uma imprensa sufocada e um controle obsceno da recontagem dos votos pelos testas de ferro do governo?

Evidentemente, a oposição pacífica é o ideal na democracia. A Venezuela, porém, não é mais um país democrático e está muito mais próximo de uma ditadura como a cubana do que são, hoje, países como México, Chile ou Peru. A grande mobilização popular que a Venezuela vive ocorre precisamente para que, no futuro, haja ainda eleições de verdade e essas operações não se tornem rituais circenses como eram as da ex-União Soviética ou são as de Cuba, onde os eleitores votam em candidatos únicos, que ganham com 99% dos votos.

O que é triste, embora não surpreendente, é a solidão em que os valentes venezuelanos que ocupam as Trincheiras da Liberdade estão lutando para salvar seu país e toda a América Latina de uma nova satrapia comunista, sem receber o apoio que merecem dos países democráticos ou desta inútil e carcomida Organização dos Estados Americanos (OEA), que, segundo sua declaração de princípios, que vergonha, deveria zelar pela legalidade e pela liberdade dos países que a integram.

Naturalmente, que outra coisa pode se esperar de governos cujos presidentes compareceram, praticamente todos, em Havana, para a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e para prestar homenagem a Fidel Castro, múmia viva e símbolo animado da ditadura mais longeva da história da América Latina.

Entretanto, o lamentável espetáculo não deve tirar as esperanças dos que acreditam que, apesar de tantos indícios contrários, a cultura da liberdade lançou raízes no continente latino-americano e não voltará a ser erradicada no futuro imediato, como tantas vezes no passado.

Os povos dos nossos países costumam ser melhores do que seus governos. Ali, estão para demonstrar isso os venezuelanos, assim como os ucranianos, arriscando suas próprias vidas em nome de todos nós para impedir que na terra da qual saíram os libertadores da América do Sul desapareçam os últimos resquícios de liberdade que ainda restam. Mais cedo ou mais tarde, eles triunfarão.

Tradução de Anna Capovilla
Fonte: O Estado de S.Paulo

domingo, 23 de fevereiro de 2014

E a opressão do governo socialista venezuelano continua...


Mais de 500 foram presos nos protestos da Venezuela, denuncia ONG
Segundo levantamento do Foro Penal Venezuelano, 401 foram detidos sem uma acusação formal

por Luiz Raatz, enviado especial - O Estado de S. Paulo


CARACAS - Após quase 20 dias de protestos da oposição e de estudantes contra o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelo menos 539 pessoas foram presas pelas forças de segurança, 401 delas sem acusação formal. O levantamento foi divulgado neste domingo, 23, pelo Foro Penal Venezuelano, ONG de direitos humanos crítica ao chavismo que presta assistência jurídica aos manifestantes venezuelanos. Além disso, a entidade contabiliza nove mortos - sete vítimas de violência policial e dois de acidentes decorrentes de barricadas feitas por manifestantes - e 19 jornalistas detidos, além de casos de tortura e extorsão por parte das autoridades. Não há registros de desaparecidos.
"Nós só pedimos que os responsáveis por esses abusos sejam punidos. O governo venezuelano deve identificar os chefes das unidades militares responsáveis pelos abusos", disse o diretor do Foro Penal Venezuelano, Alfredo Romero. "O Estado é cúmplice desse crime de lesa-humanidade."

A ONG apresentou em entrevista coletiva uma série de fotos e laudos médicos de abusos cometidos contra manifestantes. O caso mais chocante é o do estudante Juan Manuel Carrasco, que teria sido violado por um fuzil. A cópia do laudo usado no processo diz que a vítima apresentava um quadro hemorragia intestinal severa, dores abdominais e lacerações internas.

O governo venezuelano nega as acusações de abusos. "Aqui na Venezuela não se tortura. Para haver tortura é preciso dar a ordem e eu não dei essa ordem", disse Maduro em discurso na sexta-feira. "Esse é um governo que respeita os direitos humanos", declarou a Procuradora-Geral da República, Luisa Ortega.

Mais cedo, a Divisão Antihomicídios da Polícia Científica de Caracas identificou cinco membros do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) suspeitos de envolvimento na morte do estudante Bassil da Costa, nos protestos de 12 de fevereiro e de ferir mais dois manifestantes. Ele foi morto depois de participar de uma manifestação contra o governo. Os agentes foram identificados como José Miguel Domínguez Ramírez, José Giovanni Valladares López, Edgar José Lara Gómez, Andry Joswua Jaspe López e Jonathan José Rodríguez Duarte. Os suspeitos foram identificados com a ajuda de vídeos e fotos feitos por jornalistas e manifestantes. Depois da morte de Da Costa, Maduro ordenou trocar a cúpula do Sebin.

A entidade jurídica, no entanto, afirmou que o governo chavista vale-se da tática de prender os estudantes sem acusação como forma de intimidação, para tentar coibi-los a protestar outras vezes. "Muitas vezes exigem dinheiro para libertá-los ou os agridem na prisão", disse o advogado Gonzalo Himiob. "Houve um caso de um estudante que se apresentou com hematomas ao juiz depois de ter dado entrada na cadeia com saúde. Foi liberado."

Repressão. Nos últimos dias, ao menos duas manifestações foram reprimidas com violência pela Guarda Nacional Bolivariana no bairro de Altamira, na zona leste de Caracas. Na última delas, no sábado, a reportagem flagrou quatro prisões feitas por homens da Polícia Nacional Bolivariana na Avenida Francisco de Miranda. Os estudantes foram algemados e levados de moto pelos guardas. Também na manifestação da noite de sábado, na qual quatro estações do metrô foram fechadas, a prefeitura de Chacao atendeu 25 feridos pelas bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

No ato de quarta-feira, estudantes e jornalistas foram cercados em edifícios residenciais de Altamira, enquanto a GNB atirava bombas de gás contra eles. No fim da noite, motorizados armados percorriam em alta velocidade a Avenida Francisco de Miranda atirando para o alto. "Quando os motorizados vêm em bando você sabe que é melhor correr", disse a estudante de comunicação social Aranxtsa Pomonty ao Estado. Ela contou que teve de se esconder por horas em um prédio para não ser presa.


No sábado, voltou à praça para protestar. Depois de dois dias relativamente calmos, a GNB voltou a reprimir os atos da oposição com mais violência. Mais cedo, uma marcha convocada pela Mesa de Unidade Democrática (MUD) tinha reunido dezenas de milhares de pessoas em Caracas. Os guardas avançaram contra as barricadas com tiros de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Parte dos estudantes, que fugiram pela Avenida Francisco de Miranda, tentou conter o avanço da polícia com barricadas de lixo queimado. Foi quando passaram os motorizados atirando para cima. O resto dos manifestantes correu na direção do centro. Alguns foram presos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Repressão venezuelana contra os manifestantes que pedem o fim do socialismo



Cenas de brutalidade da polícia nacional de Nicolás Maduro contra os manifestantes que clamam por liberdade pelo fim do socialismo.
E a esquerda brasileira acusa polícia daqui de violenta contra os ataques criminosos dos black blocs???





Opressão venezuelana à imprensa


Oposição critica 'apagão informativo' na Venezuela

Carlos Chirinos
Da BBC Mundo


Venezuelanos que se opõem ao governo de Nicolás Maduro afirmam que o país vem sofrendo um 'apagão' informativo.
Eles criticam a falta de cobertura de notícias que possam prejudicar a imagem do presidente, resultado do que consideram um 'alinhamento' da imprensa com o governo.
Além disso, os opositores acusam o governo de estar por trás de uma 'censura' nas redes sociais, meio encontrado por milhares de venezuelanos para reclamar dos meios de comunicação e divulgar o que, segundo eles, não é veiculado por rádios e TVs.
Recentes problemas técnicos no Twitter acentuaram o volume de críticas. Usuários relataram ter tido dificuldades de subir fotos e vídeos após uma marcha estudantil na capital Caracas que terminou com três mortos, dezenas de feridos e manifestantes presos.
A empresa americana confirmou que teve problemas na Venezuela e creditou a pane à Compañía Anónima Nacional Teléfonos de Venezuela (CANTV), a estatal que também oferece serviços de Internet.
"Confirmamos que imagens vêm sendo bloqueadas no Twitter na Venezuela. Acreditamos que o governo esteja por trás disso", afirmou Un Wexler, porta-voz da companhia, em email enviado à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Os usuários afetados alegam que o problema ocorre apenas em conexões estabelecidas por meio do serviço de internet da CANTV, mas a estatal negou que esteja envolvida na falha.

Sem alternativas
Opositores venezuelanos relatam preocupação sobre a possibilidade de que, sem as redes sociais, não consigam ter acesso a informações que não são veiculadas pela mídia tradicional.
"Durante esse tempo todo, estive grudada no Twitter e no Facebook, porque a TV não mostra nada", afirmou à BBC Mundo uma venezuelana que não pôde participar do protesto da última quarta-feira e queria buscar mais detalhes sobre a mobilização.

Críticos afirmam que governo venezuelano 'censura' imprensa
Como ela, naquele dia, muitos opositores perceberam que no restante da Venezuela poucos sabiam o que estava acontecendo nas ruas de Caracas por parte da mídia tradicional.
O cenário das comunicações no país parece ter se invertido nos últimos anos. Mesmo depois da chegada do ex-presidente Hugo Chávez (1954-2013) ao poder, o governo acusou por diversas vezes a imprensa de estar a serviço de partidos políticos.
Agora, os opositores se queixam de que não têm espaço na mídia tradicional.
A crítica à cobertura da imprensa, entretanto, divide opiniões na sociedade venezuelana. Enquanto uns defendem que a mídia vem sendo mais responsável em relação à publicação das notícias, outros dizem se tratar de censura.

Primeiro 'apagão'
Não é a primeira vez que os meios de comunicação venezuelanos são acusados de 'esconder' informações.
Entre os dias 11 e 13 de abril de 2002, quando uma tentativa de golpe tirou o ex-presidente Hugo Chávez do poder, os principais canais de televisão, estações de rádio e jornais foram criticados por não cobrir protestos chavistas exigindo a reintegração governo.
Mas o cenário da mídia venezuelana mudou muito. Em 2008, a Radio Caracas Televisión (RCTV), até então o principal canal do país, cessou as transmissões depois que Chávez anunciou que não iria renovar sua licença, acusando os seus líderes de ter instigado o golpe. A emissora estava no ar havia 50 anos.
Em 2009, 30 emissoras comerciais também fecharam, incluindo várias consideradas de oposição ao governo. As freqüências foram ocupadas por emissoras "neutras" ou alinhadas com o governo.
Temendo represálias, dois outros canais de televisão do país, a Venevisión e Televen, assumiram posições "neutras", reduzindo de suas programações o tempo dedicado ao jornalismo e demitindo jornalistas que criticavam o governo.
Mas o maior golpe aos opositores veio em 2013, quando o controle do canal Globovisión mudou de mãos e sua política editorial tornou-se menos virulenta.

Novas formas de censura
Os críticos consideram que a imprensa venezuelana vem praticando o que chamam de "autocensura" por causa dos termos da lei de Responsabilidade Social em Rádio, Televisão e Oriente Eletrônica ou "Lei da Primavera", como é conhecida popularmente.
Após duas semanas de manifestações estudantis e na véspera do protesto de 12 de Fevereiro, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), a Anatel venezuelana, pediu aos meios de comunicação que cumprissem à risca o artigo 27 da lei, que proíbe a apologia ao ódio e à violência.
"A cobertura midiática que os atos de violência perpetrados em algumas partes do país estão recebendo poderia ser considerada uma violação do disposto no artigo 27 da lei", declarou William Castillo, presidente da Conatel.

"Enquanto as redes sociais informavam sem nenhuma veracidade o que acontecia [nos protestos] à pequena parcela da população venezuelana que tem acesso à Internet, a mídia tradicional transmitia a comemoração do Dia da Juventude" Nota da ONG Transparência Internacional divulgada após o protesto estudantil de 12 de fevereiro.

Para os críticos, no entanto, o problema é a forma como a lei está redigida. Eles argumentam que o conceito de apologia ao ódio e à violência é muito amplo e sua interpretação fica a critério dos órgãos oficiais.

Desinformação
O escritório da ONG Transparência Internacional na Venezuela questionou a relevância do "alerta" feito pela Conatel e afirmou, por meio de um comunicado, que considerava o aviso uma violação do direito à informação consagrado na Constituição da Venezuela e nos tratados internacionais.
"Enquanto as redes sociais informavam sem nenhuma veracidade o que acontecia (nos protestos) à pequena parcela da população venezuelana que tem acesso à Internet, a mídia tradicional transmitia a comemoração do Dia da Juventude", afirmou o comunicado.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Protestos por liberdade na Venezuela

Carros foram incendiados durante protesto (Foto: Leo Ramirez/AFP)


Enquanto no Brasil sob o jugo do PT os protestos contra o governo ocorrem contra a corrupção e mal uso dos recursos públicos, na Venezuela, um país deteriorado pelo regime socialista e consequente opressão aos direitos individuais e desestabilização econômica, os protestos questionam o governo de Nicolás Maduro e pedem liberdade. Jornalistas foram duramente reprimidos e impedidos de mostrar as manifestações.


Dois jornalistas são presos e canal de TV é tirado do ar em ato na Venezuela

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,dois-jornalistas-sao-presos-e-canal-de-tv-e-tirado-do-ar-em-ato-na-venezuela,1129906,0.htm


Equipes de agência de notícias internacionais foram roubadas durante cobertura em Caracas


CARACAS - Ao menos dois jornalistas foram presos e um canal colombiano de notícias foi tirado por ar na televisão a cabo ontem durante os protestos contra o governo na Venezuela. Os  detidos são o fotógrafo Rafael Hernández, da revista Exceso e o blogueiro Ángel Matute. O canal de notícias colombiano NTN24, que vinha fazendo uma ampla cobertura dos protestos, teve o sinal cortado em duas provedoras de TV a cabo.
Em outro incidente com veículos de comunicação, uma equipe de jornalistas da agênciaFrance Presse teve a câmera de vídeo roubada. Segundo a agência, nela havia imagens da repressão policial aos manifestantes. Uma câmera de um fotógrafo da Associated Presstambém foi roubada por manifestantes chavistas."Vocês tinham de saber ao que estavam se expondo quando vieram aqui", disse um policial que não se identificou.
As provedoras Directv e Movistar TV cortaram o sinal do canal, que transmitia ao vivo os protestos pouco depois de o presidente do Conselho Nacional de Telecomunicações (Conatel) William Castillo ter criticado em sua conta no Twitter a imprensa internacional.
"Fazemos um pedido aos meios internacionais que respeitem o povo venezuelano. Promover a violência e o desconhecimento das autoridades é crime", escreveu.
Nunca pensei que anos depois, trabalhando fora do meu país, também teria de narrar uma queda de sinal", disse a jornalista venezuelana Idania Chirinos, que trabalhou na RCTV, cuja concessão não foi renovada pelo então presidente Hugo Chávez em 2007, e hoje é âncora do canal colombiano. "Não fizemos outra coisa que não informar. Não podem negar a realidade apenas cortando o sinal de um canal."
Prisões. Segundo Marco Ruiz, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Imprensa (SNTP, na sigla em espanhol), o fotógrafo da revista Exceso foi preso e levado para um quartel da polícia enquanto cobria a manifestação de quarta-feira.  Matute também foi detido e levado para auma sede regional da Guarda Bolivariana.
"Medidas como essa buscam aprofundar a autocensura, afeando a liberdade de expressão dos venezuelanos", disse o líder sindical.
No final da noite, manifestantes antichavistas atacaram a sede da TV estatal VTV. "Os bombeiros tiveram de apagar as chamas no local", informou a Agência Venezuelana de Notícias. / AP