quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A Justiça e os baderneiros: sobre os movimentos grevistas nas universidades públicas



A Justiça e os baderneiros

Editorial do Jornal O Estado de São Paulo – p. A3 – 04/08/2016

Na mesma semana em que alunos da Unicamp invadiram a reunião do Conselho Universitário para protestar contra o corte do ponto de servidores em greve desde maio e organizaram piquetes para tentar obstruir o início do semestre letivo, o juiz Guilherme Fernandes Cruz, da 9.ª Vara Civil de Campinas, acolheu uma ação por dano moral impetrada pelo professor Serguei Popov, do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica, contra os estudantes que o têm impedido de dar aula, batendo bumbo na sala de aula e apagando o que escreve no quadro negro. O magistrado também determinou a retirada das redes sociais de textos e imagens ofensivas ao docente, sob pena de multa de R$ 1 mil por dia. Foi a primeira vez na história da Unicamp que um professor recorreu à Justiça sem medo das retaliações dos grupelhos radicais. Com a decisão, a maioria dos alunos defendeu o fim de qualquer tipo de protesto e a retomada das aulas.
Infelizmente, atos de baderna não são raros nas universidades públicas paulistas. Desde que um pequeno grupo de alunos e servidores da USP, Unicamp e Unesp entrou em greve, há três meses, portões de acesso aos campi têm sido trancados, prédios administrativos têm sido ocupados e depredados e batucadas impedem os professores de lecionar. Em algumas unidades, o barulho é tanto e as agressões morais são tão violentas que docentes não conseguem permanecer em suas salas.
Nas três universidades públicas estaduais, esses grupelhos de estudantes e servidores manipulados por pequenos partidos de esquerda radical justificam o vandalismo e as agressões morais em nome da luta pela implantação de democracia direta. Segundo eles, suas “intervenções em sala são discutidas coletivamente em assembleia e têm como objetivo central a discussão democrática e a garantia de que nenhum grevista será prejudicado com a aplicação de provas, trabalhos e faltas”.
Numa afronta à ordem jurídica, também afirmam que “as greves por si sós já preveem que as aulas não aconteçam e, portanto, quem insiste em contrariar essa decisão estaria desrespeitando o direito de greve, tentando impor o interesse individual sobre a decisão coletiva e democrática”. E ainda acusam os dirigentes universitários de se negarem a “discutir” as reivindicações. O problema é que, por serem irrealistas, elas foram formuladas para não serem atendidas, dando a esses grupelhos o pretexto para praticar agressões e vandalismos. Apesar da grave crise financeira de todo o setor público, os servidores querem reajustes salariais e mais vagas em creches e os estudantes pedem mais alojamentos e restaurantes. O denominador comum dos protestos das duas categorias é a acusação de que o governo estadual estaria “desmontando” a USP, a Unicamp e a Unesp.
O desgaste das reivindicações e a banalização das agressões, intimidações e ocupações são apenas um dos lados do problema. O outro lado é a invocação de um arremedo de democracia direta como manto que oculta a defesa de ideologias autoritárias e a usurpação, por assembleias controladas por minorias radicais, de direitos e deveres estabelecidos pela Constituição. Qualquer reação das autoridades com base na lei é convertida em denúncia de “criminalização” do movimento estudantil. Qualquer pedido judicial de reintegração de posse é classificado como arbítrio. A tentativa de aplicação de sanções a quem afronta regimentos e leis é denunciada como opressão. E os professores que manifestam nos órgãos colegiados sua indignação com esse estado de coisas se tornam vítimas de ataques à sua honra pelas redes sociais.
No Estado de Direito, demonstrações de intolerância e radicalismo como essas não podem ser toleradas, sob o risco de destruir não só as mais importantes universidades do País, mas, também, as instituições democráticas. Por reafirmar essa lição básica e impedir que minorias radicais continuem tumultuando os campi universitários, a decisão do juiz da 9.ª Vara Civil de Campinas não poderia ter vindo em melhor hora.



terça-feira, 24 de maio de 2016

Proselitismo petista e as instituições



Proselitismo petista e as instituições

Editorial do Jornal Correio Popular – 24/05/16 – p. A3

Mesmo afastado do poder, o petismo não entrega os pontos e se prepara para uma defesa pérfida de seus aliados, visando uma cada vez mais distante possibilidade de volta aos corredores palacianos.
Em Resolução do Diretório Nacional do PT sobre Conjuntura, divulgada na semana passada, os dirigentes conseguiram em poucas linhas expor sua face mais nefasta e perigosa.
Bem ao seu estilo, propõem uma análise crítica sobre os erros do partido no governo, mas rendem-se à falácia de sempre atribuir culpa aos outros ou à inabilidade de não conseguir impor seu desiderato de toda forma e a qualquer custo.
No documento, conseguem levantar a irritação da cúpula do Exército, ao considerar uma falha, não terem modificado o currículo das academias militares e promovido oficiais com “compromisso democrático e nacionalista”.
Com isso, desvelaram a intenção de submeter as Forças Armadas ao seu controle político, descartando o papel institucional de preservação da segurança e da ordem nacional.
Em outras palavras, julgam que o Exército brasileiro deveria estar submetido a seus programas ideológicos, suas intenções de poder que remetem claramente ao padrão que se pode conferir entre os parceiros deste nefasto bolivarianismo, que levou o Brasil à beira de um abismo.
No mesmo balaio ainda explicitam sua raiva contra “a sabotagem conservadora” nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, e propõem fortalecer a “ala mais avançada do Itamaraty” e redimensionar a distribuição de verbas publicitárias.
Não poderia ser outra a reação dos militares, ofendidos em sua competência, ameaçados em sua função, desrespeitados em sua hierarquia, confrontados pela inconstitucionalidade. Entendem os generais que o petismo mostrou suas garras e não medirá esforços para a consecução de seu programa.
O petismo sempre revelou competência para escamotear suas verdadeiras intenções políticas, que passam pelo modelo de totalitarismo que apelidaram bolivariano, mas que é em verdade a expressão do atraso pautado por uma ideologia que nada tem de avanço ou de justiça social.
Disfarçadas no discurso evasivo, metafórico e tortuoso de seu maior expoente, Luiz Inácio Lula da Silva, todas as evidências ficam claras enquanto uma parcela cada vez maior da população avalia o quanto o partido não honra suas promessas, o que, ao final, restou comprovado.
Desmoralizado, atingido em sua base de sustentação corrupta, com seus principais líderes na cadeia ou sob investigação, poucos ainda atribuem qualquer capacidade de reação do lulopetismo. Porém, todo cuidado é pouco.


Nova oposição, velhos ardis


Nova oposição, velhos ardis

Marco Milani*

(Texto publicado no Jornal Correio Popular - Campinas - 24/05/16 - p. A2)


Como já era esperado, desde os seus primeiros minutos o governo Temer começou a receber os petardos ideológicos da rancorosa artilharia vermelha. A munição é bem conhecida: críticas ardilosas objetivando estereotipar o inimigo como uma chaga social.
Acostumados a proclamar exaltados discursos em que se autodeclaram detentores de todas as virtudes ante a falência moral dos adversários, a nova oposição agirá como sempre agiu. Os alvos devem ser rotulados como fascistas, machistas, racistas, homofóbicos, golpistas, xenófobos e qualquer outro adjetivo que os caracterizem como seres execráveis que não podem viver em sociedade, muito menos governá-la.
Tenderão a usar seletivamente e com muito cuidado a palavra “corrupto”, uma vez que ainda está na memória da população a condenação de petistas envolvidos no caso do mensalão e investigados pela Operação Lava Jato.
Paralelamente, atos espalhafatosos promovidos pela presidente afastada ou por militantes para denunciar um suposto golpe de estado ocorrido dentro da lei, contribuem ainda mais para invalidar os argumentos da nova oposição, pois tenta-se desacreditar as instituições do Estado de Direito e são, justamente, essas instituições que devem ser respeitadas em uma democracia.
Em nota emitida recentemente pelo diretório do PT, faz-se uma autocrítica por não se ter conseguido aparelhar as Forças Armadas, o Ministério Público e a Polícia Federal de maneira a impedir o afastamento de Dilma. Ora, essa nota é um exemplo nefasto de manifestação totalitária e evidencia o objetivo revolucionário de inspiração gramsciana. Felizmente, para a democracia, ocorreu a troca de governo a tempo de impedir que o projeto de poder petista estivesse concluído.
Michel Temer tem pela frente grandes desafios em praticamente todas as áreas, mas são os ajustes fiscais que deverão ser priorizados, uma vez que é o ponto central para a recuperação econômica. Porém, que ninguém espere cortes significativos dos gastos públicos e desvinculação de receitas em um primeiro momento.
É um processo lento, mas que a nova oposição não tardará em cobrar a saída imediata da crise provocada pela própria gestão Dilma. Como a recuperação econômica não ocorrerá no curto prazo diante da dimensão do déficit fiscal herdado e do volume de desempregados existentes, então os oportunistas acusarão o presidente interino de incompetente.
Temer, por sua vez, não pode agir com tibieza. O recente recuo da decisão de transformar o Ministério da Cultura em Secretaria de Estado pode indicar algumas fragilidades. Entretanto, ao contrário de Dilma com relação aos envolvidos em denúncias graves, fez bem em afastar o quanto antes Romero Jucá de seu governo. Em uma época de crise, deve-se transmitir segurança e agir com consistência para a consecução dos objetivos definidos. Ele não terá muito espaço para manobras conciliatórias de interesses antagônicos.
Uma vez que se sinalize ao mercado que haverá estabilidade e forte determinação para equilibrar as finanças públicas, então será possível vislumbrar perspectivas mais favoráveis e atrair novos investimentos ao país.
A maioria dos brasileiros está unida e esperançosa nesse sentido. Os velhos ardis da nova oposição continuarão a ser utilizados, mas não terão eficácia se as ações necessárias ao reerguimento socioeconômico forem desenvolvidas.


* Economista. Pós-doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha). Professor da UNICAMP.

domingo, 1 de maio de 2016

Brasil patina porque gasta muito e mal, indica estudo



Brasil patina porque gasta muito e mal, indica estudo

ÉRICA FRAGA
FOLHA DE SÃO PAULO
30/04/2016

A combinação entre gastos públicos elevados e pouco eficientes tem freado o crescimento do Brasil.

É o que indica um estudo do banco Credit Suisse que analisa o patamar das despesas do governo de diferentes países, a expansão de suas economias e os resultados alcançados por suas políticas.

Cálculos feitos pela Folha com base nos dados levantados pelo banco mostram que, nos países emergentes e em desenvolvimento que cresceram 5% ou mais entre 1999 e 2014, em média, o governo geral teve gastos anuais médios de 25% do PIB (Produto Interno Bruto).

Já nas nações com expansão média menor do que 3,5%, as despesas do governo geral foram o equivalente a uma média de 33,3% do PIB.

É nesse grupo de pior desempenho que o Brasil se encontra. Entre 1999 e 2014, a economia brasileira teve expansão de 3,1% ao ano, com gastos do governo em torno de 38% do PIB.



Baixa eficiência

A baixa eficiência das despesas efetuadas pelo governo brasileiro ajuda a explicar o resultado ruim do país. Ou seja, o Brasil gasta muito, mas gasta mal.

A pesquisa do Credit Suisse mostra que o Brasil é o 28º entre 39 países em eficiência dos gastos públicos.

Em áreas como educação e saúde, a situação é ainda pior a posição brasileira cai para 33ª e 34ª, respectivamente.

Os cálculos do banco usam uma metodologia que contabiliza os resultados auferidos pelos gastos dos governos em seis diferentes áreas.

Para avaliar a eficiência da administração pública, por exemplo, a instituição confrontou o consumo do governo como proporção do PIB com indicadores de corrupção, burocracia, qualidade do Judiciário e informalidade.

Em saúde, foram analisados os gastos totais do setor público na área e os índices de mortalidade infantil e expectativa de vida ao nascer.





A área em que o Brasil se saiu melhor em relação aos outros países foi distribuição de renda (com base no índice de Gini). Uma leitura disso é que o país tem avançado na redução da desigualdade gastando relativamente menos do que outros países. Ou seja, as políticas desenhadas têm sido eficientes.

Nas seis áreas, o banco analisou todos os países para os quais os mesmos dados estavam disponíveis. "Os dados indicam que o setor público do Brasil é, de forma geral, pouco eficiente, considerando todos os gastos que têm sido feitos para conseguir certos resultados", diz o economista Leonardo Fonseca, do Credit Suisse.

Outros dois cálculos de eficiência do setor público feitos pela instituição usando diferentes metodologias confirmaram a posição desfavorável do Brasil em relação a outros países emergentes e desenvolvidos.

Crise fiscal

A discussão sobre a necessidade de aumento da eficiência do gasto público no Brasil tem ganhado força, impulsionada pela severa crise fiscal que enfrenta o governo. "Até 2011, 2012, parecia que o país não tinha restrição orçamentária. O governo só aumentava o gasto, como se os recursos não fossem escassos", afirma Paulo Coutinho, economista do Credit Suisse.

O forte aumento dos gastos do governo gerou um rombo nas contas públicas, que contribuiu para a crise econômica. Com o aprofundamento da recessão, a arrecadação tem caído, piorando ainda mais a situação fiscal.




SEM RUMO, POLÍTICAS FAVORECEM MENOS POBRES

O aumento da frequência em creches públicas no Brasil tem sido maior entre crianças das classes média e alta do que entre as de famílias mais pobres.

Entre os 10% mais ricos, o percentual de crianças atendidas saltou de 1% para 6% do total entre 2001 e 2014.

Na classe média (que engloba famílias entre o 4º e o 7º decil da distribuição de renda), a cobertura, que em 2014 variava de 20% a 21%, em 2001 era de 5% a 7%.

No caso das crianças que estão entre os 10% mais pobres, a fatia das que frequentam creches públicas saltou de 6% para 14% do total.

Os dados levantados pela equipe do economista Ricardo Paes de Barros, titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna, no Insper, e colaborador para a área social de um eventual governo Michel Temer, indicam que, se a tendência continuar, o desequilíbrio que existe na distribuição de vagas crescerá.

A expansão das vagas em creches públicas é um exemplo de gasto social que aumentou no Brasil, mas corre o risco de não atingir seu principal público-alvo.

Políticas pouco eficientes acabam não contribuindo para o desenvolvimento econômico do país. Por isso cresce o coro de economistas que defendem a necessidade da criação de mecanismos para avaliação da eficiência dos gastos governamentais.

Esse debate ganhou atenção por causa da sinalização de Temer de que adotará medidas nessa direção caso assuma o governo.

A principal pergunta a que avaliações devem responder, segundo pesquisadores, é: o objetivo esperado tem sido atingido?

O problema é que, muitas vezes, nem o objetivo de certas políticas é claro. "Hoje no Brasil uma pessoa tem uma ideia de política, ela é implementada, e a avaliação é feita contando só o número de beneficiários. Isso não é avaliação de impacto. A sociedade precisa entender isso", diz Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper.

O economista Paulo Coutinho, do Credit Suisse, ressalta que o Brasil se destaca na produção de dados. "Falta utilizá-los para fazer avaliações muito mais frequentes."

Esse é o caminho, diz, para aumentar a eficiência do gasto público no país.

A partir das avaliações, seria possível decidir que políticas precisam ser focalizadas em grupos sociais mais vulneráveis, assim como áreas em que o setor privado pode atuar de forma mais eficiente do que o governo.


Links no texto:

Crescimento dos gastos médios do governo (em % do PIB) Por grupos de países conforme crescimento econômico (entre 1999 e 2014)*
http://arte.folha.uol.com.br/graficos/2iLY1/?w=620&h=465

Eficácia de gastos públicos no Brasil é baixa Nível de eficiência*
http://arte.folha.uol.com.br/graficos/l10T2/?w=620&h=1170

SAÚDE TEM DESEMPENHO RUIM Posição do Brasil por área, entre as 39 economias
http://arte.folha.uol.com.br/graficos/CQZbD/?w=620&h=350

FONTE:


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Juros e fantasias econômicas


Juros e fantasias econômicas

Marco Milani*

(Texto publicado no jornal Correio Popular - Campinas - 25/04/16 - p.2)

No Brasil, é comum nos depararmos com críticos do pagamento do serviço da dívida pública, a qual representa cerca de 45% do Orçamento Geral da União. Supõem ser esse compromisso um dos responsáveis diretos pela crise econômica ao restringir investimentos em áreas essenciais para o desenvolvimento do país. Alegam que os juros da dívida são extorsivos e destinados a enriquecer banqueiros e poucos investidores.
Àqueles que desconhecem o funcionamento da economia e são movidos por paixões utópicas, esse discurso de demonização financeira parece fazer sentido. Acreditam que, ao criticar os juros, estão lutando contra o capitalismo, o inimigo de todas as horas para um mundo mais justo. Entretanto, em uma reflexão mais próxima da realidade, essa argumentação mostra-se falsa e alienante.
Em operações totalmente regulares e fiscalizadas, o Tesouro Nacional capta recursos para financiar o déficit orçamentário do Governo Federal. Para isso, pode emitir títulos públicos para que pessoas físicas ou jurídicas comprem esses papeis com a expectativa de serem remuneradas a taxas definidas em determinado período.
O risco envolvido nessas operações está atrelado à capacidade do devedor (governo) em honrar seus compromissos e isso é refletido nos níveis de juros contratados. Adicionalmente, quanto maior o grau de segurança jurídica nessas negociações e maiores as taxas oferecidas, maior a atração para que investidores comprem esses títulos e transfiram recursos aos cofres públicos.
Aproximadamente metade dos credores do governo é formada por fundos de investimento e, ao contrário do que a insensatez ideológica dissemina, os proprietários desses fundos não são os grandes bancos, pois esses somente administram esses fundos. Os verdadeiros donos podem ser você, eu, seus pais, seus vizinhos ou qualquer um que tenha recursos, ainda que modestos, aplicados em instituições financeiras. As instituições financeiras respondem por cerca de um terço do total de credores.
Destaca-se, também, que muitos fundos de pensão lastreiam suas aplicações em títulos públicos. Isso significa que a aposentadoria de milhares de trabalhadores depende da estabilidade e rentabilidade desses fundos.
Assim, deixar de pagar ou tentar renegociar o pagamento do serviço da dívida, como propõem os críticos utópicos achando que punirão os ricos, é uma insensatez atroz, pois implicaria em dar o calote em todos os credores, incluindo os pequenos e médios investidores e aposentados. O maior impacto, entretanto, seria a imediata suspensão do fluxo de recursos do mercado para o governo, paralisando novas captações e abalando a credibilidade do país nos cenários interno e externo.
 Não existem operações de financiamento em que o governo seja uma vítima ingênua de desalmados investidores. É o Tesouro Nacional quem procura os investidores e estabelece as taxas de juros contratuais porque necessita de caixa.
Se a administração pública é eficiente e eficaz na alocação de recursos, isso já é outra questão...

* Economista. Pós-doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha). Professor da UNICAMP.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Getting inequality wrong - by Emmanuel Martin


Getting inequality wrong

by Emmanuel Martin

Thomas Piketty captured something essential in the post-Lehman mood with his study of income and wealth differentials in the developed world. More’s the pity that his policy recommendations are misguided, in part because he missed the worst kind of inequality.
During periods of economic crisis and slow growth, concerns about inequality loom larger than in times of prosperity. This was true after the 2008 financial collapse, when movements like Occupy Wall Street mobilized to fight the so-called 1 percent that was supposedly robbing the other 99 percent of society.
The post-crisis preoccupation with inequality found its most vivid analytical expression in the work of the French economist Thomas Piketty. When the English translation of his Capital in the Twenty-First Century was published in 2014, the weighty academic tome received almost reverential treatment from many readers (usually on the left), but also very rapidly stirred up a heated professional debate.
On one level, the work was nearly perfectly in tune with the sensitivities of the post-crisis era, when Oxfam, the United Kingdom-based development charity, could shock the public with a world poverty report claiming that 62 billionaires controlled as much wealth as the poorest 3.6 billion members of humanity. Mr. Piketty even figured in the United States presidential race when he endorsed Senator Bernie Sanders, a contender for the Democratic nomination.
Because Mr. Piketty’s book encapsulates so many of the ideas and policies behind the “fight against inequality,” the professional critiques of its arguments repay close analysis. They reveal much that is misleading or mistaken in current thinking on the subject, along with more dangerous aspects of inequality that have been neglected.

Grand theory

The central idea of Capital in the Twenty-First Century is that capitalism naturally generates a vicious circle of inequality. Because capital incomes grow faster than the economy (and thus wages), the rich can only get richer.
The author warns that inequality in both incomes and wealth is returning to levels not seen since the Gilded Age of the late 19th century. The inequality trend described by Mr. Piketty has a “U shape,” suppressed from the 1930s to the 1970s by the effects of two world wars, the Great Depression and “progressive” tax policies that equalized incomes and wealth.
Deregulation and the adoption of more free-market policies in the 1980s then made inequality rise again, according to this argument. Slower economic growth in the 21st century has brought matters to a head, by increasing the differential between the growth rate of capital incomes (“r”) and that of the economy (“g”). As Mr. Piketty’s “fundamental inequality” of r>g diverges ever more rapidly, his main policy solution is to impose more taxes on the rich – for example, an 80 percent top marginal rate on income and a global wealth tax to discourage evasion and “optimization.”

Gloomy vision

The common thread of Oxfam’s or Mr. Piketty’s analysis is a vision of the economy as a zero-sum game in which one man’s gain is another’s loss, reminiscent of a Marxist class struggle. In such a “fixed-pie” economy, social mobility is minimal. The rich are rentiers who automatically collect capital gains or super-managers siphoning money from shareholders. The poor cannot accumulate capital and indeed should not, because in their case investing is too risky a game. In the real world, things are quite different. The economy is not a fixed pie. Mobility exists in both directions, meaning that the rich can go broke. Capital accumulation is far from automatic and usually requires some talent. The rich are not only heirs to vast fortunes but, more and more often, successful entrepreneurs and managers who create value for their companies, their customers and society. Creative destruction means that industry leaders must continually remake themselves or perish, like Kodak and Borders. New rich people emerge with the expansion of economic opportunities. In reality, poor people accumulate capital and exit poverty, as the basic theory of development economic holds; all successful developing countries follow this path. The lot of the world’s poor has never been better, as shown by the dramatic convergence of life expectancy and access to consumer goods, education and healthcare. All the evidence points to decreasing inequality on the global level, combined with increasing social mobility and a bigger economic “pie.” The theoretical assumptions required to make Mr. Piketty’s model of cumulative divergence work have been severely criticized by such economists as Matthew Rognlie. Other researchers have shown the absurdity of the cumulative process he describes, which would logically lead to the 1 percent seizing all available wealth in less than a generation.

Suspect data

Even as Capital in the Twenty-First Century won praise for its empirical scope, many researchers took issue with its statistical apparatus. For example, figures drawn from Internal Revenue Service forms are meaningless unless one takes into account the evolution of the U.S. tax system.
Changes in tax law during the 1980s had a profound impact on income declarations. Lower marginal income tax rates meant companies could pay more in wages and less in other forms of compensation, while affluent taxpayers were more likely to declare income on their individual IRS forms rather than keep it in special-purpose companies enjoying lower tax rates.
Similarly, lower taxes on dividend income encouraged investors to invest in higher-risk, higher-yield assets.
To look at income through tax data is to risk succumbing to an optical illusion. Mr. Piketty’s other questionable decisions are to include housing assets in “wealth” (ignoring distortions created by scarcity-generating urban policies), omit redistributions and other public benefits from poor peoples’ incomes, use an inappropriate deflator to account for the evolution of prices and real incomes, and ignore changes in household size and structure.
Each of these “selection choices” has been shown to bias the study’s results. If corrected, the cumulative rise in U.S. median household income would amount to 36 percent between 1979 and 2007 – not 3 percent, as the French economist claims. Other economists have criticized the inconsistent methodology used to help make Mr. Piketty’s inequality curve “stick” to its U-shaped pattern, along with his inclusion of the communist world in an analysis supposedly devoted to capitalism.
Most problematic of all may have been the failure to perform any econometric tests of the r>g theory; other researchers who used various sets of data have not been able to verify its accuracy.

Procedural inequality

Policies based on such unreliable data should be treated with extreme caution. Radical tax policies, including a global levy to combat inequality, would inevitably destroy the incentives to create wealth and thus lead to increased poverty.
Yet this is not to say that inequality is a matter of indifference for economic development. In fact, there is a category of inequality that seriously inhibits wealth creation and the reduction of poverty.
Oddly, it is rarely given much attention by advocates of social justice. Their nearly exclusive focus on inequality in outcomes (wealth and income) causes them to overlook the importance of inequality in procedures – the economic and social rules that favor certain groups or professions over others.
From the standpoint of economic growth and political stability, this form of inequality is much more pernicious than differences in wealth or income. Using links to political power for economic gain is the most pervasive example of such inequality. It can take the form of connections allowing preferential treatment, shielding a form of “corporatism” from exposure to market competition.
Recent examples include the violent protests of licensed taxi drivers against Uber and the privileges enjoyed by public employees versus their private-sector counterparts in Greece and France. It is all too easy for politicians to protect the income and status of well-organized groups by spending taxpayers’ money.
Such collusion undermines the rule of law and institutionalizes inequality. It distorts incentives for insiders (by fostering rent-seeking) and for outsiders (by discouraging honest effort). Inequality that derives from process rather than outcome fundamentally skews the rules of the game. In some countries, institutional collusion has become so pervasive that the economy’s main function is to extract wealth for the benefit of a few.
Sometimes these privileges can be much more subtle. In Mr. Piketty’s own country, giving favors to “national champions” such as Minitel or Bull is almost part of the DNA. This has seldom worked to the benefit of the French economy.
Procedural inequality is illustrated by the “social privileges” enjoyed by a caste of civil servants and employees at state-owned companies, along with members of “closed professions” such as notaries.
Perhaps the worst offenders are elected public officials, whose avid collection of perks has fueled a populist backlash against the political establishment.
The financial crisis and recent developments in the global economy (especially the rise of a state-subsidized renewable energy industry) have created new opportunities for cronyism. In the U.S., big food and drug companies are regularly accused of regulatory capture of the Food and Drug Administration (FDA).
Such procedural inequality can stifle competition and innovation by excluding small businesses – all with the government’s stamp of approval.

Blowing bubbles

Such political connections extend to the heart of our financial system. To a large extent, central banks have used unconventional monetary policies to abolish the price of time.
The result has been a “great deformation” of capitalism that misdirects investment into a bubble economy and discourages savings amid a prevalent attitude of short-termism.
This collusion between central banking authorities, big banks and politicians is profoundly disturbing. It corrupts the basic allocation of capital and labor in modern society by making irresponsible banks “too big to fail” and shielding irresponsible governments from accountability and default. In this sense, the Occupy Wall Street protesters were right – if only they had looked beyond greedy “banksters.”
The unmistakable effect of cronyism in the financial/monetary nexus has been to expand the gap between rich and poor.
Financial markets on monetary steroids allow investors to artificially multiply their wealth, while the less fortunate must be content with zero interest on their savings.
Curiously, inequality fighters are prone to applaud such monetary policies.

Wrong answers

The current policy debate largely ignores the crucial distinction between outcome- and process-derived inequality. Instead, in countries such as France, people just want their fair share of privileges.
Economy Minister Emmanuel Macron was one of the rare politicians willing to tackle the problem of closed professions, but his efforts were hamstrung by an almost worshipful attitude toward status, which is nothing more than institutionalized procedural inequality.
People with this mindset tend to blame their problems on “market capitalism” rather than “crony capitalism.”
Instead of openness and transparency, they want even more protection. This mentality is making a comeback even in America, as both the Republican and Democratic presidential primaries demonstrate.
Donald Trump wants to erect a wall to protect white Americans from “dishonest” Mexican competition. Bernie Sanders wants the top 1 percent to pay back the struggling middle class. In the end, both want to entrench procedural inequality.
Since inequality has become a fundamental political issue, its hijacking by populists does not bode well for the stability of Western democracies.
Building protective walls and chanting “eat the rich” will not do much to level the playing field. - See more at: http://www.austriancenter.com/2016/04/08/getting-inequality-wrong/#sthash.17iS9YBh.dpuf