A obra Falácias da justiça social, de Thomas Sowell, constitui uma reflexão crítica sobre concepções contemporâneas de justiça que, segundo o autor, tendem a desconsiderar a complexidade dos fenômenos sociais e as limitações do conhecimento humano. Ao examinar pressupostos amplamente difundidos no debate público, Sowell procura demonstrar que interpretações baseadas apenas em intenções morais ou em desigualdades observadas podem conduzir a políticas que restringem a liberdade individual, ampliam o poder coercitivo do Estado e produzem consequências adversas não previstas. Nesse sentido, o livro se insere em uma tradição intelectual que valoriza a prudência institucional, a análise de incentivos e a importância de processos sociais descentralizados.
Sob a perspectiva da liberdade, um dos méritos centrais da obra está na defesa de que sociedades abertas dependem menos de planejamentos abrangentes e mais de instituições que permitam experimentação, diversidade de escolhas e correção de erros ao longo do tempo. Sowell enfatiza que a tentativa de reorganizar a sociedade a partir de critérios abstratos de igualdade pode ignorar diferenças históricas, culturais e econômicas entre grupos, além de subestimar a capacidade adaptativa de arranjos espontâneos. Ao recuperar críticas clássicas ao racionalismo construtivista, o autor reforça a ideia de que a liberdade não é apenas um valor moral, mas também uma condição prática para a produção de conhecimento social e para a coordenação eficiente de interesses dispersos.
Outro aspecto favorável destacado pelo livro é a importância da liberdade de expressão e do pluralismo intelectual como mecanismos de autocorreção social. Sowell argumenta que ambientes nos quais opiniões divergentes são desestimuladas tendem a reduzir a qualidade do debate público e a aumentar o risco de decisões coletivas equivocadas. A preservação de espaços abertos de discussão aparece, assim, como elemento essencial para evitar a consolidação de consensos frágeis baseados mais em pressão social do que em evidência empírica. Essa defesa do dissenso construtivo reforça a conexão entre liberdade individual e progresso institucional.
A análise dos incentivos econômicos também contribui para a valorização da liberdade, ao mostrar que intervenções destinadas a produzir resultados considerados justos podem alterar comportamentos de maneira imprevista, prejudicando justamente aqueles que pretendem beneficiar. Para Sowell, instituições que respeitam escolhas individuais e limitam a coerção tendem a gerar maior prosperidade e mobilidade social ao longo do tempo, não por virtude moral abstrata, mas por criarem condições favoráveis à inovação, ao esforço pessoal e à cooperação voluntária.
Embora a obra reconheça a existência de desigualdades e desafios sociais reais, sua contribuição principal consiste em advertir contra soluções que sacrificam a liberdade em nome de objetivos idealizados. Ao enfatizar consequências institucionais, limites do planejamento central e importância do conhecimento disperso, Sowell reafirma a liberdade como fundamento tanto ético quanto prático de sociedades dinâmicas. O resultado é uma análise que, mesmo suscetível a longos debates, oferece defesa consistente de instituições abertas e de uma concepção de justiça vinculada à responsabilidade individual, ao pluralismo e à autonomia humana.
