domingo, 4 de dezembro de 2022

Como a Estônia se tornou um dos países mais ricos da Europa Oriental

 


Como a Estônia - sim, a Estônia - se tornou um dos países mais ricos da Europa Oriental

  

Luis Pablo de la Horra* 


A Estônia é o exemplo vivo de que o progresso humano está intimamente ligado à liberdade econômica.


     A razão de que alguns países são ricos e prósperos enquanto outros parecem estar condenados ao flagelo da pobreza existe há séculos. Muitos fatores têm sido apontados como determinantes da prosperidade: geográficos, culturais, históricos etc.

      No entanto, pelo menos desde a publicação em 1776 de A Riqueza das Nações, sabemos que as instituições políticas e econômicas desempenham um papel decisivo a esse respeito. O livre comércio, uma estrutura legal confiável que protege a propriedade privada e faz cumprir os contratos e uma moeda sólida são condições necessárias para que os países prosperem.

      O surgimento e a consolidação de instituições que impulsionam o crescimento levaram centenas de anos em países como o Reino Unido e os Estados Unidos. No entanto, nas últimas décadas, vimos que as políticas certas podem acelerar significativamente o desenvolvimento econômico. A Estônia é um exemplo paradigmático disso.

 

História da Estônia

 

     Em 20 de agosto de 1991, a Estônia conquistou sua independência após 51 anos sob o jugo do comunismo. O país foi ocupado pela primeira vez pelo Exército Vermelho em junho de 1940 sob a égide do Pacto de Não Agressão Alemão-Soviético, pelo qual os dois estados totalitários dividiram a Europa Oriental em esferas de influência.

      Um ano depois, o exército nazista invadiu a União Soviética, ocupando a Estônia até 1944, quando os soviéticos retomaram o país. A instabilidade política na União Soviética durante o início dos anos 90 precipitou a restauração da democracia no país báltico.

 


     Desde o primeiro dia, o novo governo se comprometeu a realizar reformas voltadas para o mercado que lançaram as bases para uma transição bem-sucedida do socialismo para o capitalismo. A agenda política incluía a reforma monetária, a criação de uma zona de livre comércio, um orçamento equilibrado, a privatização de empresas estatais e a introdução de um imposto de renda de taxa fixa.

 


     Um dos arquitetos dessa agenda pró-mercado foi Mart Laar, primeiro-ministro da Estônia durante dois períodos: 1992-1994 e 1999-2002. Laar afirmou que se inspirou no best-seller de Milton Friedman, Free to Choose, para implementar seu ambicioso plano de reforma de livre mercado.

    Essas reformas abriram caminho para o incrível aumento nos padrões de vida que a Estônia experimentou desde a independência. Hoje, a Estônia é considerada um país de alta renda pelo Banco Mundial, e é membro da UE e da zona do euro. O poder de compra dos estonianos aumentou 400% nas últimas duas décadas, apesar do forte impacto que a crise financeira de 2008 teve nas economias bálticas. Além disso, a expectativa de vida passou de 66 anos em 1994 para 77 anos em 2016.

      A Estônia está classificada entre os principais países em termos de liberdade econômica. As finanças do governo são saudáveis, como demonstrado pelo fato de que a dívida pública é de apenas 9,5% do PIB. Em termos de mercado de trabalho, a taxa de desemprego da Estônia é de 5,3%, bem abaixo da média da UE. Por fim, seu eficiente e atraente sistema tributário corporativo (lucros não distribuídos não são tributados) colocou a Estônia como um centro mundial para empresas de alta tecnologia, impulsionando os investimentos estrangeiros e o crescimento econômico.

      Quando comparada com as outras ex-repúblicas soviéticas, o progresso da Estônia é ainda mais surpreendente. Em termos de renda ajustada pela Paridade do Poder de Compra, a Estônia ocupa o primeiro lugar, à frente de países como a Rússia ou a Letônia, e bem acima da renda mediana. A imagem é semelhante quando se trata de outros indicadores como expectativa de vida ou taxa de mortalidade infantil, onde a Estônia mostra que o progresso econômico tem um impacto real nos padrões de vida das pessoas.

      A Estônia é o exemplo vivo de que o progresso humano está intimamente ligado à liberdade econômica. No entanto, existem muitos outros. Países que até então eram extremamente pobres estão abandonando a lama do subdesenvolvimento e abraçando a prosperidade graças ao capitalismo. As receitas para o crescimento econômico e o progresso são conhecidas. A única coisa que podemos fazer é espalhar a palavra para que todos os países tenham a oportunidade de melhorar seus padrões de vida, como a Estônia fez no início dos anos 1990.

 

* Luis Pablo De La Horra é bacharel em inglês e mestre em finanças. Ele escreve para FEE, Instituto de Assuntos Econômicos e Speakfreely.today.


Fonte: https://fee.org/articles/how-estonia-yes-estonia-became-one-of-the-wealthiest-countries-in-eastern-europe/?fbclid=IwAR0DhkVAc0P48CNMFMUqawJFDsdS3HOLz4qXIijTmyxpvhqzK2ECwFN-Up4


segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Não, Jesus não era um socialista

 

Não, Jesus não era um socialista


Lawrence W. Reed
 
“A caridade cristã, sendo voluntária e sincera, é totalmente distinta das imposições compulsórias e impessoais do Estado.”
 

A afirmação de que Jesus Cristo era um socialista tornou-se um refrão popular entre os esquerdistas, mesmo entre alguns cujo cristianismo é, na melhor das hipóteses, morno. Mas há alguma verdade nisso?

Essa pergunta não pode ser respondida sem uma definição confiável de socialismo. Há um século, ele era amplamente considerado como sendo a propriedade estatal dos meios de produção. Jesus nem uma vez sequer insinuou esse conceito, muito menos o endossou. No entanto, a definição mudou ao longo do tempo. Quando as críticas de economistas como Ludwig von Mises, F. A. Hayek e Milton Friedman demoliram qualquer argumento intelectual para a forma original de socialismo, e a realidade provou que eles estavam devastadoramente certos, os socialistas mudaram para outra versão: o planejamento central da economia.

Pode-se vasculhar o Novo Testamento e não se encontrará nenhuma palavra de Jesus que exija poder de políticos ou burocratas para alocar recursos, escolher vencedores e perdedores, dizer aos empresários como administrar seus negócios, impor salário mínimo ou preços máximos, obrigar trabalhadores a se filiarem a sindicatos, ou mesmo para aumentar os impostos. Quando os fariseus tentaram enganar Jesus de Nazaré para endossar a evasão fiscal, ele permitiu que outros decidissem o que pertence ao Estado, respondendo: “Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

No entanto, uma das acusações que levaram à crucificação de Jesus foi, de fato, o incentivo a não pagar tributos a César.

 

Alterando a Definição
 

Com a reputação de planejadores centrais no lixo em todo o mundo, os socialistas passaram em grande parte para uma ênfase diferente: o estado de bem-estar. O socialismo de Bernie Sanders e sua jovem aliada Alexandria Ocasio-Cortez é o do Estado benevolente e igualitário onde o rico Pedro é roubado para pagar o pobre Paulo. É caracterizado por muitas “coisas gratuitas” do governo – o que obviamente não é gratuito. É bastante caro tanto em termos de taxas burocráticas de corretagem quanto na dependência desmoralizante que produz entre seus beneficiários. É isso que Jesus tinha em mente?

Dificilmente. Sim, em meio ao feriado, é especialmente oportuno pensar em ajudar os pobres. Afinal, era uma parte muito importante da mensagem de Jesus. Como ajudar os pobres deve ser feito, no entanto, é muito importante.

Os cristãos são direcionados nas Escrituras a amar, orar, ser bondosos, servir, perdoar, ser verdadeiros, adorar o único Deus, aprender e crescer tanto em espírito quanto em caráter. Todas essas coisas são muito pessoais. Eles não exigem políticos, policiais, burocratas, partidos políticos ou programas.

“Os pobres você sempre terá com você, e você pode ajudá-los quando quiser”, diz Jesus em Mateus 26:11 e Marcos 14:7. As palavras-chave que existem são: você pode ajudar e quer ajudar. Ele não disse: “Vamos fazer você ajudar, goste ou não”.

Em Lucas 12:13-15, Jesus é abordado com um pedido de redistribuição. “Mestre, fale com meu irmão para que ele reparta a herança comigo”, um homem pede. Jesus respondeu: “Homem, quem me constituiu juiz ou divisor de vocês?” Então ele repreendeu o peticionário por sua inveja.

O Cristianismo não se refere a passar a responsabilidade para o governo quando se trata de aliviar a situação dos pobres. Cuidar deles significa ajudá-los a superar a situação; não pagá-los para permanecerem pobres ou torná-los dependentes do Estado é um fato essencial na vida de um verdadeiro cristão há 2.000 anos. A caridade cristã, sendo voluntária e sincera, é totalmente distinta das imposições compulsórias e impessoais do Estado.

 

O que as Escrituras dizem?
 

Mas não acredite na minha palavra. Considere o que o apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 9:7: “Cada um de vocês deve dar o que decidiu em seu coração dar, não com relutância ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.”

E na Parábola do Bom Samaritano de Jesus, o viajante é considerado “bom” porque ajudou pessoalmente o ferido na beira da estrada com seu próprio tempo e recursos. Se, em vez disso, ele tivesse instado o sujeito indefeso a esperar a chegada de um cheque do governo, provavelmente o conheceríamos hoje como o Samaritano Imprestável.

Jesus claramente sustentou que a compaixão é um valor saudável para se ter, mas não conheço nenhuma passagem no Novo Testamento que sugira que seja um valor que ele imporia à força ou à mão armada – em outras palavras, pela política socialista.

Os socialistas gostam de sugerir que Jesus desdenhava os ricos, citando dois momentos particulares: sua atitude perante os mercadores do Templo e sua observação de que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. No primeiro caso, Jesus ficou zangado porque a casa de Deus estava sendo mal utilizada. Na verdade, ele nunca expulsou um negociante de um banco ou do mercado. Na segunda, ele estava avisando que com grandes riquezas, também vêm grandes tentações.

Estas eram advertências contra prioridades equivocadas, não mensagens de guerra de classes.

 

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Texto publicado originalmente em inglês no link:
https://fee.org/articles/no-jesus-wasnt-a-socialist/?fbclid=IwAR0pK9ftapJwuv0FfOJ3TgXb8OB_T3BAOlsdKfnNXEDqAd6g_HXjt_tKgwk
 
Fonte: FEE – Foundation for Economic Education

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Progressismo ilusório

 


Progressismo ilusório

 
Marco Milani
 

Em um contexto efetivamente progressista, o movimento dialético sinaliza para o constante aprimoramento das ideias e das relações humanas diante de contradições e divergências existentes, reforçando o que deu certo e revendo o que não foi satisfatório ou aquilo que pode e deve ser melhorado. Trata-se de dinamismo natural de diferentes aspectos da vida em sociedade e contribui para o avanço e aplicação do conhecimento acumulado e inovações.

Nesse sentido, o verdadeiro progressismo abraça e respeita diferentes ideias e cosmovisões, de maneira a promover um diálogo necessário e tolerante, para se identificar os pontos antagônicos e semelhantes que resultariam em uma síntese temporária para servir de referência a novos aperfeiçoamentos diante dos fatos e da razão.

Uma característica fundamental desse processo é a preservação do que se mostra válido e útil sem buscar-se o seu desvirtuamento, ou seja, não se objetiva destruir o que já foi conquistado fruto desse mesmo movimento evolutivo, mas busca-se novos aprimoramentos diante do aumento do conhecimento sobre a realidade sem prejuízo à situação geral. Progresso, portanto, não implica destruição ou substituição integral do passado.

Sob a perspectiva hegeliana, o saudável embate de ideias fomenta a dialogicidade entre todas as partes, portanto, qualquer um que se colocar a favor do aprimoramento do conhecimento e das relações humanas, independentemente de preferências e rótulos políticos, é progressista.

Ardilosamente, entretanto, o termo foi capturado por estrategistas para designar, exclusivamente, determinado segmento político-ideológico e estigmatizar todos os adversários como contrários ao progresso. Dessa maneira, procurou-se ressignificar o termo progressista ao vinculá-lo a uma agenda ideológica que separa o mundo, sob uma ótica maniqueísta, entre bons e maus, oprimidos e opressores, humanistas e misantropos, caridosos e egoístas.

Assim, ao descaracterizar o seu significado original e subverter a abrangência de seu sentido, tenta-se monopolizar as virtudes e demonizar ideias antagônicas, contrariando a essência do processo dialético.

Igualmente à subversão semântica, termos tradicionalmente presentes e relevantes na história política ocidental, como liberal e conservador, passaram a ser maliciosamente utilizados pelos novos “progressistas” como sinônimos de ganância, atraso e imobilismo. Com esses novos significados, justificar-se-iam ações violentas e regimes totalitários para livrar a sociedade da presença desses seres moralmente desprezíveis. Essa atitude expressa a contradição daqueles que se afirmam democráticos e tolerantes, mas não suportam o diferente.

Os fatos, entretanto, desmentem as narrativas criadas para iludir e vilipendiar a população em geral sobre o que realmente favorece as relações humanas e o progresso econômico. Países compatíveis com essa ressignificação não costumam apresentar os resultados prometidos. Que o digam os regimes “progressistas” de Cuba, Coreia do Norte e Venezuela.

 

* Marco Milani é Economista, Pós-Doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha) e Livre-Docente pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

quarta-feira, 27 de julho de 2022

5 coisas que Marx queria abolir (além da propriedade privada)

 



5 coisas que Marx queria abolir (além da propriedade privada)

Jonathan Miltimore


Todos nós sabemos que Marx queria se livrar da propriedade privada, mas ele foi extremamente franco em querer abolir essas coisas também.

 Uma das coisas notáveis ​​sobre O manifesto comunista é sua honestidade.

Karl Marx pode não ter sido um cara muito bom, mas foi refrescantemente sincero sobre os objetivos do comunismo. Essa ousadia, pode-se argumentar, está incrustada na psique comunista.

 “Os comunistas desprezam esconder suas visões e objetivos”, declarou Marx em seu famoso manifesto. “Eles declaram abertamente que seus fins só podem ser alcançados pela derrubada forçada de todas as condições sociais existentes. Deixe as classes dominantes tremerem diante de uma revolução comunista.”

Como o Mein Kampf de Hitler, os leitores são apresentados a uma visão pura e não diluída da ideologia do autor (por mais sombria que seja).

 O manifesto de Marx é famoso por resumir sua teoria do comunismo em uma única frase: “Abolição da propriedade privada”. Mas esta não era a única coisa que o filósofo acreditava que deveria ser abolida da sociedade burguesa na marcha do proletariado para a utopia. Em seu manifesto, Marx destacou, adicionalmente, cinco ideias e instituições a serem erradicas.

 

1. A Família

 Marx admite que destruir a família é um tema espinhoso, mesmo para revolucionários. “Abolição da família! Até os mais radicais se irritam com essa infame proposta dos comunistas”, escreve ele.

 Mas ele disse que os oponentes dessa ideia não conseguem entender um fato-chave sobre a família.

 “Em que fundamento se baseia a família atual, a família burguesa? No capital, no ganho privado. Em sua forma completamente desenvolvida, a família existe apenas na burguesia”, escreve ele.

 Ele destaca que abolir a família seria relativamente fácil uma vez que a propriedade burguesa fosse abolida. “A família burguesa desaparecerá naturalmente quando seu complemento desaparecer, e ambos desaparecerão com o desaparecimento do capital.”

 

2. Individualidade

Marx acreditava que a individualidade era antitética ao igualitarismo que ele imaginava. Portanto, o “indivíduo” deve “ser varrido do caminho e tornado impossível”. A individualidade era uma construção social de uma sociedade capitalista e estava profundamente entrelaçada com o próprio capital.

 “Na sociedade burguesa o capital é independente e tem individualidade, enquanto a pessoa viva é dependente e não tem individualidade”, escreveu. “E a abolição desse estado de coisas é chamada pelos burgueses de abolição da individualidade e da liberdade! E com razão. A abolição da individualidade burguesa, da independência burguesa e da liberdade burguesa é indubitavelmente visada”.

 

3. Verdades eternas

Marx não parecia acreditar que qualquer verdade existisse além da luta de classes.

 “As ideias dominantes de cada época sempre foram as ideias de sua classe dominante”, argumentou. “Quando o mundo antigo estava em seus últimos estertores, as religiões antigas foram superadas pelo cristianismo. Quando as ideias cristãs sucumbiram no século 18 às ideias racionalistas, a sociedade feudal travou sua batalha mortal com a então burguesia revolucionária.”

 Ele reconheceu o quão radical essa ideia soaria para seus leitores, principalmente porque o comunismo não procura modificar a verdade, mas derrubá-la. Mas ele argumentou que essas pessoas estavam perdendo o quadro maior.

“‘Sem dúvida’, dir-se-á, ‘as ideias religiosas, morais, filosóficas e jurídicas foram modificadas no curso do desenvolvimento histórico. Mas religião, moralidade, filosofia, ciência política e direito sobreviveram constantemente a essa mudança. Há, além disso, verdades eternas, como Liberdade, Justiça, etc., que são comuns a todos os estados da sociedade. Mas o comunismo abole as verdades eternas, abole toda religião e toda moral, em vez de constituí-las sobre uma nova base; portanto, age em contradição com toda a experiência histórica passada.' A que se reduz esta acusação? A história de toda a sociedade passada consistiu no desenvolvimento de antagonismos de classe, antagonismos que assumiram diferentes formas em diferentes épocas”.

 

4. Nações

Os comunistas, disse Marx, são censurados por tentarem abolir os países. Essas pessoas não entendem a natureza do proletariado, escreveu ele.

“Os trabalhadores não têm pátria. Não podemos tirar deles o que eles não têm. Uma vez que o proletariado deve, antes de tudo, adquirir a supremacia política, deve elevar-se para ser a classe dirigente da nação, deve constituir-se a nação, até agora é nacional, embora não no sentido burguês da palavra.”

 Além disso, em grande parte por causa do capitalismo, ele viu as hostilidades entre pessoas de diferentes origens retrocederem. À medida que o proletariado crescesse no poder, logo não haveria necessidade de nações, escreveu ele.

 “As diferenças nacionais e os antagonismos entre os povos desaparecem cada vez mais, devido ao desenvolvimento da burguesia, à liberdade de comércio, ao mercado mundial, à uniformidade do modo de produção e das condições de vida a ele correspondentes.”

 

5. O Passado

 Marx via a tradição como uma ferramenta da burguesia. A adesão ao passado serviu como mera distração na busca do proletariado por emancipação e supremacia.

 “Na sociedade burguesa”, escreveu Marx, “o passado domina

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* Jonathan Miltimore é o editor administrativo da FEE.org. Suas matérias têm sido temas de artigos na revista TIME, The Wall Street Journal, CNN, Forbes, Fox News e Star Tribune.

Fonte: https://fee.org/articles/5-things-marx-wanted-to-abolish-besides-private-property/

 


segunda-feira, 9 de maio de 2022

Origem dos princípios econômicos da Escola Austríaca

 

Origem dos princípios econômicos da Escola Austríaca

 

A história da Escola Austríaca começa no século XV, quando os seguidores de São Tomás de Aquino, que escreviam e lecionavam na Universidade de Salamanca, na Espanha, procuraram entender e explicar toda a completa extensão da ação humana e da organização social.

 Esses Escolásticos Tardios perceberam a existência de leis econômicas - forças inexoráveis de causa e efeito que operam de maneira muito parecida às outras leis naturais. 

 Durante o curso de várias gerações, eles descobriram e explicaram as leis da oferta e da demanda, as causas da inflação, o funcionamento das taxas de câmbio, e a natureza subjetiva do valor econômico.

Os Escolásticos Tardios eram defensores dos direitos de propriedade e da liberdade de comércio e de contrato. Eles louvavam a contribuição que os negócios traziam para a sociedade, ao mesmo tempo em que tenazmente se opunham aos impostos, controles de preços e regulamentações que inibiam a livre iniciativa.

Como teólogos morais, eles incitavam governos a seguirem uma postura ética de condenação ao roubo e ao homicídio. E eles foram fiéis à regra de Ludwig von Mises: a principal função de um economista é dizer aos governos o que eles não podem fazer.

O primeiro tratado geral de economia, Essay on the Nature of Commerce (Um Ensaio Sobre a Natureza do Comércio), foi escrito em 1730 por Richard Cantillon, um homem educado na tradição escolástica.

Cantillon foi seguido por Anne Robert Jacques Turgot, o aristocrata francês pró-mercado e ministro das finanças no ancien regime. Seus escritos econômicos foram poucos, porém profundos. Sua dissertação "Value and Money (Valor e Dinheiro)" decifrou as origens do dinheiro, e a natureza da escolha econômica.

Turgot foi o pai intelectual de uma grande linhagem de grandes economistas franceses dos séculos XVIII e XIX, mais proeminentemente Jean Baptiste Say e Claude-Frédéric Bastiat. Say foi o primeiro economista a pensar profundamente sobre método econômico.

Em 1871, Carl Menger, o fundador da Escola Austríaca propriamente dita, ressuscitou a abordagem econômica franco-escolástica, e a assentou sobre pilares mais firmes com a publicação de Principles of Economics (Princípios de Economia Política).

O livro de Menger foi o alicerce da "revolução marginalista" na história da ciência econômica.

Menger restaurou a economia como a ciência da ação humana baseada na lógica dedutiva, e preparou o caminho para que os teóricos seguintes se opusessem à influência do pensamento socialista.

Outro grande pensador austríaco foi Eugen von Böehm-Bawerk, admirador e seguidor de Menger na Universidade de Innsbruck, pegou a exposição de Menger, reformulou-a e aplicou-a a uma gama de novos problemas envolvendo valor, preço, capital e juros. Suas pesquisas e escritos que solidificaram o status da Escola Austríaca como sendo uma maneira unificada de encarar os problemas econômicos.

Esses pensadores aqui citados abriram caminho e deram origem a essa escola de pensamento que mudou o rumo das ciências econômicas.

Foi sobre os ombros deles que grandes economistas como Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Murray Rothbard se apoiaram.

Compreender a Escola Austríaca é entender a economia de verdade!

  

Fonte: Instituto Mises Brasil - https://mises.org.br/

 


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A única conclusão sensata para um socialista é desistir do socialismo

 

“A única conclusão sensata para um socialista é desistir do socialismo”

Entrevista com Kristian Niemietz, publicada no jornal Gazeta do Povo, em 19/07/2019

Regimes socialistas foram exemplos de fracasso nas últimas décadas: União Soviética, Cuba e Coreia do Norte são retratos de colapso do modelo. Ainda assim, governos contemporâneos tentam repetir experimentos socialistas.

Para Kristian Niemietz, autor do livro Socialism: The Failed Idea That Never Dies [Socialismo: a ideia fracassada que nunca morre], o socialismo sempre se reapresenta afirmando que não repetirá erros do passado, mas acaba repetindo-os novamente. "O socialismo não pode ser melhorado", afirma Niemietz.

Segundo ele, as falhas do socialismo são inerentes ao seu modelo. "Não é simplesmente uma questão de aprender as lições do fracasso de regimes socialistas anteriores. Uma vez que um socialista tenha aprendido as lições certas, ele não pode mais ser um socialista. A única conclusão sensata é desistir completamente do socialismo". Confira:

Quais são as razões por trás do surgimento de um regime socialista?

Os regimes socialistas surgem por razões muito distintas. A Revolução de Outubro de 1917, na Rússia, foi um golpe realizado por um pequeno grupo de militantes, tornado possível pelo caos e instabilidade da Primeira Guerra Mundial. Após a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos países da Europa Central e Oriental tinham o socialismo imposto pela União Soviética. Algumas revoluções socialistas tinham apoio das massas, pelo menos inicialmente. Elas podem surgir por razões com as quais até um antissocialista convicto pode simpatizar, como a oposição a um opressor colonial ou a uma ditadura sombria, como Cuba em 1959 e Nicarágua em 1979. E, embora seja raro, há também exemplos de governos socialistas democraticamente eleitos: Allende, no Chile em 1970, e Chávez, na Venezuela em 1998. E, mais uma vez, 2000, 2006 e 2012.

Em seu livro, você fala de uma fase de lua de mel no socialismo. Como é o ciclo típico?

O problema fundamental de debater o socialismo é que a maioria dos socialistas não aceita nenhuma evidência do mundo real. Sempre que o socialismo falha, eles dizem: "Ah, mas isso não era socialismo real". O que mostro em meu livro é que essa afirmação geralmente é feita apenas em retrospecto, isto é, depois que um sistema socialista já foi amplamente desacreditado. Enquanto o sistema está em seu apogeu, quase ninguém afirma que não é "realmente" socialista. Durante esse "período de lua-de-mel", aquele período de sucesso inicial de curta duração, os sistemas socialistas são amplamente elogiados pelos intelectuais ocidentais. Quando suas falhas não podem mais ser negadas, os intelectuais ocidentais começam a dar desculpas para eles. E, depois de um tempo, eles simplesmente dizem que esses sistemas nunca foram socialistas de verdade

O exemplo mais recente é o da Venezuela. De 2005 a 2013, Chávez foi entusiasmadamente elogiado por muitos analistas ocidentais de destaque. Daí, quando a crise chegou, esses mesmos analistas deram justificativas, culpando, por exemplo, a queda do preços do petróleo. Agora, muitos deles afirmam que a Venezuela nunca foi socialista e que a experiência venezuelana não nos diz nada sobre o socialismo. Quase todas as experiências socialistas passam por esses estágios. A União Soviética fez isso na década de 1930, a China e o Vietnã na década de 1960 e no início da década de 1970.

O que chama a atenção dos intelectuais? Por que eles são atraídos para o socialismo?

O capitalismo é contraintuitivo. A maioria das pessoas, não apenas os intelectuais, intuitivamente não gosta dele e sentem instintivamente que ele é errado. Não gostamos das grandes empresas, não gostamos dos ricos, não gostamos do lucro. É assim que nossos cérebros são programados. Assim, o socialismo nos chega natural e facilmente. Por outro lado, apreciar os benefícios da economia de mercado requer algum esforço e autodisciplina intelectual.

Isso serve não apenas para os intelectuais, mas os intelectuais pensam mais nessas questões do que qualquer outra pessoa. Eles também são mais capazes de racionalizar os fracassos de suas idéias e usar sofismas para chegar à conclusão que desejam alcançar.

Se você for uma pessoa mais prática, verá a diferença entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, entre a antiga Alemanha Ocidental e Oriental ou entre a Venezuela e a Colômbia e pensará: "Certo, o capitalismo, quaisquer que sejam suas falhas, claramente é o melhor sistema". Mas, se você é intelectual, será capaz de apresentar razões para se convencer de que nenhuma dessas comparações nos diz algo, que não eram o socialismo "real", que o socialismo "real" seria muito melhor do que capitalismo.

Como os regimes socialistas ficaram pobres e acabaram com a liberdade? No nível econômico, por que os governos socialistas fracassam?

As economias capitalistas têm uma série de pontos fortes que as tornam imensamente superiores às socialistas. Por exemplo, o mercado é um processo de tentativa e erro. Em uma economia de mercado, podemos tentar várias coisas diferentes e ver o que funciona. Uma economia socialista não tem isso.

Além disso, as economias de mercado são coordenadas pelos preços de mercado e os preços de mercado são uma maneira extremamente eficaz de coletar e transmitir informações. As economias socialistas não podem substituir esta função dos preços de mercado.

Então os países socialistas acabam enfrentando problemas econômicos, sobretudo a escassez. Os políticos socialistas geralmente reagem a isso culpando "sabotadores" e "especuladores" imaginários por esses problemas. Esse é um dos modos pelos quais os sistemas socialistas se tornam autoritários.

Quais são os erros mais comuns do socialismo? Até que ponto os regimes socialistas aprendem com os erros das experiências passadas?

Um erro comum é a crença de que uma economia pode ser planejada democraticamente, pelo povo ou pela "classe trabalhadora" como um todo. Como isso deveria funcionar? Para planejar uma economia, são necessárias quantidades colossais de informações altamente técnicas e altamente especializadas. Isso simplesmente não pode ser feito de maneira democrática. Isso só pode ser feito de maneira tecnocrática, de cima para baixo.

Novos regimes socialistas geralmente concluem que os regimes socialistas anteriores simplesmente nunca tentaram realmente democratizar suas economias. Eles concluem que o caráter tecnocrático desses regimes foi o resultado de uma escolha deliberada. Que as pessoas no poder queriam que fosse assim. Que eles foram corrompidos ou não entenderam o socialismo.

Esta foi, em grande parte, a retórica de Hugo Chávez em meados dos anos 2000. Foi assim que ele falou sobre a União Soviética. Eles teriam tido um entendimento errado do socialismo, segundo ele. O socialismo dele seria diferente. Hoje, a propaganda chavista soa como a propaganda soviética. Eles se transformaram exatamente naquilo que queriam evitar.

O socialismo não pode ser melhorado. Suas falhas são inerentes. Não é simplesmente uma questão de aprender as lições do fracasso de regimes socialistas anteriores. Uma vez que um socialista tenha aprendido as lições certas, ele não pode mais ser um socialista. A única conclusão sensata é desistir completamente do socialismo.

Existe algum modelo em que os governos socialistas possam ter sucesso?

O Estado tem um papel a desempenhar na vida econômica e pode fazer algum bem. Existem algumas economias de sucesso que têm grandes setores públicos, como a Suécia, a Dinamarca e a Finlândia. Mas essas não são economias socialistas. São economias relativamente liberais. Eles podem pagar altos impostos porque eles acertam muitas outras coisas.

Mesmo assim, esse modelo social-democrata só funciona em circunstâncias especiais. Os países nórdicos também são virtualmente livres de corrupção, por isso as pessoas estão preparadas para pagar impostos mais altos, porque confiam que seu dinheiro será bem gasto. Essas também são sociedades com altos níveis de confiança social, o que significa que os contribuintes estão menos preocupados com o uso excessivo do sistema de bem-estar social. Esse modelo funciona lá — mas não pode ser facilmente copiado em outros lugares.

 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Doze conceitos econômicos que todos deveriam saber




Doze conceitos econômicos que todos deveriam saber

Richard N. Lorenc

Quando digo às pessoas que trabalho na Fundação para a Educação Econômica, elas às vezes perguntam: “Que ideias econômicas as pessoas deveriam saber?”

Nós da FEE pensamos muito sobre isso em nossos artigos, cursos, seminários e vídeos. Nós destilamos o “pensamento econômico” em 12 conceitos-chave. A lista a seguir nos guiou internamente por alguns anos, e imagino que agora é hora de compartilhá-la com o mundo.

1. Ganhos do comércio: Em qualquer troca econômica, livremente escolhida, ambas as partes se beneficiam - pelo menos em suas próprias mentes.

2. Valor subjetivo: O valor de qualquer bem ou serviço é determinado pela mente humana individual.

3. Custo de oportunidade: Nada é gratuito, e o custo de qualquer coisa é o que você desiste de obtê-lo.

4. Ordem espontânea: A sociedade emerge não de uma intenção ou planejamento de cima para baixo, mas de ações individuais que resultam em resultados não planejados para o todo.

5. Incentivos: os indivíduos agem para maximizar sua própria recompensa.

6. Vantagem comparativa: A cooperação entre indivíduos cria valor quando um vendedor pode produzir um determinado item ou serviço a um custo menor do que o comprador gastaria para produzir ele mesmo.

7. Problema de conhecimento: nenhuma pessoa ou grupo sabe o suficiente para planejar (e forçar) os resultados sociais, porque a informação necessária para a ordem social é distribuída entre seus membros e revelada apenas na escolha humana.

8. Visto e Invisível: Além dos efeitos tangíveis e quantificáveis, muitas vezes há custos invisíveis e oportunidades não atendidas para qualquer ação ou política.

9. As regras são importantes: as instituições influenciam as decisões tomadas pelos indivíduos. Por exemplo, os direitos de propriedade se estendem da realidade da escassez que exige que a propriedade seja atribuída para indivíduos e não para um coletivo.

10. A ação é proposital: cada pessoa faz escolhas com a intenção de melhorar sua condição.

11. Sociedade civil: A associação voluntária permite que pessoas de todas as origens interajam pacificamente, criem valor, cultivem o caráter pessoal e criem confiança mútua.

12. Empreendedorismo: Atuar em uma oportunidade de reunir recursos e ideias subutilizados, mal utilizados ou não descobertos para criar valor para os outros.

Você pode pensar em todas as maneiras e lugares em que esses princípios aparecem - como você faz compras, socializa e planeja seu futuro. Como gostamos de dizer, a economia está em toda parte!


Richard N. Lorenc é vice-presidente executivo da FEE e atua como diretor administrativo do projeto de Educação e Audiência da Juventude da FEE ("YEAR") para desenvolver e promover novas técnicas de distribuição e conteúdo para ideias de livre mercado.

Fonte: https://fee.org/articles/twelve-economic-concepts-everyone-should-know/