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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Karl Barth combateu a ideologização do cristianismo e o comunismo teológico

 


Karl Barth combateu a ideologização do cristianismo e o comunismo teológico

 

Pedro Henrique Alves

 

 Nascido em 10 de maio de 1886, na Basileia, noroeste da Suíça, Karl Barth pode ser considerado o teólogo protestante mais influente de seu tempo. A teologia reformista de cunho conservador, a oposição ferrenha ao nazismo e também a capacidade singular de reestruturar a dogmática clássica do protestantismo em oposição à teologia liberal de Paul Tillich são algumas causas para isso.

Filho de Fritz Barth e Anna Sartorius, desde cedo esteve envolvido no debate teológico e filosófico devido às atuações de seu pai como clérigo, professor de Novo Testamento e Igreja Primitiva. Não há detalhes precisos sobre como passou os seus primeiros anos de vida, certo é, todavia, que cresceu em Berna, num ambiente culto e tradicional, com seus pais constantemente debatendo filosofia e teologia no ambiente familiar, tendo o livre arbítrio ‒ uma causa primeira para os calvinistas ‒ sempre como uma questão a ser analisada e reanalisada após o café da manhã.

Estudou nas universidades de Berna, Berlim, Tübingen e Marburg, de 1911 a 1921 serviu como professor de teologia e pastor na aldeia de Safenwil, numa região conhecida como Cantão de Aargau, entre Basileia e Zurique. Em 1913, casou-se com Nelly Hoffmann, violinista de raro talento e uma erudita modesta em seu lar. O casal deu à luz a cinco filhos, uma menina e quatro meninos.

A atuação de Barth nos anos de pastoreio o marcaria de maneira profunda, principalmente porque notaria a olho nu o claro estrago que a teologia liberal vinha causando na crença e nas ideias populares dos seus fiéis. Sobre o tema ele poderia discorrer com propriedade, pois foi formado intelectualmente por liberais; em Berlim participou dos colóquios de Adolf von Harnack e teve como professor ninguém menos que Wilhelm Herrmann, um dos mais estimados teólogos liberais de seus dias. Além disso, ainda na casa de seus pais, ele havia estudado as influências filosóficas do iluminismo sobre esses autores e como eles tendiam a uma leitura marxista de Hegel, sendo este outro forte aspecto que o afastou da teologia liberal alemã, depois de seus anos de estudos pós-universidade.

Essa teologia liberal alemã, após 1920, acabaria abraçando conscientemente o socialismo alemão, tanto como uma resposta ao nazismo como por convicção ideológica. Karl Barth negaria veementemente tanto o nazismo quanto o comunismo. Acreditava que a teologia não se faz no método filosófico de verdades políticas, e é justamente aqui que ele se afasta categoricamente de Paul Tillich, teólogo influenciado pelo marxismo, que acreditava que a teologia estava subordinada às inquirições e métodos da filosofia, que a leitura cultural das verdades bíblicas antecedia a leitura espiritual.

Não à toa compôs a famosa Declaração de Barmen, texto em que o teólogo insistia que uma subordinação clerical e eclesiástica ao Estado ‒ naquele contexto o Estado nazista ‒ e às ideologias modernas seria uma traição fatal ao Evangelho e a Cristo. Aliado à Declaração, outro texto seu, Nein! Antwort an Emil Brunner [em tradução livre: Não! A teologia natural], o fez conhecido em todo mundo protestante norte-americano e o maculou politicamente na Alemanha, fazendo com que saísse fugido do país em 1935.

 

Uma teologia nem liberal e nem tradicional 

 

No entanto, como parece, foi a sua atuação como pastor e seus estudos que o levaram a se decidir por não adotar os pressupostos liberais em sua teologia autoral, o que fazia dele uma terceira via mais segura de protestantismo para aqueles que recusaram o nazismo e o comunismo como vias de leitura religiosa. Para Barth, tanto os pastores que abraçaram o nazismo, com aqueles que adulavam o comunismo, eram em essência um erro a ser extirpado do debate teológico, pois, sendo Deus o totalmente outro, a teologia não é uma ciência pautada nas bulas filosóficas e políticas de grupos de influência.

Sua teologia começa a se delinear em um processo de desintoxicação da teologia liberal; experiências do pastoreio de 1911 a 1921, e a partir de encontros que teve, especialmente, com Christoph Blumhardt, um teólogo luterano, de linha liberal, mas que havia feito pregações sobre a ressureição de Cristo e a centralidade da teologia nos escritos bíblicos que marcaram profundamente Barth. A partir dessa influência, ele inicia dois movimentos de retorno importantes.

O primeiro é o retorno quase que extremista ao texto bíblico, a ponto de chegar a momentaneamente abdicar de outros estudos paralelos; e o segundo, o retorno à pregação do evangelho de forma apaixonada e militante, o que gestaria um de seus livros mais belos e gratificantes de se ler: Palavra de Deus e Palavra do Homem ‒ ele terminará sua vida como pregador, mais do que como teólogo. Muitos acreditam que até esse momento não há uma teologia genuína em Barth, principalmente aquela que depois faria dele um teólogo admirado por homens como Thomas F. Torrance e Rudolf Karl Bultmann. A tese, no entanto, não é válida: em suas pregações já se enxerga o cerne de sua teologia, isto é, a separação completa do divino e da capacidade humana de compreensão desse divino, aquilo que ele chamaria de “totalmente outro”.

 

O totalmente outro 

 

Em A Carta aos Romanos, texto de comentários ao livro bíblico homônimo, Barth se estabeleceu como um teólogo original, reformista e uma verdadeira terceira via entre o tradicionalismo luterano alemão e a teologia liberal. Iniciada em 1916, enquanto atuava como pastor, sua primeira edição foi finalizada em 1918 e lançada no ano seguinte. No entanto, como pontuou logo que a obra foi lançada, ele não gostou do resultado final e, assim, decidiu revisar profundamente o texto entre 1919 e 1921. A obra foi relançada, em sua segunda edição, em 1922. Rapidamente essa segunda edição ganhou força em toda a Europa, sendo adotada até mesmo em alguns seminários católicos. Daí a brincadeira de que Barth seria o protestante mais amado pelos católicos.

Na obra, Barth argumenta que o Cristo morto na cruz e o Cristo ressurreto são completamente outro na percepção intelectual humana. Assim sendo, é impossível conceber a grandeza do Cristo em comparação com culturas, posses e métodos científicos humanos, Deus é imensurável em sua capacidade e análise. O livro serviu como fundamentação teológica para o desprendimento da leitura bíblica ante os movimentos e embates políticos da época. Fato é que parecia que não se podia ler um salmo sem correlacioná-lo às ideologias e debates políticos do momento, fazendo assim Tillich soar como o dono da razão.

Barth tenta resgatar o centralismo da fé cristã na revelação, e a teologia como fruto da reflexão teológica a partir dessa revelação, e não de instrumentos filosóficos e outros mais. A repercussão das ideias de Barth em A Carta aos Romanos o levou a ser convidado a lecionar na prestigiada Universidade de Göttingen, em 1921. Mais tarde, ele seria nomeado também para as universidades de Münster, em 1925, e Bonn, em 1930. Lá em Göttingen, para complementar sua nascente teologia, ele se volta aos escolásticos protestantes e aos Padres da Igreja ‒ patrística.

Seu Die protestantische Theologie im 19 [Teologia Protestante no Século XIX] trata de um prenúncio de sua obra mais complexa, Dogmática Eclesiástica [com edição brasileira, sob uma tradução aquém do que se esperava]. Em 1927, escreveu uma tentativa de epistemologia teológica própria em Die Lehre vom Worte Gottes; Prolegomena zur christlichen Dogmatik [A Doutrina da Palavra de Deus: Prolegômenos à Dogmática da Igreja]. Na obra, Barth tenta estabelecer como invariáveis certas interpretações da revelação, tal como a verdade do Espírito Santo, a Trindade Santa e a Encarnação de Cristo. No entanto, não estando satisfeito com seu método teológico, em 1931 ele recorre ao amigo Heinrich Scholz, filósofo da ciência, para ajudá-lo na composição dos seus estudos sobre Santo Anselmo ‒ os quais depois seriam impressos sob o título de Fides quaerens intellectum [Fé em busca de entendimento].

Foi somente em 1932 que lançou sua Dogmática Eclesiástica, onde estabelece as formas gerais de sua teologia, e se apresenta, por fim, como um teólogo de fato independente. Foi nessa obra que ele arregimentou como pressuposto de sua teologia aquilo que praticou em A Carta aos Romanos: a teologia dialética. Tal doutrina basicamente estabelece que a revelação une elementos que tendem a naturalmente se afastar: Deus e o homem, revelação e história, graça e pecador, eternidade e tempo, fazendo com que somente a partir da revelação evangélica a fé cristã se torne minimamente compreensível e praticável ao homem racional. Cabe pontuar, também, que aqui obviamente se encontra como base a visão hegeliana de dialética do espírito: posição > negação > síntese.

 

A crítica católica 

 

Uma crítica católica às ideias de Barth seria que, sob esse fundamentalismo bíblico e sua constante recusa em aceitar os raciocínios filosóficos para aclarar princípios teológicos, a teologia dele se transformou em um laicismo prático. Se Deus é totalmente outro, se a ele não podemos correlacionar os produtos da razão e da cultura humana, por qual motivo Deus deveria influenciar na história, nas escolhas, nas tradições, nas leis, em suma, na condução civilizacional? Se o Deus revelado é inteiramente outro, o agnosticismo seria a religião mais adequada ao Deus de Barth. A análise católica do pensamento de Barth é realmente cortante, ainda que pareça superficial num primeiro instante, pois captura o cerne do pensamento do suíço e elabora uma crítica difícil de ser totalmente rebatida.

Ainda que não seja o que Barth pensou quando teorizou sua teologia autônoma, de fato a crítica católica parecia apresentar um ponto espinhoso para o teólogo, pois ele passa os finais de seus dias remendando e reanalisando sua teologia em vários aspectos. Para alguns, ele conseguiu desfazer os nós duros da crítica romana, para outros, não.

A teologia católica, que desde cedo se apoiou na filosofia grega, de Agostinho a Santo Tomás de Aquino, e posteriormente na revisão escolástica e renascentista, não poderia se apoiar em Barth, dono de uma teologia “sola scriptura”, para fazer suas considerações mais profundas. A Encíclica Fides et ratio [Fé e razão] de 14 de outubro de 1998, de João Paulo II, apenas reafirma tal postura da Igreja Católica e afasta sua teologia de quaisquer solas tipicamente luteranas.

Mas com certeza a crítica teológica central de Barth e de Joseph Ratzinger, por vezes, andaram juntas e pareciam se completar. Ambos condenaram a ideologização do cristianismo, ambos foram favoráveis à emancipação eclesiástica ante ao Estado totalitário, ambos condenaram doutrinalmente a releitura bíblica feita pelos adeptos do comunismo teológico. Não à toa Ratzinger é considerado o maior teólogo católico da contemporaneidade, conseguindo estabelecer um elo entre a modernidade e a teologia tradicional do catolicismo; e Barth é considerado o maior teólogo protestante da modernidade, conseguindo restabelecer a liberdade cristã ante a utilização da revelação para fins políticos, e dando aos seus adeptos uma plataforma teológica sólida de reflexão sobre Deus.

 

Repercussão e últimos dias 

 

Após a Segunda Guerra Mundial, Barth se dedicou a formular mais profundamente sua teologia. Em 1947 publicou seu curso em Bonn, Dogmatik im Grundriss [Dogmática um esboço], livro preciso para compreender as revisões teológicas feitas por ele após o amadurecimento de suas ideias e as ditas “críticas católicas”. Nessa altura, seu prestígio acadêmico e popular era enorme.  Ele foi convidado a palestrar, por exemplo, no Conselho Mundial das Igrejas em Amsterdã, em 1962. No mesmo ano, por ocasião da publicação de sua obra Einführung in die evangelische Theologie [Teologia Evangélica: Uma Introdução] foi convidado pelas universidades de Princeton, Nova Jersey e Chicago. Conheceu Roma após o Concílio Vaticano II e escreveu, com extremo bom humor e cordialidade, sobre a ocasião. Ao todo, publicou 17 livros, sem contar os inúmeros artigos e anotações.

No final de sua vida, costumava fazer visitas periódicas à prisão da Basileia, demonstrando um forte espírito evangelista de seus tempos de pastor. Morreu nessa mesma terra, em 10 de dezembro de 1968, aos 85 anos.

 

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/karl-barth-combateu-a-ideologizacao-do-cristianismo-e-a-releitura-biblica-do-comunismo-teologico/

 


quarta-feira, 27 de julho de 2022

5 coisas que Marx queria abolir (além da propriedade privada)

 



5 coisas que Marx queria abolir (além da propriedade privada)

Jonathan Miltimore


Todos nós sabemos que Marx queria se livrar da propriedade privada, mas ele foi extremamente franco em querer abolir essas coisas também.

 Uma das coisas notáveis ​​sobre O manifesto comunista é sua honestidade.

Karl Marx pode não ter sido um cara muito bom, mas foi refrescantemente sincero sobre os objetivos do comunismo. Essa ousadia, pode-se argumentar, está incrustada na psique comunista.

 “Os comunistas desprezam esconder suas visões e objetivos”, declarou Marx em seu famoso manifesto. “Eles declaram abertamente que seus fins só podem ser alcançados pela derrubada forçada de todas as condições sociais existentes. Deixe as classes dominantes tremerem diante de uma revolução comunista.”

Como o Mein Kampf de Hitler, os leitores são apresentados a uma visão pura e não diluída da ideologia do autor (por mais sombria que seja).

 O manifesto de Marx é famoso por resumir sua teoria do comunismo em uma única frase: “Abolição da propriedade privada”. Mas esta não era a única coisa que o filósofo acreditava que deveria ser abolida da sociedade burguesa na marcha do proletariado para a utopia. Em seu manifesto, Marx destacou, adicionalmente, cinco ideias e instituições a serem erradicas.

 

1. A Família

 Marx admite que destruir a família é um tema espinhoso, mesmo para revolucionários. “Abolição da família! Até os mais radicais se irritam com essa infame proposta dos comunistas”, escreve ele.

 Mas ele disse que os oponentes dessa ideia não conseguem entender um fato-chave sobre a família.

 “Em que fundamento se baseia a família atual, a família burguesa? No capital, no ganho privado. Em sua forma completamente desenvolvida, a família existe apenas na burguesia”, escreve ele.

 Ele destaca que abolir a família seria relativamente fácil uma vez que a propriedade burguesa fosse abolida. “A família burguesa desaparecerá naturalmente quando seu complemento desaparecer, e ambos desaparecerão com o desaparecimento do capital.”

 

2. Individualidade

Marx acreditava que a individualidade era antitética ao igualitarismo que ele imaginava. Portanto, o “indivíduo” deve “ser varrido do caminho e tornado impossível”. A individualidade era uma construção social de uma sociedade capitalista e estava profundamente entrelaçada com o próprio capital.

 “Na sociedade burguesa o capital é independente e tem individualidade, enquanto a pessoa viva é dependente e não tem individualidade”, escreveu. “E a abolição desse estado de coisas é chamada pelos burgueses de abolição da individualidade e da liberdade! E com razão. A abolição da individualidade burguesa, da independência burguesa e da liberdade burguesa é indubitavelmente visada”.

 

3. Verdades eternas

Marx não parecia acreditar que qualquer verdade existisse além da luta de classes.

 “As ideias dominantes de cada época sempre foram as ideias de sua classe dominante”, argumentou. “Quando o mundo antigo estava em seus últimos estertores, as religiões antigas foram superadas pelo cristianismo. Quando as ideias cristãs sucumbiram no século 18 às ideias racionalistas, a sociedade feudal travou sua batalha mortal com a então burguesia revolucionária.”

 Ele reconheceu o quão radical essa ideia soaria para seus leitores, principalmente porque o comunismo não procura modificar a verdade, mas derrubá-la. Mas ele argumentou que essas pessoas estavam perdendo o quadro maior.

“‘Sem dúvida’, dir-se-á, ‘as ideias religiosas, morais, filosóficas e jurídicas foram modificadas no curso do desenvolvimento histórico. Mas religião, moralidade, filosofia, ciência política e direito sobreviveram constantemente a essa mudança. Há, além disso, verdades eternas, como Liberdade, Justiça, etc., que são comuns a todos os estados da sociedade. Mas o comunismo abole as verdades eternas, abole toda religião e toda moral, em vez de constituí-las sobre uma nova base; portanto, age em contradição com toda a experiência histórica passada.' A que se reduz esta acusação? A história de toda a sociedade passada consistiu no desenvolvimento de antagonismos de classe, antagonismos que assumiram diferentes formas em diferentes épocas”.

 

4. Nações

Os comunistas, disse Marx, são censurados por tentarem abolir os países. Essas pessoas não entendem a natureza do proletariado, escreveu ele.

“Os trabalhadores não têm pátria. Não podemos tirar deles o que eles não têm. Uma vez que o proletariado deve, antes de tudo, adquirir a supremacia política, deve elevar-se para ser a classe dirigente da nação, deve constituir-se a nação, até agora é nacional, embora não no sentido burguês da palavra.”

 Além disso, em grande parte por causa do capitalismo, ele viu as hostilidades entre pessoas de diferentes origens retrocederem. À medida que o proletariado crescesse no poder, logo não haveria necessidade de nações, escreveu ele.

 “As diferenças nacionais e os antagonismos entre os povos desaparecem cada vez mais, devido ao desenvolvimento da burguesia, à liberdade de comércio, ao mercado mundial, à uniformidade do modo de produção e das condições de vida a ele correspondentes.”

 

5. O Passado

 Marx via a tradição como uma ferramenta da burguesia. A adesão ao passado serviu como mera distração na busca do proletariado por emancipação e supremacia.

 “Na sociedade burguesa”, escreveu Marx, “o passado domina

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* Jonathan Miltimore é o editor administrativo da FEE.org. Suas matérias têm sido temas de artigos na revista TIME, The Wall Street Journal, CNN, Forbes, Fox News e Star Tribune.

Fonte: https://fee.org/articles/5-things-marx-wanted-to-abolish-besides-private-property/

 


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método de Paulo Freire?


Viva Paulo Freire!

Olavo de Carvalho

(Texto publicado no Diário do Comércio, 19 de abril de 2012)

Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.
As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.
Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.
Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:
“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)
“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)
“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)
“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)
“Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It's All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)
“A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Association em Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)
“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.)
“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)
Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I).
Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus própios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.

Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Os economistas austríacos que refutaram Marx e sua tese de que o trabalho assalariado é exploração


Os economistas austríacos que refutaram Marx e sua tese de que o trabalho assalariado é exploração

por Richard Ebeling

Aumentar os gastos por si só não gera crescimento, e o mundo atual está recheado de exemplos

Políticos adoram declarar publicamente que sabem qual é o valor do salário mínimo que qualquer trabalhador no país deveria receber.  Só não explicam como chegaram a esse valor e nem muito menos por que o valor escolhido não pode ser $1 maior ou menor.
Adicionalmente, todos eles têm uma certeza: empresários, empreendedores e capitalistas são exploradores sem coração que se aproveitam da mão-de-obra de alguns de seus trabalhadores não lhes pagando a "quantia justa" que seu trabalho genuinamente merece.
O que está por trás deste pensamento sobre o valor "razoável" ou "justo" do salário mínimo é o fantasma de um pensador que há muito tempo pensava-se que teria sido relegado à lata de lixo da história: Karl Marx (1818-1883).

A teoria do valor-trabalho de Marx para o valor de um trabalhador

A concepção de Marx a respeito da "escravidão salarial" injusta que os capitalistas e empreendedores impunham a seus trabalhadores tornou-se a premissa e o grito de guerra que resultaram nas revoluções comunistas do século XX, com toda a sua destruição e terror.
Marx insistia em que o "valor real" de qualquer bem produzido era determinado pela quantidade de trabalho empregado na sua fabricação. Se a produção de um par de sapatos consome quatro horas de trabalho, e se são necessárias duas horas de trabalho para preparar e assar um bolo, então a "taxa de câmbio" justa entre essas duas mercadorias deveria ser a de um par de sapatos por dois bolos. Dessa maneira, esses dois bens seriam trocados a uma taxa que representa quantidades comparáveis do tempo de trabalho gasto para produzi-los.
Se o trabalho de um operário produziu, digamos, três pares de sapatos durante uma jornada de trabalho de doze horas, então o trabalhador tem o justo direito à propriedade dos três pares de sapatos produzidos pelo seu trabalho, de modo que ele poderia trocá-los pelos produtos que quisesse adquirir dos outros trabalhadores.
Contudo, insistia Marx, o capitalista que contratou o trabalhador não lhe paga um salário igual ao valor dos três pares de sapatos que este produziu. Isso ocorre, segundo Marx, simplesmente porque o capitalista é o proprietário da fábrica e das máquinas (a fábrica e as máquinas são a propriedade privada que o trabalhador utilizou para produzir esses sapatos).  Logo, estando estes bens de produção em propriedade do capitalista e não do trabalhador, o trabalhador tem de se sujeitar às demandas do capitalista, aceitando assim entregar ao capitalista uma fatia daquilo que sua mão-de-obra produz — caso contrário, morrerá de fome no frio.
O empregador paga ao trabalhador um salário somente igual a, digamos, dois pares de sapatos, desta forma "roubando" uma parte do seu trabalho.
Assim, na concepção de Marx, o valor de mercado do terceiro par de sapatos do qual o capitalista se apropriou partir do trabalho do trabalhador seria a fonte de seu lucro, ou o ganho líquido sobre os custos de contratar o trabalhador.
Eis aí a origem da noção marxista de "renda imerecida", que seria a renda que não decorre de ter de trabalhar e produzir, mas simplesmente de se ser o proprietário de um negócio privado que emprega trabalhadores que realmente fazem todo o trabalho.
O capitalista, como você vê, não faz nada. Vive do trabalho dos outros, enquanto fica sentado em seu escritório, com seus pés sobre a escrivaninha, fumando um charuto (quando ainda era "politicamente correto" fazer isso). Não é de se surpreender, diante deste raciocínio sobre o trabalho, os salários e o lucro, que políticos e intelectuais não tenham apreço por capitalistas e empreendedores.

Carl Menger e o valor subjetivo das coisas

Karl Marx morreu em 1883, aos 64 anos de idade. Uma década antes de sua morte, no início dos anos 1870, sua teoria do valor-trabalho foi derrubada por diversos economistas. O mais importante deles foi o economista austríaco Carl Menger (1840-1921) em seu livro de 1871, Princípios de Economia Política.
Menger explicou que o valor de um bem não deriva da quantidade de trabalho despendida em sua fabricação. Um homem pode gastar centenas de horas fazendo sorvetes de lama, mas se ninguém atribuir qualquer serventia a estes sorvetes de lama — e, portanto, não os valorizar o suficiente para pagar alguma coisa por eles —, então tais produtos não têm nenhum valor, não obstante as centenas de horas gastas em sua fabricação.
Assim como a beleza, o valor — como diz o velho provérbio — está nos olhos de quem vê. O valor de um bem é subjetivo: depende do uso e do grau de importância pessoal (subjetiva) que alguém confere a esse bem (seja ele uma mercadoria ou um serviço).  Se o bem servir para algum fim ou propósito, então terá valor para ao menos uma pessoa.
Bens, ao contrário do que diz a teoria marxista, não têm valor por causa da quantidade de trabalho consumida em sua produção. Por outro lado, uma determinada habilidade de trabalho pode ter grande valor caso seja considerada útil (como um meio produtivo) para se alcançar um objetivo que alguém tem em mente.
Adicionalmente, o valor de bens idênticos decresce à medida que a quantidade delas aumenta.  E isso ocorre porque atribuímos a cada quantidade adicional de um mesmo bem à nossa disposição um propósito menos importante do que o propósito já atribuído para as unidades previamente adquiridas desse bem.
Por exemplo, à medida que acrescento camisas idênticas ao meu guarda-roupa, cada camisa extra em geral terá menos importância para mim do que as mesmas camisas que comprei anteriormente. Os economistas chamam isto de "utilidade marginal decrescente dos bens".

Ninguém paga por um bem mais do que aquilo que considera que ele vale

Assim, não há um valor mínimo "objetivo" que seja inerente ao ato de trabalhar. Um empregador contrata trabalhadores porque estes irão ajudá-lo a produzir um produto que acredita que poderá vender a potenciais consumidores. Na medida em que o empregador contrata trabalhadores com as mesmas habilidades específicas, cada um desses trabalhadores é alocado para uma tarefa menos importante do que aquela para a qual o trabalhador anterior, de mesma habilidade, foi contratado.
Como consequência, nenhum empregador pode pagar ou irá pagar mais por algum trabalhador do que aquilo que acredita que seus serviços valem (em termos de agregar valor às suas atividades de produção). 
Sendo assim, o valor de um trabalhador depende do tanto que o empregador acredita que o bem produzido vale para o público consumidor, que é quem decide comprar — ou se abster de comprar — o bem que o trabalhador ajuda a produzir.
Suponha que um empregador acredite que algumas das pessoas de sua força de trabalho contribuem com não mais do que $ 6 por hora para fabricar um produto que ele espera vender aos consumidores. Se o governo lhe disser que ele tem a obrigação legal de pagar a cada um de seus trabalhadores um salário mínimo que não pode ficar abaixo de $ 7,40 ou $ 10,10 por hora, não será nada surpreendente se ele optar por dispensar aqueles trabalhadores que considera custarem mais do que produzem.
Adicionalmente, outros empregos que poderiam estar disponíveis por $ 6 por hora nunca chegarão a existir.
Tudo o que um salário mínimo decretado pelo governo consegue fazer é expulsar do mercado de trabalho aqueles trabalhadores cuja contribuição para a fabricação de um produto é menor do que o valor que o governo determinou que deve ser pago a eles.
Mas o que o empregador faz exatamente? No que ele contribui para o processo de produção, para além do trabalho feito pelos empregados contratados? Marx, conforme vimos, argumentou que o "lucro" do capitalista seria o valor daquela fatia da produção do trabalhador que foi apropriada pelo empregador simplesmente pelo fato de ele ser proprietário do empreendimento no qual o trabalhador está empregado.

Böhm-Bawerk e a importância da poupança para a geração de empregos

Outro economista austríaco, Eugen von Böhm-Bawerk (1851-1914), que desenvolveu muitas das ideias que se originaram com Carl Menger, respondeu a Marx.
Em uma importante obra em três volumes intitulada Capital and Interest (1914), e em diversos ensaios, dos quais os mais importantes foram "Unresolved Contradiction in the Marxian Economic System" (1896) e "Control or Economic Law" (1914), Böhm-Bawerk perguntou: de onde vêm os empreendimentos nos quais os trabalhadores são empregados? E de onde vêm os recursos que garantem o pagamento dos salários dos trabalhadores?
Como a fábrica foi construída? De onde vem o capital — as máquinas, ferramentas e equipamentos — das fábricas, com o qual os trabalhadores contratados realizam seu trabalho para produzir os bens que eventualmente estarão disponíveis para os consumidores comprarem?
A resposta de Böhm-Bawerk foi que alguém necessariamente teve de poupar uma parte dos rendimentos obtidos no passado para, então, utilizar esses recursos poupados na construção da empresa e no seu aparelhamento com todos os bens de capital necessários, sem os quais o trabalho de qualquer trabalhador seria consideravelmente muito menos produtivo, com muito menos quantidades produzidas, e muito mais imperfeito em sua qualidade.
O empreendedor que inicia um empreendimento tem necessariamente de ou ter economizado os fundos necessários para cobrir suas próprias despesas de investimento ou ter tomado emprestado de outros que pouparam o necessário. Alguém teve necessariamente de se sacrificar, de abrir mão do consumo no presente para que essas economias estejam disponíveis no futuro para financiar o empreendimento.  Quando o empreendimento for feito, ele poderá então gerar um retorno financeiro no futuro, quando o produto houver sido fabricado e for vendido.
Um indivíduo só irá abrir mão do seu consumo no presente se ele for suficientemente compensado com um ganho futuro que faça valer a pena abrir mão desse consumo e prazer no presente.  Poupança é sacrifício e esse sacrifício tem de ser compensado.
É por isso que são pagos juros.  Juros são o preço pago a alguém que optou por abrir mão do consumo presente para, com isso, obter um valor maior no futuro.  Juros são o preço que arbitram se os recursos serão consumidos no presente ou investidos para o futuro.  Juros são o preço que os poupadores recebem no futuro por sacrificarem satisfações mais imediatas do presente, até que as quantias emprestadas sejam pagas de volta.
E o tomador de empréstimo paga esses juros porque ele valoriza mais o uso que fará do dinheiro e dos recursos que toma emprestado hoje do que todo o juro que pagará pelo empréstimo no futuro.

Empreendedores e capitalistas poupam os trabalhadores de terem de esperar pelos seus salários

O fato de empreendedores terem esses recursos à disposição — sejam eles oriundos de sua própria poupança passada ou de terem pegado emprestado a poupança de terceiros — significa que aqueles que ele emprega não terão de esperar até que os bens sejam produzidos e realmente vendidos para receberem seus salários pelo trabalho que realizaram durante o período de produção.
O empregador, em outras palavras, "adianta" aos trabalhadores o valor de seus serviços enquanto o processo de produção está em andamento, precisamente para aliviar seus empregados de terem de esperar até que as receitas da venda dos produtos aos consumidores sejam recebidas no futuro.
O fato de o trabalhador não receber o "valor total" da produção futura simplesmente reflete o fato de que é impossível o homem trocar bens futuros por bens presentes sem que haja um desconto no valor. O pagamento salarial representa bens presentes, ao passo que os serviços de sua mão-de-obra representam apenas bens futuros.
Com efeito, é por isso que é correto dizer que é o empreendedor quem de fato "faz tudo", pois sem sua disposição e capacidade para organizar, financiar e dirigir o empreendimento, seus empregados não teriam trabalho e nem receberiam salários antes que um único produto fosse fabricado e vendido.
A apreciação deste último ponto é de importância crucial. O empreendedor não é somente o organizador da empresa e o investidor que faz tudo acontecer; ele também é quem irá arcar com as consequências caso não obtenha um lucro pelos seus esforços empresariais.

Empreendedores arcam com a incerteza de planejar para o futuro

Os trabalhadores e todos os demais que fornecem ao empreendedor os bens, serviços e recursos necessários para que todo o processo de produção ocorra recebem seu pagamento enquanto o trabalho está sendo feito.  Já o empreendedor arca com toda a incerteza sobre se irá ganhar ou não o suficiente com a venda de seus produtos para cobrir todas as despesas nas quais incorreu.  Ele, aliás, nem sequer sabe se conseguirá vender seu produto.
Ao pagar aos seus empregados os salários que foram acordados por contrato, o empreendedor os alivia da incerteza a respeito de se, no final do processo, haverá lucro, prejuízo, ou se a empresa ficará no zero a zero.
É o empreendedor quem tem de fazer os julgamentos especulativos e criativos sobre o que produzir e a que preços seus produtos poderão ser vendidos. A precisão deste juízo empreendedorial em conseguir antecipar melhor do que seus concorrentes aquilo que seus consumidores podem querer comprar no futuro, bem como os preços que poderão pagar por esses bens, é o que determinará o sucesso ou fracasso de seu empreendimento.
Assim, Karl Marx errou completamente ao não entender o que determina o valor dos bens, o valor dos trabalhadores no processo de produção, e o papel vital e essencial do empreendedor, que é realmente quem faz com que as coisas aconteçam.

O mal decorrente das políticas baseadas em Marx

É de pouca importância se políticos e intelectuais que vêem trabalho, salários e empreendedores sob uma ótica de conflito de classes estão cientes do quanto suas concepções a respeito do capitalismo e do mercado de trabalho são implicitamente derivadas e influenciadas pelas ruminações obsoletas de um socialista revolucionário de meados do século XIX.
O que realmente importa é que políticas econômicas baseadas nesses equívocos marxistas a respeito da natureza e do funcionamento da economia de livre mercado irão gerar malefícios para aquelas mesmas pessoas a quem, supostamente, tais políticas deveriam ajudar.
E tais políticas equivocadas destruirão ainda mais os fundamentos essenciais do sistema de livre mercado, o qual, no decorrer dos últimos duzentos anos, deu aos homens uma liberdade pessoal e prosperidade material jamais ocorrida em toda a história humana. São políticas que destroem a liberdade que as pessoas possuem para trabalhar e se associarem livremente das maneiras que considerarem mais vantajosas, e que têm o potencial de levar a sociedade a um caminho ruinoso e conflituoso..

* Richard Ebeling leciona economia na Northwood University de Midland, Michigan, é um scholar adjunto do Mises Institute e trabalha no departamento de pesquisa do American Institute for Economic Research.




sábado, 17 de janeiro de 2015

Marx e Engels eram racistas. Então, socialistas, como vocês defendem isso?


Imperialistas arianos e racistas: Duro é aturar a esquerda radical acusando os liberais e conservadores de ‘fascistas’ ou algo do tipo

Rodrigo Constantino

‘Sem escravidão, a América do Norte, a nação mais progressista, ter-se-ia transformado em um país patriarcal. Apenas apague a América do Norte do mapa e você conseguirá anarquia, a deterioração completa do comércio e da civilização moderna.”
“A escravidão é uma categoria econômica como qualquer outra. Portanto, possui seus dois lados. Deixemos o lado mau e falemos do lado bom da escravidão, esclarecendo que se trata da escravidão direta, a dos negros do Suriname, no Brasil, nas regiões meridionais da América do Norte. [...] A escravidão valorizou as colônias, as colônias criaram o comércio universal, o comércio que é a condição da grande indústria. Por isso, a escravidão é uma categoria econômica da mais alta importância.”
“Talvez a evolução superior dos arianos e dos semitas se deva à abundância de carne e leite em sua alimentação.”
“Sendo que, comparado ao resto de nós, um nigger (crioulo) é o que há de mais perto do reino animal, ele é, sem nenhuma dúvida, o representante mais adequado para este distrito.”
“Os franceses precisam de uma surra. Se os prussianos vencerem, a centralização do poder de estado será benéfica para a centralização da classe trabalhadora alemã. A predominância germânica também deslocará o centro de gravidade do movimento dos trabalhadores na Europa ocidental, da França para Alemanha, e se apenas compararmos os movimentos nos dois países, de 1866 até agora, se verá que a classe trabalhadora alemã é superior à francesa, tanto no aspecto teórico quanto em organização.”
“A luta dos beduínos era uma luta inútil e, apesar da maneira com que soldados brutais, como Bugeaud, conduziram a guerra seja extremamente condenável, a conquista da Argélia é um fato importante e auspicioso para o progresso da civilização. [...] E se talvez lamentamos que a liberdade dos beduínos do deserto tenha sido suprimida, não podemos nos esquecer de que estes mesmos beduínos eram uma nação de ladrões.”
“Fomos espectadores da conquista do México e nos regozijamos com ela. [...] É do interesse de seu próprio desenvolvimento que ele seja, no futuro, colocado sob a tutela dos Estados Unidos. É do interesse de toda a América que os Estados Unidos, graças à conquista da Califórnia, assumissem o domínio sobre o Oceano Pacífico.”
“É lamentável que a maravilhosa Califórnia tenha sido arrancada dos preguiçosos mexicanos, que não sabiam o que fazer com ela? Todas as nações impotentes devem, em última análise, ser gratas àqueles que, cumprindo necessidades históricas, as anexam a um grande império, permitindo, assim, sua participação em um desenvolvimento histórico que, de outra maneira, seria ignorado a eles. É evidente que tal resultado não poderia ser obtido sem esmagar algumas belas florzinhas. Sem violência, nada pode ser realizado na história.”
“A Inglaterra tem que cumprir uma dupla missão na Índia: uma destruidora, outra reguladora — a aniquilação da velha sociedade asiática e o lançamento das bases materiais da sociedade ocidental na Ásia.”
“Não devemos nos esquecer de que esta vida sem dignidade, estagnada e vegetativa, este tipo de existência passiva invocou, por outro lado, em contrapartida, forças de destruição selvagens, sem objetivo, sem fim, e tornou o próprio assassinato um rito religioso no hinduísmo.”
Chega? O leitor já deve estar com o estômago embrulhado. Quem disse tais barbaridades? Hitler? Algum reacionário qualquer? Nada disso. Todas as citações são de Marx ou Engels, compiladas no livro “O marxismo e a questão racial”, do cubano Carlos Moore, um negro exilado pelas críticas de racismo feitas ao regime castrista.
O autor comprova que não se trata de afirmações fora de contexto; ao contrário: Marx e Engels defenderam em várias ocasiões esta visão imperialista ariana e racista. Era parte essencial de sua ideologia.
Ambos beberam da mesma fonte, Hegel, que disse: “O que nós propriamente entendemos por África é o Não Histórico, Não Desenvolvido Espírito, ainda envolvido na condição de mera natureza, e que foi apresentado aqui somente como soleira da História mundial.”
O problema é que nossos marxistas não leram Marx. Nelson Rodrigues, que anda sendo citado por Dilma, escreveu: “E, por todas as cartas de Marx, não há um vislumbre de amor e só o ódio, o puro ódio. Para ele, há ‘povos piolhentos’, ‘povos de suínos’, ‘povos de bandidos’, que devem ser exterminados.”
Duro é aturar a esquerda radical acusando os liberais e conservadores de “imperialistas”, “racistas”, “fascistas” ou algo do tipo. Seria cômico, não fosse trágico...



terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Novo ministro questiona Direito de Propriedade

Direito de propriedade não pode ser 'inquestionável', afirma novo ministro do Desenvolvimento Agrário


Com discurso oposto ao da nova ministra da Agricultura, titular do Desenvolvimento Agrário fala em 'derrubar cercas de latifúndios' e diz que direito de propriedade não pode ser 'inquestionável'

Diante de uma plateia lotada, composta por autoridades e movimentos sociais, o ministro Patrus Ananias assumiu nesta terça­feira, 6, o comando do Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília. Em seu discurso, prometeu compromisso com o avanço da reforma agrária e se mostrou disposto a debater o direito à propriedade, que, segundo ele, não pode ser "inquestionável".
"Não se trata de negar o direito de propriedade, uma conquista histórica e civilizatória. E sim de adequar o direito de propriedade aos outros direitos fundamentais", afirmou. "O direito de propriedade não pode ser, em nosso tempo, inquestionável, que prevalece sobre os demais direitos", complementou. O novo ministro reconhece que o tema "desperta polêmicas" e, por isso, diz que a discussão deve envolver o Congresso, o Poder Judiciário e movimentos sociais. "Passa pelo Congresso, pelo Poder Judiciário, Ministério Público. Passa sobretudo pela sociedade, pelos meios de comunicação e pelos movimentos sociais. No limite, é uma escolha feita pela própria sociedade", afirmou.
O discurso de Patrus vai em direção contrária ao posicionamento defendido pela nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu. Ligada ao setor ruralista, a ex­senadora, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, argumentou que não existem mais latifúndios no Brasil e que a reforma agrária pode ser "pontual" e não "em massa". A nova titular não compareceu à cerimônia. Já Patrus esteve na transmissão do cargo de Kátia, nessa segunda.
O novo ministro assume a pasta no lugar de Miguel Rossetto, que já tomou posse na Secretaria­Geral da Presidência da República. Ex-ministro do Desenvolvimento Social no governo Lula, Patrus recorreu à Constituição Federal e ao Papa Francisco para justificar seu posicionamento em favor da "função social da terra" e da democratização do acesso aos bens e direitos. Para ele, as reformas agrária e urbana "desafiam" o País.
"Ignorar ou negar a permanência da desigualdade e a injustiça é uma forma de perpetuá­las. Por isso não basta derrubar as cercas dos latifúndios, mas derrubar as cercas que nos limitam a uma visão individualista e excludente do processo social", complementou.
Prioridades. A exemplo do pronunciamento da presidente Dilma Rousseff, no dia 1º, o novo ministro prometeu dialogar com os movimentos sociais. Além de programas relacionados à reforma agrária e à agricultura familiar, Patrus destacou entre suas prioridades à frente da pasta a implantação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).

A menção à política estatal de inovação no campo, criada em 2013 pela presidente Dilma Rousseff, com a missão de oferecer assessoria técnica ao agricultor de pequeno porte, coloca Patrus em rota de colisão com a nova titular da Agricultura, Kátia Abreu sinalizou ontem, durante seu discurso de posse, que a Anater terá importante papel na sua pasta para “dobrar a classe média rural em quatro anos”. Ela destacou a política estatal como fundamental para promover uma “revolução do conhecimento no campo”. “Iremos de porteira em porteira para encontrar essas pessoas”, disse.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A estratégia de Gramsci


A estratégia do doutrinador Antonio Gramsci

Marcelo Dornelas

Para quem talvez ainda não conheça a estratégia do doutrinador italiano, ativista político e filósofo Antonio Gramsci, é bom deixar bem claro, pelo menos em poucas palavras, o que ele preconizava. Segundo o líder comunista, falecido em 1937, após passar anos na cadeia elaborando sua estratégia, a instauração de um regime comunista em países com uma democracia e uma economia relativamente consolidadas e estáveis, não podia se dar pela força, como aconteceu na Rússia, país que sequer havia conhecido a revolução industrial quando foi aprisionada pelos bolcheviques. Seria preciso, ao contrário, infiltrar lenta e gradualmente a idéia revolucionária (sem jamais declarar, que isso estava sendo feito), sempre pela via pacífica, legal, constitucional, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subliminar, imperceptível aos mais incautos que, por sinal, representam a grande maioria da população.
O objetivo somente seria atingido pela utilização de dois expedientes distintos: a hegemonia e a ocupação de espaços.
A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela análise de situação, de modo que quando o Comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência. Isso deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo intelectual coletivo (o partido), que as dissemina pelos intelectuais orgânicos (ou, formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí-las pela população.
É essa hegemonia, já adredemente fabricada, que faz com que todos os brasileiros, independentemente da idade, da condição sócio-econômica e do grau de instrução que tenham atingido, pensem de maneira uniforme sobre todo e qualquer assunto, nacional ou internacional.
O poder de manipulação é tamanho que até mesmo o senso crítico fica completamente imobilizado, incapaz de ajudar o indivíduo a analisar as questões de maneira isenta.
Os exemplos são numerosos: do desarmamento, ao aborto, da eutanásia, do movimento gay às políticas sociais, do racismo ao trabalho escravo, da inculpação social pelos crimes individuais à aceitação do caráter social de movimentos comprovadamente guerrilheiros (FARC, MST, MLST, MIR, ETA, etc.), todos eles visando destruir, por completo, valores que a sociedade tinha entranhados em sua alma, mas que, justamente por isso, não servem aos interesses do partido.
É que esses valores representam um conjunto de virtudes diametralmente opostas aos conceitos que o partido deseja inserir no corpo social e que servirão de embasamento para as transformações que pretende implantar.
Uma vez superada a opinião que essa mesma sociedade tinha a respeito de várias questões, atinge-se o que Gramsci denominava superação do senso comum, que outra coisa não é senão a hegemonia do pensamento.
Cada um de nós passa, assim, a ser um ventríloquo a repetir, impensadamente, as opiniões que já vêm prontas do forno ideológico comunista. E quando chegar a hora de dizer agora estamos prontos para ter realmente uma democracia (que, na verdade, nada mais é do que a ditadura do partido), aceitaremos também qualquer medida que nos leve a esse rumo, seja ela a demolição de instituições, seja ela a abolição da propriedade privada, seja ela o fim mesmo da democracia como sempre a entendemos até então, acreditando que será muito normal que essa volta à pseudo-democracia, se faça por decretos, leis ou reformas constitucionais. Afinal, Hitler, também não foi eleito pelo povo e não passou a ditar normas legais?! É exatamente a superação do senso comum, que fez com que todos acreditassem piamente que a contra revolução de 1964, não passou de um ato impensado dos Militares que, à falta do que fazer, decidiram implantar uma ditadura.
Como uma única palavra não foi dita sobre a ditadura que esses mesmos comunistas estavam praticamente conseguindo implantar naquela época (como haviam tentado em 1935 e como voltariam a tentar entre o final dos anos 60 e meados dos 70), ficou impossível ao brasileiro médio compreender que a intervenção das Forças Armadas veio justamente impedir que aquela desgraça se concretizasse. E, se elas não intervém também agora, é porque o povo, já completamente anestesiado, não tem nem forças para ir às ruas exigir tal providência.
É exatamente essa hegemonia de pensamento, que pôde imprimir nos brasileiros a idéia de que só o Estado pode resolver seus problemas mais comezinhos, o que tem causado um gigantismo antes nunca visto, com o crescente aumento da carga tributária para sustentá-lo.
A cada dia são criadas mais delegacias especializadas, mais conselhos, mais isso e mais aquilo para controlar e fiscalizar as ações de cidadãos, antes livres. É exatamente ela, a hegemonia gramsciana, utilizada pelo PT que inculcou em todos os cidadãos a crença de que os sem-terra foram massacrados pela Polícia Militar em Eldorado do Carajás, no Sul do Pará, quando na verdade a fita de vídeo original, contendo a gravação do episódio, mostrava claramente que eles agiram em legítima defesa diante de um número muito maior de sem-terras que, armados com foices, enxadas e até mesmo revólveres (como aparece naquela fita), avançou para cima dos policiais. É exatamente isso que fez espalhar a crença de que os fazendeiros são todos uns malvados e escravizadores de pobres trabalhadores indefesos, servindo, assim, de embasamento para que, em breve, o direito à propriedade seja eliminada da Constituição, se nela for encontrado algum tipo de trabalho escravo, cuja definição legal nem mesmo existe.
É exatamente isso que autorizou todos os brasileiros a imaginar que o Brasil é um país racista, a despeito de contar com o maior número de mulatos do planeta e de jamais ter sido registrado um único caso de desavença entre negros e brancos por causa da raça, como acontece nos Estados Unidos e na África do Sul. E é também graças à força da hegemonia, que ninguém parou para pensar que todas as desavenças já havidas entre negros e brancos entre nós, iniciaram-se por motivos fúteis, que vão do futebol à briga por ciúmes, muitas vezes regadas a uma boa caninha, nada tendo a ver com a cor da pele, já que também ocorrem da mesmíssima maneira entre indivíduos da mesma raça.
Evidente que, depois do que estou escrevendo, nada impede que se fabrique uma briga por causa da raça, com notícias em todos os jornais, para servir de prova do racismo por aqui. Isso nada mais seria do que o intelectual coletivo, agindo para o bem de sua própria causa.
É exatamente essa superação do senso comum, que fez com que a maioria acreditasse que as armas de fogo matam mais do que os acidentes de trânsito ou a desnutrição crônica infantil, malgrado os índices infinitamente superiores de mortes por estas duas causas, sem que medida alguma seja tomada para eliminá-las ou diminuí-las e sem que nenhuma propaganda incisiva seja feita para alardear tais descalabros.
A maciça propaganda do desarmamento foi, portanto, uma mentira descarada que salta aos olhos dos que realmente os têm. É exatamente isso que fez com que todos odiassem Bush e os norte-americanos e, inversamente, amassem de paixões Fidel Castro – Hugo Chavez, e vissem os terroristas iraquianos como meros resistentes contra o imperialismo americano.
É exatamente isso que fez com que todos pensassem que o Comunismo acabou, com a queda do Muro de Berlim e a desintegração da União Soviética, quando na verdade ele está hoje mais vivo do que nunca, principalmente em nosso continente, é só querer ver.
É exatamente isso que faz com que todo mundo se escandalize com assassinatos de fiscais do trabalho, como ocorrido em Unaí, ou de Irmã Dorothy Stein, no Pará, só para ficar em exemplos mais recentes. Essa escandalização foi sutilmente preparada para que todos os despreparados ficassem indignados com tamanha brutalidade, como se esta tivesse sido o resultado de uma reação iníqua à cândida e legal atuação do Estado ou de ONGs a ele atreladas.
É exatamente isso que permite que aceitemos, como a coisa mais natural do mundo que se chame chacina a morte de dois ou três sem-terras, enquanto que a morte de dois ou mil fazendeiros continuará sendo chamada de morte, simplesmente.
E tem sido exatamente isso, enfim, que permite várias outras opiniões uniformes que não passariam pelo crivo do juízo crítico caso ele ainda encontrasse forças para entrar em ação.
Mas como encontrar forças com tamanho rolo compressor a aplainar toda e qualquer opinião sobre o que quer que seja?! Daí a facilidade com que chavões do tipo justiça social, cidadania, construção de uma sociedade justa e igualitária, direitos humanos, etc., que só servem para estimular a velha luta de classes proposta por Marx e Engels, em seu Manifesto Comunista – 1848, passaram a habitar o imaginário popular. Afinal, são eles, os comunistas, que não desistem nunca!
A outra técnica Gramsciana, amplamente utilizada pelo PT é denominada de ocupação de espaços. Já dava mostras tão evidentes de visibilidade entre nós, com a nomeação de mais de 20 mil cargos de confiança pelo PT, em todo o território nacional (só para cargos federais), que nem mesmo precisaria ser novamente denunciada. O que faltava, entretanto, era fazer a conexão com a primeira técnica – a hegemonia.
Ora, sabendo que a superação do senso comum é tarefa dos intelectuais orgânicos importa reconhecer a necessidade de que eles estivessem em toda parte como erva daninha. Daí a nomeação, pelo intelectual coletivo, para todos os escalões do desgoverno petista (federal, estaduais ou municipais), de pessoas alinhadas com a ideologia do partido. Não foi à toa que o presidente Lula colocou nos ministérios vários derrotados pelo povo nas eleições estaduais e municipais como: Olívio Dutra, Tarso Genro, Humberto Costa, além de outros que de há muito estão comprometidos com o Comunismo, inclusive com vinculações internacionais. Basta ver como e o quê aconteceu e acontece no Foro de São Paulo e no Fórum Social Mundial, bem como quem são os seus patrocinadores e entidades integrantes, sabidamente criminosas.
A conclusão é tão lógica e óbvia, que chega a ser surpreendente que a ela ainda não tenham chegado todos os brasileiros, principalmente muitos daqueles que ostentam diploma de doutor e que têm, por isso mesmo, a obrigação moral de alertar seus compatriotas.
Só se pode entender sua adesão incondicional às táticas gramscistas por uma de duas razões: ou porque, apesar de doutores, são, na verdade, ignorantes da pior espécie, deixando-se levar por uma esparrela dessa, ou porque estão a serviço da engenhoca. Não há outra explicação!
O Brasil talvez seja o País no mundo onde a estratégia gramscista de tomada do poder utilizada pelo PT, mais se encontra avançada. A eleição de Lula foi apenas mais um passo numa estratégia muito mais densa.
O Brasil atualmente não possui uma oposição política onde impere a pluralidade de idéias, estamos atolados na unanimidade dos desesperados, a prova disto é que a esquerda se radicaliza cada vez mais.
O que é ainda mais demonstrativo do atual avanço da Revolução Gramscista, utilizado pelo PT no Brasil, é que a consciência individual está sendo substituída pela idéia do politicamente correto e do relativismo moral, os exemplos são gritantes: Sem-Terras armados invadindo fazendas produtivas e grandes empresas multinacionais de pesquisas são vítimas; fazendeiros ao se defenderem são criminosos; os traficantes que estão incitados numa guerra civil no Rio de Janeiro e São Paulo, são vítimas do sistema, sequer chegam a ser culpados; nós, os cidadãos que respeitamos as Leis, também devemos ser um pouco responsabilizados por estes atos (assim nos diz a mídia, todos os dias); os pastores e padres que falam contra o aborto e o homossexualismo são monstros comedores de crianças, os ditos freis que embalados na teologia da libertação, afirmam que Cuba é o paraíso na terra, não importa os dezessete mil mortos, são expoentes máximos da cristandade.
Analisem agora friamente e com a razão essa afirmativa: Nenhum presidente na História do Brasil, teria se mantido no Poder, se houvesse sido acusado de pelo menos metade das irregularidades e dos crimes cometidos de fato pelo Partido dos Trabalhadores, sob a benemérita liderança do Senhor Luís Inácio Lula da Silva. Ou por exemplo, o caso Waldomiro Diniz que é uma gota d'água no oceano;-muito mais difícil de explicar são as irregularidades no Programa Fome-Zero, ou os abusos totalitários contra o patrimônio público cometidos por diversos membros do desgoverno Lula-Dilma (onde até a cadela do presidente, passeava de carro oficial tranqüilamente),-o caso do Mensalão, amplamente discutido e comprovado em CPI e, devidamente denunciado pelo Procurador Geral da República;-o caso de caixa dois do PT (verbas não contabilizadas) e, que o próprio presidente em entrevista confirmou ser esta, uma prática de rotina no Brasil; envio de dinheiro ao exterior de forma ilícita;-quebra de sigilo bancário, telefônico e postal, de um simples caseiro que ousou denunciar um Ministro do desgoverno Lula e, as alianças sinistras entre o PT e as FARC (Colombianas), MIR (Chileno), PCC (Partido Comunista Cubano), ELN (Exército de Libertação Nacional), FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional), PRD (Partido da Revolução Democrática), FMLN (Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional), URNG (União Revolucionária Nacional da Guatemala), dentre outros.
O que me causa estranheza nestas alianças sinistras, é o quase segredo absoluto que impera sobre os fatos ocorridos no Foro de São Paulo, onde não se viu ou vê, nenhum comentário mais acirrado da mídia especializada (ou não), ou até mesmo um ato de repúdio de nossas Forças Armadas, sobre tais acontecimentos no mínimo suspeitos.
Parece até que tudo está cor de rosa, neste mar de lama chamado Brasil!
Qualquer debate hoje no Brasil que envolva a Política Nacional, especialmente após os efeitos da queda do Muro da Vergonha, só pode ser considerado sério se discutido desde o ponto de vista da Revolução Gramscista, não por imposição ideológica, mas por verificação histórica, caso contrário tudo que teremos é um exercício de abstração teórica cujo conteúdo e implicações práticas não terão mais significação que uma discussão acalorada de mesa de bar.
Isto é exatamente em que será resumida a essência da intelligenzia nacional, quando todos os brasileiros se tornarem, sob as graças de Antonio Gramsci, intelectuais orgânicos, cuja única verdade é a mentira do partido. É dogmática ou romantizada a crença de que o homem é um fruto homogêneo de seu meio. Todavia, é deste último que a maioria das pessoas retira seus principais pontos de referência, distinguindo-se como indivíduos em sociedade. Raros são os homens que conseguem olhar dentro de si e não apenas em sua volta.
Por isso, reafirmo que o PT não tem Plano de Governo. Tem é Plano de Poder, adaptando-se ao projeto de instauração da Nova Ordem Mundial!