sábado, 22 de novembro de 2014

PeTrobrás: o vazamento da corrupção não para...


Líder do PT, Humberto Costa teria recebido R$ 1 milhão...

Fonte: Folha de SP

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou em depoimento à Justiça que o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), recebeu R$ 1 milhão do esquema de fraudes envolvendo a estatal, informa a edição deste domingo (23) de "O Estado de S. Paulo", que está nas bancas.
Segundo o jornal, a citação foi feita em depoimento sigiloso que integra a delação premiada assinada pelo ex-diretor, por meio da qual ele espera ter sua pena reduzida.
O jornal afirma que, segundo Paulo Roberto, o dinheiro a Costa foi solicitado pelo empresário Mário Barbosa Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (Assimpra).
Paulo Roberto teria dito que o dinheiro saiu da cota de 1% do PP. Segundo o jornal, o ex-diretor não soube informar como ocorreu o repasse do dinheiro, mas declarou que o empresário lhe confirmou o pagamento.
Procurado pela Folha, o líder do PT classificou de "totalmente fantasiosa" a acusação de que teria recebido R$ 1 milhão do esquema.
Ele disse que não tem qualquer relação com algum integrante do PP que pudesse intermediar alguma arrecadação para ele. "Essa [acusação] é totalmente fantasiosa. Como o PP mandou passar uma cota ? Não tenho relação com ninguém do PP. A matéria não diz se é uma doação oficial, quem levou, de onde saiu".
Costa afirmou que deve divulgar uma nota à imprensa neste domingo rebatendo pontos da reportagem. O senador disse que recebeu, na campanha de 2010, R$ 150 mil em doações feitas pelo empresário Mário Barbosa Beltrão, de quem é amigo desde a adolescência.
Mário Beltrão, segundo o "Estado", chamou as acusações de "leviandades" e negou ter pedido dinheiro à campanha para o ex-diretor da Petrobras.
Alguns nomes de uma lista de parlamentares que teriam sido beneficiados do esquema de corrupção na Petrobras veio à tona. Entre eles, estaria a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), já morto. Gleisi negou as acusações.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Governo bolivariano impõe cotas para roupas


Governo venezuelano avança no controle do comércio

O presidente venezuelano Nicolás Maduro continua mantendo a sua política de controlar as compras dos consumidores no país. Recentemente, foi instituída a cota para compra de roupas na Venezuela, pela qual a população chega a esperar até um mês e a ser submetida a respeitar as cotas individuais instituídas. Para tanto, senhas são distribuídas para que os consumidores tenham acesso a compra limitada das vestimentas.
As lojas estão aceitando a imposição desses limites também devido a escassez dos produtos, além dos problemas cambiais que estão encarecendo as importações, uma vez que o Governo vem tentando evitar a saída de dólares do país. Ressalte-se que o cartão de crédito está sendo controlado, por meio da obrigatoriedade de apenas uma operação comercial para cada 30 dias.
Além dessas ações, também está sendo restringido e proibido o comércio por parte ambulantes (camelôs) em várias cidades da Venezuela. Foi instituída a Lei Orgânica de Preços Justos, emitida em 25 de outubro, atuando sobre os ambulantes e definindo que as autoridades devem fazer inspeções, verificação e o que for necessário nos estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços em todo o território para evitar o que considera vendas ilegais[2].
Estão sendo impedidas as vendas de alimentos e insumos básicos, como azeites vegetais, arroz, fubá, farinha de trigo, maionese, ketchup, enlatados, mortadela, queijo, batata, leite, café, açúcar, manteiga, massas, ovos, sal, frangos, ervilhas, feijão, produtos de higiene pessoal e domésticas, sabonetes, creme dental, papel higiênico, fraldas descartáveis, shampoo, detergentes, desinfetantes, navalhas (aparelhos de barba) e pinturas para cabelos. As pessoas estão reclamando, pois estes produtos estão escassos nos supermercados, logo, os ambulantes se tornaram um caminho para vencer o desabastecimento dos produtos mais básicos.
Os vendedores estão se mobilizando, apresentando–se revoltados, pois consideram a atitude uma tentado ao direito de trabalho, já que o desemprego é grande no país e, além de vencerem esse problema, eles se mostram como uma alternativa viável para o consumo da população. Ademais, calcula-se que, aproximadamente,  200.000 pessoas vivem da venda de alimentos nas ruas.
Uma pesquisa da empresa Hinterlaces apontou, contudo, que a maioria de 78% dos entrevistados (de uma amostra de 1.200) apoiou a medida do Governo de proibir as vendas. Vários analistas, no entanto, tomam tais resultados com reservas, uma vez que há controle de vários setores e atividades por parte do Governo, de forma que possa estar havendo distorções nos resultados, causadas por problemas metodológicos na aplicação da pesquisa. Observadores acreditam que a medida contra os ambulantes pode levar ao surgimento de uma nova frente de manifestações, impulsionando outras ações da sociedade nas ruas em futuro breve.



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Dilma e a corrupção na Petrobrás


Dilma se beneficiou de desvios na Petrobras, diz Aloysio

Reportagem: Gabriel Castro

     O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), disse nesta segunda-feira que a presidente Dilma Rousseff se beneficiou diretamente dos desvios na Petrobras revelados pela Operação Lava Jato. “A presidente se beneficiou politicamente porque esse esquema de corrupção da Petrobras, a exemplo do mensalão, é uma forma de formar maioria parlamentar, arrumar apoio político para sua eleição, de somar tempo de rádio e televisão”, disse ele.
     Apesar de ressalvar que não há provas de enriquecimento pessoal da chefe do governo, o tucano afirmou que a corrupção na Petrobras mostra que os desvios eram parte do método petista de governar, uma espécie de “política de estado para formar maioria parlamentar”.
Aloysio esteve numa passeata que pedia o impeachment da presidente, em São Paulo, no sábado. Ele diz, entretanto, que é preciso produzir provas “muito contundentes” antes de iniciar um eventual processo de cassação.
     O tucano também afirmou que a base aliada não terá argumentos para impedir novamente a convocação de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras que foi preso na sexta-feira. “Depois dos fatos desse último fim de semana, penso que a base governista não terá condições políticas nem morais de impedir aquilo que nós já tentamos fazer na semana passada, que é a convocação de Renato Duque, Sérgio Machado e Leonardo Meirelles”. Machado é o diretor licenciado da Transpetro. Meirelles é diretor do Labogen, um laboratório do doleiro Alberto Yousseff que era usado para movimentar dinheiro sujo. Na semana passada, a base aliada manobrou para impedir a convocação do trio.
     Já líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), descartou aprovar um requerimento de convocação de Duque. Antes mesmo de saber se o depoente pretende colaborar, o senador disse que a convocação seria inútil: “Tenho clareza de que simplesmente transportar de um ponto para outro um preso eu entendo que essa não é a melhor forma de investigar”, afirmou.



domingo, 16 de novembro de 2014

O desculpismo petista em nível global


O desculpismo petista em nível global:
Dilma acusa países ricos pelo déficit externo


Presidente diz no G-20 que falta de força das economias avançadas não gera demanda


A conhecida terceirização de responsabilidades praticada pelo PT novamente foi exposta ao mundo. No encontro do G20 ocorrido em Brisbaine, Austrália, nos dias 15 e 16/11/14, a excelentíssima presidente Dilma Rousseff repetiu a ladainha amplamente divulgada no período eleitoral: a culpa pela crise econômica do Brasil é dos outros países, especificamente dos ricos.
Supondo estar se dirigindo aos militantes petistas, a fala de Dilma é vitimista, acusando a falta de demanda externa dos países desenvolvidos como a causa dos problemas das nações emergentes. A mandatária ainda apontou que os estímulos internos usados pelos países ricos para favorecer as próprias exportações depreciaram as commodities, prejudicando o Brasil.
A leitura econômica da presidente é patética. Pinta um quadro idílico sobre o contexto brasileiro e tenta justificar todas as mazelas que o país padece a fontes externas. Já não fosse contraditório unir no mesmo discurso realidades antagônicas (como pode estar tudo bem se temos problemas?), ainda extrapola a noção de luta de classes para uma luta de nações ricas e pobres. Só faltou chamar os demais países de racistas, machistas e integrantes da elite paulista de olhos azuis. Talvez isso estivesse no discurso, mas algum assessor deve ter cortado a tempo por se lembrar que se tratava de outro público.
Outro argumento que envergonharia qualquer brasileiro consciente na plateia foi o de que o Brasil estaria fazendo a parte dele para a recuperação da economia mundial pós-crise de 2008 (já estamos quase em 2015...) ao apresentar um déficit de transações correntes de 3,7% do PIB. Ora, o déficit recorde decorre da falta de competitividade dos produtos nacionais considerando o alto custo Brasil. Se tivéssemos infraestrutura adequada e investimentos na produção e distribuição dos produtos, ao invés de simples subsídios para alguns setores, certamente o quadro seria bem mais favorável.
Assim, senhora presidente, se estamos importando mais do que exportando não é porque queremos, mas porque o país não está conseguindo inverter essa situação.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Muro de Berlim não foi um acidente histórico


O Muro de Berlim não foi um acidente histórico

Juan Ramón Rallo*

A derrubada do Muro de Berlim há 25 anos corre o risco de se converter em uma mera efeméride sobre um passado quase pré-histórico em vez de uma valiosa recordação sobre os horrores do socialismo real.
Como é próprio da história, o passar do tempo tende a suavizar — e até mesmo a ofuscar — as causas dos eventos e a ser mais cordial e tolerante com os responsáveis diretos.
Olhar friamente os relatos históricos dá a entender que o Muro foi apenas um pitoresco acidente histórico, uma frivolidade feita por um regime megalômano — uma frivolidade sem nenhuma conexão com o substrato ideológico desse regime.
No entanto, o muro da vergonha socialista não foi nenhum acidente histórico: foi, isso sim, a consequência natural e inexorável de uma ideologia que institucionalizava a exploração do homem pelo homem, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, dizia estar abolindo essa exploração.
Houve — e ainda há — vários outros muros socialistas diferentes do berlinense: os controles de circulação e a restrição à concessão de passaportes — além das barreiras naturais, como estar cercado por um oceano — são, em muitos casos, cárceres tão ou mais eficazes que a barreira alemã.
Pois a exploração — a verdadeira exploração, aquela baseada na repressão sistemática da liberdade — é forçosamente indivisível da ditadura do proletariado: não porque a ditadura reconhece sem ambiguidades qual deve ser o destino dos não-proletários, mas sim porque, inclusive dentre os proletários, existem várias divergências de interesses entre eles, divergências essas que a ditadura socialista só pode resolver por meio da coerção estatal — isto é, chancelando e exercendo o uso da força policial e militar em prol de alguns proletários e em detrimento de outros proletários (na realidade, em prol dos quadros com maior poder dentro da burocracia socialista e em detrimento do coletivo dos proletários).
E todo regime assentado sobre a selvagem escravização do homem pelo homem terá de erigir muros para impedir que os escravos fujam do jugo de seus senhores, especialmente quando existem sociedades muito mais livres ao redor.
O jornalista alemão Eugen Richter já havia entendido isso 70 anos antes da construção do muro, de modo que ele foi capaz de antecipar de maneira incrivelmente presciente que a eventual implantação do socialismo na Alemanha seria seguida, necessariamente, por um rígido controle de fronteiras que impediria as pessoas de fugir e as obrigaria a continuar sendo exploradas como gado pelo estado.
Em sua distópica novela Imagens de um Futuro Socialista, Richter escreveu:

Dado que os jovens já receberam a adequada doutrinação de nossas instituições socialistas, e dado que lhes foi ministrado o honorável propósito de dedicar todas as suas energias ao serviço da comunidade, rapidamente deixaremos de necessitar de todos esses burgueses e aristocratas [que querem deixar o país].  No entanto, todos eles têm a obrigação de ser retidos dentro do país. (...) O governo [socialista] faz bem em impor implacavelmente medidas para evitar a emigração.  Par que essas medidas sejam eficazes, é imprescindível enviar tropas para as fronteiras e para os portos.  A fronteira com a Suíça vem recebendo atenção especial por parte das autoridades.  Já foi anunciado que a vigilância foi intensificada e que as patrulhas foram incrementadas em vários batalhões de infantaria e cavalaria.  Essas patrulhas têm ordens estritas para disparar indiscriminadamente contra todo e qualquer fugitivo.

Sem um celeiro de cobaias não há paraíso socialista.  Por isso, os muros de contenção são imprescindíveis: não para evitar que as "massas depauperadas pelo capitalismo" emigrem em debandada para os paraísos socialistas, mas sim para evitar que as "massas enriquecidas pelo socialismo" sejam tentadas a fugir para o inferno da exploração capitalista.
Hoje, lamentavelmente, alguns países capitalistas optaram por levantar barreiras para impedir que populações estrangeiras busquem melhorar suas expectativas de vida em seu solo.  No entanto, os países socialistas foram os únicos que tiveram de recorrer a muros físicos para reter a sua própria população.  Nem mesmo a República Democrática da Alemanha, o mais rico entre os países socialistas, foi suficientemente atraente para evitar que mais de 200.000 berlinenses cruzassem anualmente as fronteiras antes da construção do Muro.
O livre mercado se baseia na livre cooperação humana por meio de contratos voluntários; contratos que, por serem voluntários, são mutuamente benéficos para ambas as partes.  O socialismo, por sua vez, se fundamenta integralmente na coerção: na exploração violenta do homem pelo homem.  O Muro não foi uma gafe histórica.  Cada socialismo requer seu próprio muro, seu próprio cárcere.

* Juan Ramón Rallo é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.

Fonte: Instituto Mises Brasil - http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1970


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Doleiro confirma envolvimento do PT


Doleiro confirma elo da Lava Jato com o mensalão do PT

Ricardo Brandt - OESP

À Justiça, AlbertoYoussef afirmou que ex-deputado mandava repassar propinas a “agentes políticos”.

O doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, confirmou ontem à Justiça Federal o elo do mensalão do PT com o esquema de corrupção e propinas na Petrobrás. Ele disse que mantinha uma conta corrente conjunta com o ex- deputado José Janene (PP-PR) - morto em 2010 -, responsável pela indicação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da estatal petrolífera, em 2004.
Youssef declarou que, por orientação de Janene, repassava valores a "agentes públicos" e "agentes políticos" e usava para isso um segundo doleiro, Carlos Habib Chater, dono do Posto da Torres, em Brasília, para entregar o dinheiro. Ele disse que parte da quantia vinha do caixa de construtoras.
O Juiz Sergio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, perguntou a ele qual a origem do dinheiro. "Comissionamento de empreiteiras", declarou Youssef. O juiz perguntou: "Decorrente de contratos com a administração pública, em geral propinas?" Youssef respondeu: "Sim senhor, Excelência."
"Tudo o que o seo Janene precisava de recursos ele pedia a mim e eu disponibilizava", contou Youssef. "Às vezes essa conta ficava negativa, às vezes ficava positiva. Na verdade nessa conta também ia recurso para outras pessoas, não que eu administrasse os recursos dessas outras pessoas, mas eu via esse caixa como caixa do partido, o Partido Progressista."
O doleiro não citou nome de nenhum agente público ou agente político. Tais nomes ele já citou em acordo de delação premiada que ainda terá de ser homologado pela Justiça.
Youssef é réu em cinco ações penais da Lava Jato na Justiça Federal no Paraná. Em uma ação, ele é acusado de ter participado da lavagem de R$ 1,16 milhão do mensalão do PT através de investimentos em uma empresa de equipamentos industriais situada em Londrina (PR). A ação penal em que Youssef depôs ontem trata da ligação do doleiro com o ex-deputado Janene e com o doleiro Carlos Habib Chater.
Youssef afirmou que Janene investiu na empresa de Londrina por meio de outra companhia ligada a ele, a CSA Project. Essa firma foi usada para receber recursos do fundo de pensão da Petrobrás, a Petros, alvo da Lava Jato.



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O monopólio das virtudes


O monopólio das virtudes

Marco Antonio F. Milani Filho*

(texto publicado no Jornal Correio Popular - edição impressa de 10/11/14 - p.2)

Após a acirrada corrida eleitoral, um dos resultados mais perceptíveis é a constatação de que há algo no ar que necessita ser esclarecido e esse algo está relacionado aos discursos proferidos por quem deseja semear a discórdia e o conflito social. Desde quando pensar ou fazer escolhas diferentes significa dividir? Se assim fosse, não existiria uma nação na face da Terra. Indivíduos possuem perspectivas e preferências que não são, necessariamente, as mesmas de todos. Apenas para aqueles que possuem o conceito totalitário de que a convivência social deva ser precedida pela homogeneidade de pensamentos e escolhas é que surge a imagem da divisão, simplesmente porque nem todos pensam como eles.
Obviamente, valores e princípios universais como o respeito à dignidade humana devem ser comuns, mas devemos ter a liberdade de concordar ou discordar daquilo que achamos, respectivamente, correto ou incorreto, verdadeiro ou falso, justo ou injusto. Semear o ódio entre vencedores e perdedores de uma eleição democrática é o exemplo de imaturidade política e debilidade cívica. Por uma questão de liberdade de consciência, em momento algum devemos compactuar com o que não considerarmos digno, como a corrupção, por exemplo, sob a pena de sermos considerados omissos e cúmplices.
Há, entretanto, um perigoso viés ideológico disseminado em determinadas linhas de pensamento que desejam monopolizar as virtudes e demonizar quem não compartilha da mesma visão de mundo. Nenhum partido político ou sistema de governo é a encarnação do bem e nem os opositores representam o mal. Trata-se de um discurso maniqueísta que lamentavelmente tenta disseminar a divisão de um povo para poder atrair a ilusão de legitimidade para calar ou oprimir quem pensa diferente. Esse é um risco real que enfrentaremos se aqueles que estão no poder contribuírem com a disseminação de ideias anacrônicas que pregam o ódio e uma suposta luta de classes, de gênero, de raça ou de orientação sexual. O discurso de ódio é justamente esse que prega a divisão da população em categorias antagônicas e excludentes para identificar e expurgar os diferentes, tal qual a humanidade já viu acontecer em várias guerras fraticidas em defesa do “bem do povo”. A história é testemunha de milhões de mortes em nome de uma concepção exclusivista do que seria a justiça social.
A busca partidarizada pela formação do senso comum e, consequentemente, pelo pensamento hegemônico é preocupante, pois cerceia-se a liberdade de opinião e procura-se estabelecer o que deve ser aceito e repudiado pela população em geral. O grupo que obtiver sucesso nesse intento preparará o terreno para a sua perenidade no poder e implantação de sua agenda ideológica.
Se tivermos que combater alguma coisa, que essa seja a virulência e nocividade das propostas dualistas que objetivam determinar o comportamento de quem está certo (nós, os justos) e quem está errado (eles, os injustos) conforme os interesses daqueles que as formulam. Não precisamos de justiceiros sociais monopolizadores de virtudes sob a égide de ideologias totalitárias, mas de indivíduos com liberdade de expressão e oportunidades de desenvolvimento em um estado de direito.


* Economista. Pós-Doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha). Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.

Fonte: http://correio.rac.com.br/jornal_impresso