segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O monopólio das virtudes


O monopólio das virtudes

Marco Antonio F. Milani Filho*

(texto publicado no Jornal Correio Popular - edição impressa de 10/11/14 - p.2)

Após a acirrada corrida eleitoral, um dos resultados mais perceptíveis é a constatação de que há algo no ar que necessita ser esclarecido e esse algo está relacionado aos discursos proferidos por quem deseja semear a discórdia e o conflito social. Desde quando pensar ou fazer escolhas diferentes significa dividir? Se assim fosse, não existiria uma nação na face da Terra. Indivíduos possuem perspectivas e preferências que não são, necessariamente, as mesmas de todos. Apenas para aqueles que possuem o conceito totalitário de que a convivência social deva ser precedida pela homogeneidade de pensamentos e escolhas é que surge a imagem da divisão, simplesmente porque nem todos pensam como eles.
Obviamente, valores e princípios universais como o respeito à dignidade humana devem ser comuns, mas devemos ter a liberdade de concordar ou discordar daquilo que achamos, respectivamente, correto ou incorreto, verdadeiro ou falso, justo ou injusto. Semear o ódio entre vencedores e perdedores de uma eleição democrática é o exemplo de imaturidade política e debilidade cívica. Por uma questão de liberdade de consciência, em momento algum devemos compactuar com o que não considerarmos digno, como a corrupção, por exemplo, sob a pena de sermos considerados omissos e cúmplices.
Há, entretanto, um perigoso viés ideológico disseminado em determinadas linhas de pensamento que desejam monopolizar as virtudes e demonizar quem não compartilha da mesma visão de mundo. Nenhum partido político ou sistema de governo é a encarnação do bem e nem os opositores representam o mal. Trata-se de um discurso maniqueísta que lamentavelmente tenta disseminar a divisão de um povo para poder atrair a ilusão de legitimidade para calar ou oprimir quem pensa diferente. Esse é um risco real que enfrentaremos se aqueles que estão no poder contribuírem com a disseminação de ideias anacrônicas que pregam o ódio e uma suposta luta de classes, de gênero, de raça ou de orientação sexual. O discurso de ódio é justamente esse que prega a divisão da população em categorias antagônicas e excludentes para identificar e expurgar os diferentes, tal qual a humanidade já viu acontecer em várias guerras fraticidas em defesa do “bem do povo”. A história é testemunha de milhões de mortes em nome de uma concepção exclusivista do que seria a justiça social.
A busca partidarizada pela formação do senso comum e, consequentemente, pelo pensamento hegemônico é preocupante, pois cerceia-se a liberdade de opinião e procura-se estabelecer o que deve ser aceito e repudiado pela população em geral. O grupo que obtiver sucesso nesse intento preparará o terreno para a sua perenidade no poder e implantação de sua agenda ideológica.
Se tivermos que combater alguma coisa, que essa seja a virulência e nocividade das propostas dualistas que objetivam determinar o comportamento de quem está certo (nós, os justos) e quem está errado (eles, os injustos) conforme os interesses daqueles que as formulam. Não precisamos de justiceiros sociais monopolizadores de virtudes sob a égide de ideologias totalitárias, mas de indivíduos com liberdade de expressão e oportunidades de desenvolvimento em um estado de direito.


* Economista. Pós-Doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha). Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.

Fonte: http://correio.rac.com.br/jornal_impresso

sábado, 8 de novembro de 2014

Economistas sugerem medidas para sair da crise


Economistas dão sua receita para o Brasil voltar a crescer

por Comunicação Millenium

Os economistas Alexandre Schwartsman, Luiz Carlos Mendonça de Barros e Delfim Netto podem ter pontos de vista distintos sobre muitos assuntos econômicos, mas em um aspecto eles concordam: a desaceleração da economia brasileira nos últimos anos não está de forma alguma relacionada a fatores internacionais, mas, sim, a fenômenos domésticos. Foi o que defenderam durante o 9º Seminário Internacional da Acrefi realizado hoje (06/11) em São Paulo. A crise internacional e seus possíveis efeitos têm sido justificativa recorrente do governo e do ministro da Fazenda Guido Mantega para explicar por que a economia foi de um crescimento médio de 4%, no governo Lula, para uma projeção abaixo de 1% em 2014.
Os fenômenos, no entanto, são distintos para cada um deles. Schwartsman argumenta que a desaceleração da economia está relacionada à queda de produtividade, causada por mudanças na dinâmica do mercado de trabalho. “O problema da economia brasileira não é cíclico. É o esgotamento do mercado de trabalho, que reduz exponencialmente a produtividade, pressiona os salários, eleva o custo da indústria e aperta a inflação”, afirmou. Já Luiz Carlos Mendonça de Barros acredita que vivemos o “fim de um ciclo de ouro do crescimento”. Para ele, Dilma teria utilizado em seu primeiro mandato os mesmos estímulos aplicados no governo Lula, de aumento do crédito e do gasto público. “A interferência do governo tirou um pouco o lucro das grandes empresas. Vivemos sete ou oito anos de um período de ouro de crescimento. Isso acabou inebriando o governo, que não viu o ciclo terminar”, disse.
Para Delfim Neto, o baixo crescimento do Brasil tem uma outra explicação: a queda da indústria. “Não tem a ver com fatos externos. Desde 2009, deixamos de acompanhar o mundo. A produção industrial se estabilizou, enquanto as vendas reais do varejo cresceram”. Segundo Delfim, entre 2004 e 2006, a indústria cresceu 12%, o mesmo patamar do comércio. Porém, entre 2007 e 2009, o comércio teve alta de 25,5% enquanto a indústria caiu para 7,9%. “O que notamos é a falta de produtos industriais brasileiros, não a diminuição da demanda. Isso não é um fenômeno recente. Vem desde 1994, quando o Brasil abandonou o esfoço exportador e foi perdendo espaço nas exportações mundiais”. Delfim cita dados mostrando que, entre 1983 e 1984, o país respondia por 0,9% do comércio mundial de manufaturas, enquanto a China estava com 1%. Hoje, os chineses detêm 16%, enquanto o Brasil caiu para 0,7%.
A elevação dos juros e a valorização do real nos últimos anos geraram um déficit na balança comercial, defende o ex-ministro. “Em 2005, exportávamos sapato da Zona Franca de Manaus para a Alemanha e, poucos anos depois, estavámos comprando sapato da China. O país se transformou em importador”.
Entre outros fatores que impediram o crescimento, Delfim cita também o excesso de burocracia, a condução atrapalhada das concessões de infraestrutura e um clima de negócios muito ruim. “Faltou também uma política cambial previsível. Faz 30 anos que o Brasil usa o câmbio como substituto da política monetária para combater a inflação”, disse. Para Schwartsman, há um abuso na “intervenção maçiça no câmbio, por meio da política de swaps cambiais”. “O país não está em uma situação desesperadora, mas com crescimento do déficit da conta corrente (cerca de 4% do PIB) e com a iminência de mudanças nas condições monetárias, pode piorar”, afirma o economista.
O que fazer?
Além da necessidade da retomada da confiança e da credibilidade, os economistas citaram outros fatores para o Brasil voltar a crescer. Para Delfim, a prioridade precisa ser uma política industrial que valorize as exportações. “Hoje, dois terços do comércio de bens industrais se fazem intra-firma. Das 500 maiores multinacionais, 400 estão no Brasil. É com elas que precisamos conversar”. O ex-ministro defende que o “maior erro que se pode cometer” é acreditar que política industrial se faz “restringindo as importações”. “A política industrial não deve ser feita para proteger o mercado interno, mas sim para aumentar as exportações”. Recuperar as contas públicas e diminuir o déficit de conta corrente é uma outra necessidade, afirma Schwartsman. O economista acredita que as mudanças não são aplicáveis a curto prazo, mas é preciso ter um “plano de voo”.
No curto prazo, Delfim defende que uma reforma no ICMS, por exemplo, mudaria “as expectativas de imediato e atraria os investidores e empresários”. Além disso, ele fala na “aprovação da proposta da CUT”, que coloca a relação entre empresas e trabalhadores acima da lei.
Já Mendonça, que defendeu uma visão mais otimista durante o seminário, afirmou que o Brasil precisa se concentrar em manter um grande número de pessoas na economia formal. “Em 1993, dois terços dos brasileiros viviam na economia informal e dependiam do governo. Em 2016, a projeção do Itaú é de que 70% dos brasileiros estarão trabalhando na economia formal. Que país emergente tem isso? Não é um país muito melhor?”. Para Mendonça, o desafio agora é preservar esse cenário. “Com mais gente na formalidade, melhorará a percepção da população sobre aquilo que ela ganha efetivamente e aquilo que o estado dá. Ela começará a perceber o peso dos impostos”. Segundo ele, só essa percepção irá levar, no longo prazo, a pressões para mudar a constituição, reequilibrar o papel do Estado e ter outra agenda de transformação para o país.


sábado, 1 de novembro de 2014

Carta de formulação e mobilização política - ITV


Carta de Formulação e Mobilização Política, 30 de outubro de 2014, No. 1021
Elaborada por: INSTITUTO TEOTÔNIO VILLELA


Dilma Rousseff conquistou a vitória e o voto de 54 milhões de brasileiros com base em engodos. Vendeu aos eleitores um país que não existe. Mal passou a eleição e o estelionato petista já começou a ganhar forma. O primeiro ato é a alta dos juros.
Ontem, o Comitê de Política Monetária decidiu aumentar a taxa básica em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic chegou a 11,25% ao ano. É o mais alto patamar desde novembro de 2011, ou seja, em três anos. Tudo indica que este é apenas o início de uma série de novos aumentos.
Pesaram na decisão a alta do dólar, a deterioração das contas públicas e a ameaça inflacionária – cujo acumulado em 12 meses está hoje em 6,75%, acima do limite superior da meta. É tudo o que Dilma sempre disse que não existia. Três dias após a reeleição, sua prática já contradiz seu discurso de campanha. O que mais virá pela frente?
Com a decisão do Copom, pela qual votaram cinco dos oito diretores do Banco Central, a taxa real de juros brasileira se isolou ainda mais no topo do ranking mundial. É agora de 4,46% ao ano, segundo a consultoria Moneyou. O Brasil de Dilma é uma jabuticaba num mundo em que, entre as 40 principais economias, apenas dez praticam taxas positivas.
O BC alega que teve que aumentar os juros para “garantir, a um custo menor, a prevalência de um cenário mais benigno para a inflação em 2015 e 2016”. Pesou na decisão “a intensificação dos ajustes de preços relativos na economia”.
A alta dos juros também visa compensar o desequilíbrio nos gastos do governo petista. Mas juros maiores tornam o serviço da dívida ainda mais custoso e aumentam o passivo: só neste ano, a dívida bruta brasileira já subiu três pontos percentuais do PIB. Não é pouca coisa: equivale a seis vezes o valor do Bolsa Família.
Dilma passou a campanha inteira sustentando que a inflação está “sob controle”. Vê-se, sem nenhuma dificuldade, que não está. Passou a campanha inteira acusando a oposição de preparar um ajuste para depois das eleições. Começa-se a ver que quem vai impor um arrocho sem precedentes é ela.
Tudo indica que o estelionato eleitoral irá se desenrolar em vários e sucessivos atos. O próximo é esperado para amanhã, quando o conselho de administração da Petrobras deve anunciar aumento de até 5% nos preços dos combustíveis. Tem mais: segundo o Valor Econômico, teremos pela frente um “ajuste fiscal violentíssimo”.
Dilma venceu a eleição com um discurso, mas na primeira oportunidade começou a rasgá-lo em pedacinhos. Sua campanha baseou-se em mentiras e em acusações falsas contras os adversários. Uma vitória cuja legitimidade já começou a ser jogada no lixo, apenas três dias após ser conquistada.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A estratégia de Gramsci


A estratégia do doutrinador Antonio Gramsci

Marcelo Dornelas

Para quem talvez ainda não conheça a estratégia do doutrinador italiano, ativista político e filósofo Antonio Gramsci, é bom deixar bem claro, pelo menos em poucas palavras, o que ele preconizava. Segundo o líder comunista, falecido em 1937, após passar anos na cadeia elaborando sua estratégia, a instauração de um regime comunista em países com uma democracia e uma economia relativamente consolidadas e estáveis, não podia se dar pela força, como aconteceu na Rússia, país que sequer havia conhecido a revolução industrial quando foi aprisionada pelos bolcheviques. Seria preciso, ao contrário, infiltrar lenta e gradualmente a idéia revolucionária (sem jamais declarar, que isso estava sendo feito), sempre pela via pacífica, legal, constitucional, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subliminar, imperceptível aos mais incautos que, por sinal, representam a grande maioria da população.
O objetivo somente seria atingido pela utilização de dois expedientes distintos: a hegemonia e a ocupação de espaços.
A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela análise de situação, de modo que quando o Comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência. Isso deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo intelectual coletivo (o partido), que as dissemina pelos intelectuais orgânicos (ou, formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí-las pela população.
É essa hegemonia, já adredemente fabricada, que faz com que todos os brasileiros, independentemente da idade, da condição sócio-econômica e do grau de instrução que tenham atingido, pensem de maneira uniforme sobre todo e qualquer assunto, nacional ou internacional.
O poder de manipulação é tamanho que até mesmo o senso crítico fica completamente imobilizado, incapaz de ajudar o indivíduo a analisar as questões de maneira isenta.
Os exemplos são numerosos: do desarmamento, ao aborto, da eutanásia, do movimento gay às políticas sociais, do racismo ao trabalho escravo, da inculpação social pelos crimes individuais à aceitação do caráter social de movimentos comprovadamente guerrilheiros (FARC, MST, MLST, MIR, ETA, etc.), todos eles visando destruir, por completo, valores que a sociedade tinha entranhados em sua alma, mas que, justamente por isso, não servem aos interesses do partido.
É que esses valores representam um conjunto de virtudes diametralmente opostas aos conceitos que o partido deseja inserir no corpo social e que servirão de embasamento para as transformações que pretende implantar.
Uma vez superada a opinião que essa mesma sociedade tinha a respeito de várias questões, atinge-se o que Gramsci denominava superação do senso comum, que outra coisa não é senão a hegemonia do pensamento.
Cada um de nós passa, assim, a ser um ventríloquo a repetir, impensadamente, as opiniões que já vêm prontas do forno ideológico comunista. E quando chegar a hora de dizer agora estamos prontos para ter realmente uma democracia (que, na verdade, nada mais é do que a ditadura do partido), aceitaremos também qualquer medida que nos leve a esse rumo, seja ela a demolição de instituições, seja ela a abolição da propriedade privada, seja ela o fim mesmo da democracia como sempre a entendemos até então, acreditando que será muito normal que essa volta à pseudo-democracia, se faça por decretos, leis ou reformas constitucionais. Afinal, Hitler, também não foi eleito pelo povo e não passou a ditar normas legais?! É exatamente a superação do senso comum, que fez com que todos acreditassem piamente que a contra revolução de 1964, não passou de um ato impensado dos Militares que, à falta do que fazer, decidiram implantar uma ditadura.
Como uma única palavra não foi dita sobre a ditadura que esses mesmos comunistas estavam praticamente conseguindo implantar naquela época (como haviam tentado em 1935 e como voltariam a tentar entre o final dos anos 60 e meados dos 70), ficou impossível ao brasileiro médio compreender que a intervenção das Forças Armadas veio justamente impedir que aquela desgraça se concretizasse. E, se elas não intervém também agora, é porque o povo, já completamente anestesiado, não tem nem forças para ir às ruas exigir tal providência.
É exatamente essa hegemonia de pensamento, que pôde imprimir nos brasileiros a idéia de que só o Estado pode resolver seus problemas mais comezinhos, o que tem causado um gigantismo antes nunca visto, com o crescente aumento da carga tributária para sustentá-lo.
A cada dia são criadas mais delegacias especializadas, mais conselhos, mais isso e mais aquilo para controlar e fiscalizar as ações de cidadãos, antes livres. É exatamente ela, a hegemonia gramsciana, utilizada pelo PT que inculcou em todos os cidadãos a crença de que os sem-terra foram massacrados pela Polícia Militar em Eldorado do Carajás, no Sul do Pará, quando na verdade a fita de vídeo original, contendo a gravação do episódio, mostrava claramente que eles agiram em legítima defesa diante de um número muito maior de sem-terras que, armados com foices, enxadas e até mesmo revólveres (como aparece naquela fita), avançou para cima dos policiais. É exatamente isso que fez espalhar a crença de que os fazendeiros são todos uns malvados e escravizadores de pobres trabalhadores indefesos, servindo, assim, de embasamento para que, em breve, o direito à propriedade seja eliminada da Constituição, se nela for encontrado algum tipo de trabalho escravo, cuja definição legal nem mesmo existe.
É exatamente isso que autorizou todos os brasileiros a imaginar que o Brasil é um país racista, a despeito de contar com o maior número de mulatos do planeta e de jamais ter sido registrado um único caso de desavença entre negros e brancos por causa da raça, como acontece nos Estados Unidos e na África do Sul. E é também graças à força da hegemonia, que ninguém parou para pensar que todas as desavenças já havidas entre negros e brancos entre nós, iniciaram-se por motivos fúteis, que vão do futebol à briga por ciúmes, muitas vezes regadas a uma boa caninha, nada tendo a ver com a cor da pele, já que também ocorrem da mesmíssima maneira entre indivíduos da mesma raça.
Evidente que, depois do que estou escrevendo, nada impede que se fabrique uma briga por causa da raça, com notícias em todos os jornais, para servir de prova do racismo por aqui. Isso nada mais seria do que o intelectual coletivo, agindo para o bem de sua própria causa.
É exatamente essa superação do senso comum, que fez com que a maioria acreditasse que as armas de fogo matam mais do que os acidentes de trânsito ou a desnutrição crônica infantil, malgrado os índices infinitamente superiores de mortes por estas duas causas, sem que medida alguma seja tomada para eliminá-las ou diminuí-las e sem que nenhuma propaganda incisiva seja feita para alardear tais descalabros.
A maciça propaganda do desarmamento foi, portanto, uma mentira descarada que salta aos olhos dos que realmente os têm. É exatamente isso que fez com que todos odiassem Bush e os norte-americanos e, inversamente, amassem de paixões Fidel Castro – Hugo Chavez, e vissem os terroristas iraquianos como meros resistentes contra o imperialismo americano.
É exatamente isso que fez com que todos pensassem que o Comunismo acabou, com a queda do Muro de Berlim e a desintegração da União Soviética, quando na verdade ele está hoje mais vivo do que nunca, principalmente em nosso continente, é só querer ver.
É exatamente isso que faz com que todo mundo se escandalize com assassinatos de fiscais do trabalho, como ocorrido em Unaí, ou de Irmã Dorothy Stein, no Pará, só para ficar em exemplos mais recentes. Essa escandalização foi sutilmente preparada para que todos os despreparados ficassem indignados com tamanha brutalidade, como se esta tivesse sido o resultado de uma reação iníqua à cândida e legal atuação do Estado ou de ONGs a ele atreladas.
É exatamente isso que permite que aceitemos, como a coisa mais natural do mundo que se chame chacina a morte de dois ou três sem-terras, enquanto que a morte de dois ou mil fazendeiros continuará sendo chamada de morte, simplesmente.
E tem sido exatamente isso, enfim, que permite várias outras opiniões uniformes que não passariam pelo crivo do juízo crítico caso ele ainda encontrasse forças para entrar em ação.
Mas como encontrar forças com tamanho rolo compressor a aplainar toda e qualquer opinião sobre o que quer que seja?! Daí a facilidade com que chavões do tipo justiça social, cidadania, construção de uma sociedade justa e igualitária, direitos humanos, etc., que só servem para estimular a velha luta de classes proposta por Marx e Engels, em seu Manifesto Comunista – 1848, passaram a habitar o imaginário popular. Afinal, são eles, os comunistas, que não desistem nunca!
A outra técnica Gramsciana, amplamente utilizada pelo PT é denominada de ocupação de espaços. Já dava mostras tão evidentes de visibilidade entre nós, com a nomeação de mais de 20 mil cargos de confiança pelo PT, em todo o território nacional (só para cargos federais), que nem mesmo precisaria ser novamente denunciada. O que faltava, entretanto, era fazer a conexão com a primeira técnica – a hegemonia.
Ora, sabendo que a superação do senso comum é tarefa dos intelectuais orgânicos importa reconhecer a necessidade de que eles estivessem em toda parte como erva daninha. Daí a nomeação, pelo intelectual coletivo, para todos os escalões do desgoverno petista (federal, estaduais ou municipais), de pessoas alinhadas com a ideologia do partido. Não foi à toa que o presidente Lula colocou nos ministérios vários derrotados pelo povo nas eleições estaduais e municipais como: Olívio Dutra, Tarso Genro, Humberto Costa, além de outros que de há muito estão comprometidos com o Comunismo, inclusive com vinculações internacionais. Basta ver como e o quê aconteceu e acontece no Foro de São Paulo e no Fórum Social Mundial, bem como quem são os seus patrocinadores e entidades integrantes, sabidamente criminosas.
A conclusão é tão lógica e óbvia, que chega a ser surpreendente que a ela ainda não tenham chegado todos os brasileiros, principalmente muitos daqueles que ostentam diploma de doutor e que têm, por isso mesmo, a obrigação moral de alertar seus compatriotas.
Só se pode entender sua adesão incondicional às táticas gramscistas por uma de duas razões: ou porque, apesar de doutores, são, na verdade, ignorantes da pior espécie, deixando-se levar por uma esparrela dessa, ou porque estão a serviço da engenhoca. Não há outra explicação!
O Brasil talvez seja o País no mundo onde a estratégia gramscista de tomada do poder utilizada pelo PT, mais se encontra avançada. A eleição de Lula foi apenas mais um passo numa estratégia muito mais densa.
O Brasil atualmente não possui uma oposição política onde impere a pluralidade de idéias, estamos atolados na unanimidade dos desesperados, a prova disto é que a esquerda se radicaliza cada vez mais.
O que é ainda mais demonstrativo do atual avanço da Revolução Gramscista, utilizado pelo PT no Brasil, é que a consciência individual está sendo substituída pela idéia do politicamente correto e do relativismo moral, os exemplos são gritantes: Sem-Terras armados invadindo fazendas produtivas e grandes empresas multinacionais de pesquisas são vítimas; fazendeiros ao se defenderem são criminosos; os traficantes que estão incitados numa guerra civil no Rio de Janeiro e São Paulo, são vítimas do sistema, sequer chegam a ser culpados; nós, os cidadãos que respeitamos as Leis, também devemos ser um pouco responsabilizados por estes atos (assim nos diz a mídia, todos os dias); os pastores e padres que falam contra o aborto e o homossexualismo são monstros comedores de crianças, os ditos freis que embalados na teologia da libertação, afirmam que Cuba é o paraíso na terra, não importa os dezessete mil mortos, são expoentes máximos da cristandade.
Analisem agora friamente e com a razão essa afirmativa: Nenhum presidente na História do Brasil, teria se mantido no Poder, se houvesse sido acusado de pelo menos metade das irregularidades e dos crimes cometidos de fato pelo Partido dos Trabalhadores, sob a benemérita liderança do Senhor Luís Inácio Lula da Silva. Ou por exemplo, o caso Waldomiro Diniz que é uma gota d'água no oceano;-muito mais difícil de explicar são as irregularidades no Programa Fome-Zero, ou os abusos totalitários contra o patrimônio público cometidos por diversos membros do desgoverno Lula-Dilma (onde até a cadela do presidente, passeava de carro oficial tranqüilamente),-o caso do Mensalão, amplamente discutido e comprovado em CPI e, devidamente denunciado pelo Procurador Geral da República;-o caso de caixa dois do PT (verbas não contabilizadas) e, que o próprio presidente em entrevista confirmou ser esta, uma prática de rotina no Brasil; envio de dinheiro ao exterior de forma ilícita;-quebra de sigilo bancário, telefônico e postal, de um simples caseiro que ousou denunciar um Ministro do desgoverno Lula e, as alianças sinistras entre o PT e as FARC (Colombianas), MIR (Chileno), PCC (Partido Comunista Cubano), ELN (Exército de Libertação Nacional), FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional), PRD (Partido da Revolução Democrática), FMLN (Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional), URNG (União Revolucionária Nacional da Guatemala), dentre outros.
O que me causa estranheza nestas alianças sinistras, é o quase segredo absoluto que impera sobre os fatos ocorridos no Foro de São Paulo, onde não se viu ou vê, nenhum comentário mais acirrado da mídia especializada (ou não), ou até mesmo um ato de repúdio de nossas Forças Armadas, sobre tais acontecimentos no mínimo suspeitos.
Parece até que tudo está cor de rosa, neste mar de lama chamado Brasil!
Qualquer debate hoje no Brasil que envolva a Política Nacional, especialmente após os efeitos da queda do Muro da Vergonha, só pode ser considerado sério se discutido desde o ponto de vista da Revolução Gramscista, não por imposição ideológica, mas por verificação histórica, caso contrário tudo que teremos é um exercício de abstração teórica cujo conteúdo e implicações práticas não terão mais significação que uma discussão acalorada de mesa de bar.
Isto é exatamente em que será resumida a essência da intelligenzia nacional, quando todos os brasileiros se tornarem, sob as graças de Antonio Gramsci, intelectuais orgânicos, cuja única verdade é a mentira do partido. É dogmática ou romantizada a crença de que o homem é um fruto homogêneo de seu meio. Todavia, é deste último que a maioria das pessoas retira seus principais pontos de referência, distinguindo-se como indivíduos em sociedade. Raros são os homens que conseguem olhar dentro de si e não apenas em sua volta.
Por isso, reafirmo que o PT não tem Plano de Governo. Tem é Plano de Poder, adaptando-se ao projeto de instauração da Nova Ordem Mundial!


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Câmara derruba decreto de conselho popular




Câmara derruba decreto de conselho popular de Dilma

Ricardo Della Coletta e Daiene Cardoso - O Estado de S. Paulo

8 Outubro 2014

PMDB lidera rebelião na base aliada que susta os efeitos da criação de novas instâncias de participação popular

Apenas dois dias depois da vitória da presidente Dilma Rousseff, o PMDB da Câmara liderou uma nova rebelião da base aliada e, junto com a oposição, provocou a primeira derrota do Palácio do Planalto após a reeleição da petista. Apesar das manobras regimentais do PT para evitar a conclusão da votação em plenário, os deputados aprovaram o projeto que susta os efeitos de um decreto editado por Dilma que criou novas instâncias de participação popular.
"Essa derrota é para mostrar que o discurso de diálogo não pode ficar na teoria", disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) em um recado direto à presidente reeleita. Em seu discurso da vitória, no último domingo, a petista defendeu o díalogo com todos os setores.
 Oposição comemora anulação do decreto presidencial que criou os conselhos populares
Editado no final de maio, o decreto de Dilma institui a Polícia Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação (SNPS). O texto, apesar de não criar novos conselhos populares, estabelece que órgãos e entidades da administração pública federal, direta e indireta, deverão ouvir instâncias de participação social para a formulação de políticas públicas. O mesmo vale para agências reguladoras.
Desde que foi publicada, a medida tem sido bombardeada pela oposição e por integrantes da própria base, que a acusam de ferir prerrogativas do Congresso Nacional e de ser "bolivarianista".
O líder do DEM, deputado Mendonça Filho, classificou a proposta da presidente de "autoritária" e disse que ela está "passando por cima do Parlamento". "Ele é (um decreto) espelhado na Venezuela de Hugo Chávez. É um projeto que verdadeiramente afronta o Legislativo", declarou.
O deputado Afonso Florence (PT-BA), por sua vez, rebateu as críticas da oposição e alegou que o texto editado por Dilma apenas "organiza um sistema de conselhos que já existe". "Não há uma linha que possa ser citada para dizer que este decreto subtrai prerrogativas do Legislativo", disse o petista.
Preocupados com a perspectiva de um revés pouco depois da reeleição de Dilma, o PT obstruiu a sessão e acusou a oposição de buscar um "terceiro turno" da sucessão presidencial. Entretanto, na primeira votação de um requerimento que visava retirar o projeto de Mendonça Filho da pauta, o PT, PCdoB e PSOL ficaram isolados. Além do PMDB, siglas da base como PSD, PR e PDT foram contra a orientação do Palácio do Planalto. Com sua aprovação, a proposta ainda precisará ser analisada pelo Senado.
Queda de braço. O confronto entre governo e oposição em torno da suspensão do decreto da presidente Dilma vem se estendendo ao longo dos últimos meses. O baixo quórum registrado nos meses em virtude da campanha eleitoral inviabilizaram a aprovação de qualquer matéria na Câmara.
Mesmo com o impasse, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), bancou a votação e tomou a dianteira para que o processo fosse concluído ainda na noite desta terça-feira. Ele se elegeu deputado pela primeira vez em 1970 e concorreu neste ano ao governo do Rio Grande do Norte, mas foi vencido pelo vice-governador Robinson Faria (PSD). O peemedebista credita sua derrota a um vídeo de apoio a seu adversário gravado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar disso, Alves nega que esteja "retaliando" o Palácio do Planalto ao pautar um projeto que pode causar um revés ao Palácio do Planalto. De acordo com ele, o tema tem inviabilizado que as discussões na Casa avancem há pelo menos três meses. "É uma desinformação. Há três meses, no processo eleitoral, abria (a votação) no mesmo item. Como não havia entendimento, a sessão caia por falta de quórum e ficava por isso mesmo", disse Alves.
O peemedebista também anunciou quer votar nos próximos dias uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que torna obrigatório o pagamento de emendas parlamentares individuais. Chamada de PEC do Orçamento Impositivo, esse projeto é uma promessa de campanha de Henrique Alves, que quer vê-lo aprovado antes de deixar o Congresso. Integram a lista de "projetos-bomba" do peemedebista a proposta que concede aposentadoria integral para o servidor que se aposentar por invalidez, outra que recupera o número de salários mínimos a que tinha direito o aposentado na concessão do benefício, o aumento de repasses do Fundo de Participação dos Municípios e o adicional noturno para policiais e para bombeiros.




terça-feira, 28 de outubro de 2014

Dizendo NÃO às grandes corrupções


       Para se dizer NÃO às grandes corrupções não é imprescindível nos purificarmos antes. Devemos nos esforçar para combater os pequenos e grandes problemas simultaneamente, sem exigirmos perfeição de ninguém. Caso contrário, quem dos bilhões de habitantes deste planeta teria condições de discutir as graves adversidades políticas, sociais e econômicas de seu país ou da humanidade? Sem hipocrisia, caminhemos e ajamos em prol de um mundo melhor, começando por nós mesmos, mas não fugindo dos grandes problemas e das responsabilidades com a sociedade.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Compactuar com o erro é...



Que candidatos vençam ou percam faz parte de eleições democráticas e o resultado deve ser respeitado, porém, por dever de consciência, não devemos em momento algum compactuar com aquilo que considerarmos falso ou nocivo. Governos corruptos e incompetentes devem ser criticados e julgados em qualquer momento (e não de 4 em 4 anos). Igualmente, por um país melhor, tentativas de se dividir a sociedade pela anacrônica pregação do ódio de classes e outras bizarrices de inspiração marxistas devem ser repudiadas.

E sigamos em frente.